Tito Cap. 3
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2. A Regeneração: O Significado de Nascer de Novo e a Simbologia do Batismo
Enquanto a justificação trata da posição legal do indivíduo diante de Deus (livre de condenação), o segundo benefício da salvação, a Regeneração, lida com a natureza e a vida interior do ser humano. A justificação, por si só, não garante a transformação moral imediata do caráter; é necessário que ocorra um "novo nascimento" para que virtudes espirituais possam ser desenvolvidas.
A necessidade da regeneração decorre da condição decaída da humanidade. Desde o pecado original, a consequência primária para o ser humano foi a morte espiritual. Conforme descrito em Romanos 5:12, a morte passou a todos os homens por meio do pecado. Portanto, natural e espiritualmente, a humanidade encontra-se morta em seus delitos.
"E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados." (Efésios 2:1)
A regeneração é, portanto, o ato de Deus vivificar aquele que estava morto, concedendo-lhe uma nova vida. Esta é a aplicação prática da ressurreição de Cristo na vida do crente: Ele morreu para garantir o perdão, mas ressuscitou para garantir a nossa justificação e vivificação.
O Conceito de "Nascer de Cima" (Anōthen)
O episódio central para a compreensão deste tema é o diálogo entre Jesus e Nicodemos, registrado no Evangelho de João, capítulo 3. Nicodemos, um fariseu e príncipe dos judeus, reconhece Jesus como um mestre vindo de Deus. A resposta de Jesus, contudo, vai direto ao ponto central da existência humana:
"Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus." (João 3:3)
Para compreender a profundidade desta afirmação, é essencial analisar o termo grego utilizado pelo apóstolo João: anōthen. Segundo os léxicos gregos, esta palavra possui um significado que vai além de simplesmente "de novo" ou "novamente"; ela significa literalmente "de cima", "de um lugar mais alto", ou "de Deus".
Portanto, a regeneração não é uma reencarnação, nem apenas uma segunda oportunidade de viver a mesma vida, mas sim a aquisição de uma nova fonte de vida. Enquanto o nascimento biológico provém dos pais terrenos, o novo nascimento provém de Deus. Aquele que é regenerado passa a ter uma origem celestial. Isso explica a ênfase das Escrituras em afirmar que "aquele que é nascido de Deus não vive na prática (continua) do pecado" (1 João 3:9), pois agora possui uma nova natureza que não se entrega à corrupção do mundo.
A Universalidade da Ignorância Espiritual
O Evangelho de João constrói uma narrativa interessante ao contrastar Nicodemos (capítulo 3) com a Mulher Samaritana (capítulo 4). As diferenças são gritantes:
- Ele é homem, judeu, tem nome, tem boa fama, é religioso e procura Jesus à noite.
- Ela é mulher, samaritana, anônima, tem má fama (vários maridos) e encontra Jesus ao meio-dia.
Apesar das disparidades sociais e morais, ambos compartilham uma característica comum: a ignorância espiritual. Nicodemos questiona como um homem velho pode voltar ao ventre materno; a Samaritana questiona como Jesus tiraria água viva sem ter um balde. O ensino bíblico aqui é claro: seja rico ou pobre, religioso ou imoral, todo ser humano sem Cristo