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1 Samuel Cap. 28

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Capítulo 28

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1 Samuel

Versão: KJA
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Diego Vieira Dias em 07/12/2025
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1 Naqueles dias, os filisteus reuniram suas tropas e se prepararam para guerrear contra Israel. Então Áquis mandou chamar Davi e lhe declarou: “Quero te dizer que escolhi a ti e a teus homens para vir e lutar ao meu lado nesta guerra!”

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2 Replicou Davi a Áquis: “Então tu saberás o que teu servo é capaz de fazer!” Diante do que Áquis respondeu: “Muito bem! Eu te colocarei como minha guarda pessoal e permanente.”

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3 Samuelhavia morridoalgum tempo, e todos os israelitas tinham pranteado muito a morte dele e o haviam sepultado na cidade de Ramá, sua cidade natal. Saul havia executado e expulsado de Israel todos os médiuns e aqueles que consultavam espíritos.

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4 Entrementes, os filisteus se juntaram e vieram acampar em Suném, enquanto Saul reunia todo os israelitas e erguia seu acampamento em Gilboa.

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5 Assim que Saul observou o acampamento filisteu, sentiu profundo pavor, e temeu muito por sua vida e futuro.
Versículo 5
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Diego Vieira Dias em 07/12/2025

Aqui está o desenvolvimento do primeiro subtópico, elaborado com base na transcrição e estruturado conforme as regras estabelecidas.


A Decadência do Reinado de Saul e o Silêncio Divino

A narrativa bíblica registrada em 1 Samuel 28 apresenta um dos momentos mais sombrios e complexos da história da monarquia de Israel: o fim trágico do reinado de Saul. Para compreender a gravidade dos eventos que ocorreram em Endor, é fundamental analisar o contexto histórico e espiritual que precedeu a decisão do rei de consultar uma médium. A situação de Saul não era apenas de desvantagem militar, mas de completo abandono espiritual.

O cenário descrito nas Escrituras coloca os exércitos filisteus acampados em Suném, enquanto Saul e as tropas de Israel se posicionam em Gilboa. A geografia aqui é relevante: Suném ficava ao norte do Vale de Jezreel, e Gilboa ao sul. Essa disposição colocava os filisteus em uma posição estratégica vantajosa, cortando o reino ao meio. Ao observar o acampamento inimigo, a reação de Saul não foi a de um comandante confiante, mas a de um homem consumido pelo pavor.

"Vendo Saul o arraial dos filisteus, temeu, e estremeceu muito o seu coração." (1 Samuel 28:5)

O medo de Saul era exacerbado por duas ausências cruciais. A primeira era a morte de Samuel, o profeta que servia como sua bússola moral e espiritual, e que também representava a autoridade de Deus sobre o reino. A segunda ausência era a de Davi, o maior guerreiro de Israel, que, perseguido pelo próprio Saul, estava exilado e, ironicamente, aliado momentaneamente aos filisteus (embora não participasse daquela batalha específica). Sem seu mentor e sem seu campeão, Saul estava isolado.

O Silêncio dos Céus

Diante do iminente conflito, Saul buscou a orientação divina. No entanto, o texto bíblico relata um silêncio absoluto por parte de Deus. As vias ordinárias de revelação divina no Antigo Testamento estavam fechadas para ele.

"E perguntou Saul ao Senhor, porém o Senhor não lhe respondeu, nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas." (1 Samuel 28:6)

Este silêncio não foi acidental, mas judicial. Deus havia se apartado de Saul devido a uma sucessão de desobediências deliberadas que marcaram o seu reinado. O "Urim", parte do peitoral do sumo sacerdote usado para discernir a vontade de Deus, não oferecia resposta — o que é coerente, visto que Saul havia ordenado o massacre dos sacerdotes em Nobe (1 Samuel 22), restando apenas Abiatar, que fugira para junto de Davi levando consigo a estola sacerdotal.

A falta de resposta divina forçou Saul a confrontar as consequências de seus atos passados, especificamente dois eventos que selaram o seu destino:

  1. A Usurpação Sacerdotal (1 Samuel 13): No início de seu reinado, impaciente com a demora de Samuel e temendo a dispersão do povo, Saul tomou para si a função sacerdotal e ofereceu o sacrifício, algo estritamente proibido pela Lei Mosaica para um rei da tribo de Benjamim.
  2. A Desobediência contra Amaleque (1 Samuel 15): A ordem divina era clara quanto à destruição total dos amalequitas. Saul, contudo, poupou o rei Agague e o melhor do gado, justificando-se com a intenção de sacrificar ao Senhor. Foi neste momento que Samuel proferiu a sentença final: "Visto que rejeitaste a palavra do Senhor, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei."

A Hipocrisia Real

Um aspecto notável deste cenário é a contradição nas ações de Saul. O texto informa que, anteriormente, Saul havia desterrado os médiuns e adivinhos de Israel, cumprindo a lei de Moisés que proibia tais práticas.

"Não vos virareis para os adivinhadores e encantadores; não os busqueis, contaminando-vos com eles. Eu sou o Senhor vosso Deus." (Levítico 19:31)

Ao expulsar os necromantes, Saul agiu externamente em conformidade com a ortodoxia religiosa. No entanto, sua motivação interna parecia desconectada de uma verdadeira piedade, visto que, no momento de crise máxima, ele prontamente abandonou a lei que jurara defender. O silêncio de Deus levou Saul ao desespero, e o desespero o levou a cruzar a linha final da apostasia: buscar no ocultismo a resposta que o Céu lhe negara.

Assim, a decisão de ir a Endor não surge no vácuo. Ela é o clímax de uma vida marcada pela autossuficiência, pela rejeição da autoridade profética e pela incapacidade de se arrepender genuinamente. Saul, o rei que começou ungido pelo Espírito, termina seus dias buscando a voz dos mortos porque matou sua comunhão com o Deus vivo.

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6 Buscou depressa consultar o SENHOR, mas este não lhe deu umapalavra, nem por meio de sonhos, nem por Urim, nem mesmo mediante os profetas.
Versículo 6
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Diego Vieira Dias em 07/12/2025

A Contradição de Saul e o Espírito de Samuel

A questão central é se o espírito evocado pela médium (feiticeira) em En-Dor, que falou com Saul, era de fato o profeta Samuel, e como isso se concilia com as proibições e a falta de resposta divina.

1. A Consulta Proibida e a Morte de Saul

O texto de 1 Crônicas 10:13-14 estabelece a causa da morte de Saul, enfatizando sua desobediência e a consulta ao espiritismo como a falha final:

Assim, Saul morreu por causa da transgressão cometida contra o SENHOR, por causa da palavra do SENHOR, que ele não tinha guardado; e também porque *consultou uma médium 14 e não o SENHOR, que, por isso, o matou e transferiu o reino a Davi, filho de Jessé. 1Cr 10:13

  • Afirmação de 1 Crônicas: Saul morreu por transgressão contra o SENHOR, por não ter guardado Sua Palavra, e principalmente porque consultou uma médium e não o SENHOR.
  • Conclusão Implícita: Se Deus tivesse permitido que Samuel (Seu profeta) respondesse a Saul através da evocação, isso equivaleria a uma forma de resposta do SENHOR, o que contradiz a declaração de que ele “não consultou o SENHOR” e consultou “uma médium” em Seu lugar.

2. A Recusa de Deus em Responder

O texto de 1 Samuel 28:6 demonstra claramente que Deus havia parado de se comunicar com Saul antes do incidente em En-Dor:

Saul consultou o SENHOR, porém o SENHOR não lhe respondeu, nem por sonhos, nem por Urim (Sumo sacerdorte), nem por profetas. (1Sm 28:6)

  • Afirmação de 1 Samuel: Saul consultou o SENHOR, porém o SENHOR não lhe respondeu, nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas.
  • A Prova da Recusa: Samuel era um profeta (e exercia funções de juiz/sacerdote). Se o verdadeiro Samuel tivesse falado com Saul através da médium, o Senhor teria se comunicado por um profeta, o que invalidaria a afirmação de que Deus não o respondeu por profetas.
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7 Desesperado, Saul ordenou aos seus serviçais: “Procurai uma mulher que seja médium a fim de que eu lhe fale da minha aflição e a consulte!” E, prontamente, os servos lhe informaram: “Há uma necromante em En-Dor.”

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8 Então Saul se disfarçou, vestindo roupas diferentes. E, ao cair da noite, foi com dois dos seus servos falar com a tal vidente. E lhe disse: “Rogo-te que me reveles o futuro, invocando para mim quem eu lhe nomear!”
Versículo 8
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Diego Vieira Dias em 07/12/2025

A Jornada a Endor: O Desespero que Cruza Linhas Inimigas

A decisão de Saul de consultar uma médium desencadeou uma das operações mais arriscadas e irônicas de sua vida. O texto bíblico não apenas narra uma transgressão espiritual, mas descreve uma movimentação tática impulsionada pelo puro pavor. A geografia do conflito, muitas vezes negligenciada na leitura superficial, revela a profundidade do desespero do rei.

O Risco Geográfico e Militar

Para compreender a loucura da jornada de Saul, é preciso visualizar o campo de batalha. O exército de Saul estava acampado no Monte Gilboa, ao sul. Os filisteus ocupavam Suném, ao norte. A cidade de Endor, onde residia a médium, ficava localizada ainda mais ao norte, atrás das linhas inimigas.

Isso significava que, para chegar a Endor, Saul e seus dois acompanhantes precisavam contornar o acampamento filisteu ou passar perigosamente perto dele. Não era apenas uma viagem espiritual proibida; era uma missão suicida. O rei de Israel expôs sua própria vida e a estabilidade do comando militar na véspera da batalha para buscar uma resposta que Deus já havia negado. A viagem foi realizada à noite, sob o manto da escuridão, simbolizando tanto a necessidade de furtividade militar quanto a condição espiritual tenebrosa em que Saul se encontrava.

O Disfarce e a Hipocrisia

Saul, que outrora fora alto e distinto entre o povo, agora se via obrigado a esconder sua identidade. O texto diz que ele "disfarçou-se, vestiu outras roupas" (1 Samuel 28:8). Este ato carrega um simbolismo profundo: o rei despiu-se de sua dignidade real para assumir a postura de um transgressor anônimo.

Ao chegar à casa da mulher em Endor, a tensão é imediata. A médium, cautelosa, relembra ao estranho visitante o decreto real que baniu a necromancia da terra. A resposta de Saul é o ápice da contradição espiritual:

"Então Saul lhe jurou pelo Senhor, dizendo: Vive o Senhor, que nenhum mal te sobrevirá por isso." (1 Samuel 28:10)

Neste momento, Saul utiliza o nome sagrado de Yahweh ("O Senhor") para sancionar uma atividade que o próprio Yahweh abomina e proíbe sob pena de morte (Deuteronômio 18:10-12). Ele jura pelo Deus da Lei para proteger a quebra da Lei. Essa dissonância cognitiva demonstra que Saul já não possuía qualquer bússola moral; ele estava disposto a usar a autoridade de Deus como uma ferramenta conveniente para alcançar seus fins ilícitos.

A Escolha da Médium

A mulher é descrita no texto original como ba’alat-ov, que pode ser traduzido como "dona de um talismã" ou "senhora de um espírito". O termo ov refere-se frequentemente a um odre ou pele de animal, sugerindo a prática de ventriloquia ou rituais onde a voz do suposto espírito parecia emanar do chão ou de um objeto.

É relevante notar que Saul pediu especificamente: "Adivinha-me, peço-te, pelo espírito de feitiçaria, e faze-me subir a quem eu te disser" (1 Samuel 28:8). O rei sabia exatamente o que estava pedindo. Ele não buscava arrependimento ou graça; ele buscava controle. Diante do silêncio de Deus, Saul tentou forçar a porta do sobrenatural pelos fundos, utilizando uma prática pagã cananeia para tentar acessar um profeta do Deus de Israel.

A ironia final desta etapa da narrativa é que Saul, o ungido do Senhor, encontra-se agora dependente da misericórdia e das habilidades de uma mulher proscrita, em território inimigo, na escuridão da noite, implorando para falar com o homem que, em vida, foi a voz constante de sua condenação.

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9 A mulher, porém, lhe replicou: “Tu bem sabes o que fez Saul, como exterminou da terra os médiuns e adivinhos. Por que armas uma cilada para que eu seja morta?”
Versículo 9
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Diego Vieira Dias em 07/12/2025

A Aparição de Samuel: Evidências Textuais Contra a Tese Demoníaca

Um dos debates mais calorosos da teologia do Antigo Testamento gira em torno da identidade da figura que apareceu em Endor. Teria a médium invocado um demônio que se fez passar por Samuel, ou teria Deus permitido, de forma extraordinária, que o profeta retornasse do Sheol (a morada dos mortos) para entregar uma última sentença?

Embora a interpretação de que se tratava de um demônio seja popular em alguns círculos para evitar validar a necromancia, uma análise exegética rigorosa do texto de 1 Samuel 28 aponta fortemente para a realidade da aparição de Samuel. Não por poder da médium, mas por uma intervenção soberana de Deus. Abaixo, listamos as evidências textuais que sustentam essa conclusão.

1. O Pavor da Médium

A reação da feiticeira é a primeira pista de que algo fugiu ao roteiro habitual de suas sessões. O texto descreve que, ao ver Samuel, a mulher "gritou com grande voz" (1 Samuel 28:12).

Se ela estivesse acostumada a manipular espíritos familiares ou a usar truques de ventriloquia, a aparição não a teria aterrorizado. O grito de pavor indica que ela se deparou com uma realidade sobrenatural que não convocou e que não podia controlar. Ela esperava uma fraude ou um espírito familiar, mas recebeu um profeta de Deus. Foi nesse momento de choque que ela teve a revelação sobrenatural da identidade de seu cliente: "Por que me enganaste? Pois tu és Saul."

2. A Descrição Visual e o "Elohim"

Quando Saul pergunta o que ela vê, a mulher responde: "Vejo deuses [Elohim] que sobem da terra" (1 Samuel 28:13). A palavra hebraica Elohim é plural, mas muitas vezes usada para denotar um ser de grande majestade ou autoridade, não necessariamente uma divindade pagã neste contexto, mas um ser do mundo espiritual.

Saul pede detalhes físicos, e a descrição é específica: "Um ancião vem subindo, e está envolto numa capa" (1 Samuel 28:14). A palavra para "capa" ou "manto" aqui é me'il. Este detalhe é crucial. O me'il era a vestimenta característica de Samuel em vida. Mais importante ainda, foi este mesmo manto que Saul agarrou e rasgou em 1 Samuel 15, simbolizando o rasgar do reino de Israel das mãos de Saul. Ao reconhecer o manto, Saul entende imediatamente com quem está lidando e se prostra.

3. A Narrativa Bíblica Valida a Identidade

O argumento mais forte encontra-se na própria narração inspirada. O autor sagrado não usa termos como "o espírito", "a aparição" ou "o demônio". O texto afirma categoricamente:

"E Samuel disse a Saul..." (1 Samuel 28:15)

Se fosse uma impostura demoníaca, a Escritura — que é inerrante — provavelmente utilizaria uma linguagem que denotasse engano, como "o espírito que parecia Samuel". Ao nomear o sujeito como Samuel, o narrador bíblico valida a identidade daquele que falava.

4. A Veracidade e Consistência da Profecia

A mensagem entregue pela aparição é teologicamente consistente e profeticamente infalível. Um demônio, sendo o "pai da mentira" (João 8:44), dificilmente pregaria um sermão de arrependimento e juízo baseado na Aliança Mosaica com 100% de precisão.

O discurso de Samuel contém três pontos que apenas um profeta de Yahweh poderia articular com autoridade:

  1. Confirmação do Juízo Passado: Reitera que Deus rasgou o reino de Saul por causa da desobediência em relação a Amaleque (cumprindo a profecia de 1 Sm 15).
  2. A Entrega a Davi: Confirma que o reino foi dado ao seu "próximo", Davi.
  3. Profecia Futura Imediata: Prediz a derrota de Israel para os filisteus e a morte de Saul e seus filhos no dia seguinte.

"Amanhã tu e teus filhos estareis comigo." (1 Samuel 28:19)

A expressão "estareis comigo" refere-se ao Sheol, o lugar dos mortos para onde iam todos no Antigo Testamento, justos e injustos (embora em condições diferentes). A profecia cumpriu-se literalmente. Satanás não possui onisciência para determinar o dia exato da morte de uma pessoa, a menos que Deus o revele. A precisão cirúrgica da profecia atesta que a fonte era o próprio Deus, falando através de Seu servo Samuel.

Portanto, o texto nos leva a crer que Samuel realmente apareceu, não porque a médium tivesse poder sobre ele, mas porque Deus, em Sua soberania, interrompeu a sessão proibida para entregar o veredito final ao rei desobediente.

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10 Então Saul jurou-lhe por Yahweh, o Nome do SENHOR, declarando: “Tão certo como Yahweh vive, nenhum mal te sucederá por causa desta tua atitude para comigo!”

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11 Questionou-lhe a mulher: “Pois bem, a quem desejas que eu faça subir?” E ele rogou-lhe: “Faz-me subir Samuel!”

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12 Assim que a mulher viu Samuel, exclamou em alta voz e indagou a Saul: “Por que me enganaste? Tu és Saul!”

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13 Em seguida o rei a acalmou afirmando: “Não temas! Revela-me o que estas vendo?” Então a mulher explicou-lhe: “Observo elohim, um ser divino, que sobe da terra!”

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14 Então Saul quis saber mais e lhe indagou: “Qual a aparência dele?” Ao que a mulher prontamente replicou: “É como um homem idoso, vestindo um manto, e está subindo.” Então Saul deduziu que era Samuel: ajoelhou-se e prostou-se com o rosto no chão.

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15 Samuel disse a Saul: “Por que me perturbaste, fazendo-me subir? Saul explicou-lhe: “Estou profundamente angustiado, porquanto os filisteus pelejam contra mim, e Deus se afastou da minha pessoa e não me responde mais, nem por meio dos profetas nem por sonhos; por esse motivo te chamei, para que me orientes no que devo fazer.”
Versículo 15
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Diego Vieira Dias em 07/12/2025

A Aparição de Samuel: Evidências Textuais Contra a Tese Demoníaca

Um dos debates mais calorosos da teologia do Antigo Testamento gira em torno da identidade da figura que apareceu em Endor. Teria a médium invocado um demônio que se fez passar por Samuel, ou teria Deus permitido, de forma extraordinária, que o profeta retornasse do Sheol (a morada dos mortos) para entregar uma última sentença?

Embora a interpretação de que se tratava de um demônio seja popular em alguns círculos para evitar validar a necromancia, uma análise exegética rigorosa do texto de 1 Samuel 28 aponta fortemente para a realidade da aparição de Samuel. Não por poder da médium, mas por uma intervenção soberana de Deus. Abaixo, listamos as evidências textuais que sustentam essa conclusão.

1. O Pavor da Médium

A reação da feiticeira é a primeira pista de que algo fugiu ao roteiro habitual de suas sessões. O texto descreve que, ao ver Samuel, a mulher "gritou com grande voz" (1 Samuel 28:12).

Se ela estivesse acostumada a manipular espíritos familiares ou a usar truques de ventriloquia, a aparição não a teria aterrorizado. O grito de pavor indica que ela se deparou com uma realidade sobrenatural que não convocou e que não podia controlar. Ela esperava uma fraude ou um espírito familiar, mas recebeu um profeta de Deus. Foi nesse momento de choque que ela teve a revelação sobrenatural da identidade de seu cliente: "Por que me enganaste? Pois tu és Saul."

2. A Descrição Visual e o "Elohim"

Quando Saul pergunta o que ela vê, a mulher responde: "Vejo deuses [Elohim] que sobem da terra" (1 Samuel 28:13). A palavra hebraica Elohim é plural, mas muitas vezes usada para denotar um ser de grande majestade ou autoridade, não necessariamente uma divindade pagã neste contexto, mas um ser do mundo espiritual.

Saul pede detalhes físicos, e a descrição é específica: "Um ancião vem subindo, e está envolto numa capa" (1 Samuel 28:14). A palavra para "capa" ou "manto" aqui é me'il. Este detalhe é crucial. O me'il era a vestimenta característica de Samuel em vida. Mais importante ainda, foi este mesmo manto que Saul agarrou e rasgou em 1 Samuel 15, simbolizando o rasgar do reino de Israel das mãos de Saul. Ao reconhecer o manto, Saul entende imediatamente com quem está lidando e se prostra.

3. A Narrativa Bíblica Valida a Identidade

O argumento mais forte encontra-se na própria narração inspirada. O autor sagrado não usa termos como "o espírito", "a aparição" ou "o demônio". O texto afirma categoricamente:

"E Samuel disse a Saul..." (1 Samuel 28:15)

Se fosse uma impostura demoníaca, a Escritura — que é inerrante — provavelmente utilizaria uma linguagem que denotasse engano, como "o espírito que parecia Samuel". Ao nomear o sujeito como Samuel, o narrador bíblico valida a identidade daquele que falava.

4. A Veracidade e Consistência da Profecia

A mensagem entregue pela aparição é teologicamente consistente e profeticamente infalível. Um demônio, sendo o "pai da mentira" (João 8:44), dificilmente pregaria um sermão de arrependimento e juízo baseado na Aliança Mosaica com 100% de precisão.

O discurso de Samuel contém três pontos que apenas um profeta de Yahweh poderia articular com autoridade:

  1. Confirmação do Juízo Passado: Reitera que Deus rasgou o reino de Saul por causa da desobediência em relação a Amaleque (cumprindo a profecia de 1 Sm 15).
  2. A Entrega a Davi: Confirma que o reino foi dado ao seu "próximo", Davi.
  3. Profecia Futura Imediata: Prediz a derrota de Israel para os filisteus e a morte de Saul e seus filhos no dia seguinte.

"Amanhã tu e teus filhos estareis comigo." (1 Samuel 28:19)

A expressão "estareis comigo" refere-se ao Sheol, o lugar dos mortos para onde iam todos no Antigo Testamento, justos e injustos (embora em condições diferentes). A profecia cumpriu-se literalmente. Satanás não possui onisciência para determinar o dia exato da morte de uma pessoa, a menos que Deus o revele. A precisão cirúrgica da profecia atesta que a fonte era o próprio Deus, falando através de Seu servo Samuel.

Portanto, o texto nos leva a crer que Samuel realmente apareceu, não porque a médium tivesse poder sobre ele, mas porque Deus, em Sua soberania, interrompeu a sessão proibida para entregar o veredito final ao rei desobediente.

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16 Então Samuel disse: “Por que me indagas sobre isso, se o SENHOR se afastou de ti e se tornou teu inimigo?

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17 O SENHOR te fez como havia revelado por meu intermédio; pois o SENHOR rasgou o reino da tua mão e o entregou a Davi, o teu próximo.

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18 O SENHOR te fez isso hoje, pois não obedeceste à sua Palavra e não executastes as suas ordens de juízo e grande ira sobre os amalequitas.

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19 E, portanto, o SENHOR entregará a ti e todo o povo de Israel nas mãos dos filisteus, e amanhã tu e teus filhos estareis comigo, e o SENHOR entregará todo o exército de Israel ao domínio dos filisteus!”

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20 Naquele mesmo instante Saul caiu entendido no chão, tomado de incontrolável pavor por causa das palavras de Samuel. Suas forças se esvaíram de seu corpo, pois também ele não havia comido nada durante todo aquele dia e toda aquela noite.

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21 Quando a mulher se aproximou de Saul e constatou que ele estava absolutamente perturbado, procurou acalmá-lo, dizendo: “A tua serva te obedeceu; arrisquei minha vida e fiz o que me ordenaste.

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22 Agora, eu te suplico, ouve também as palavras da tua serva: deixa-me servir-te um pedaço de pão, come e recupera as tuas forças para seguir o teu caminho.”

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23 Porém, Saul não aceitou, alegando: “Não comerei! Mas seus servos e a mulher conseguiram convencê-lo, e ele a atendeu. E, levantando-se do chão, sentou-se na cama.

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24 A mulher tinha em casa um bezerro de engorda e sem demora o matou; e pegou também farinha, amassou-a e assou pães sem fermento.

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25 Então serviu a Saul e aos que estavam com ele. Todos comeram e depois se levantaram e partiram naquela mesma noite.

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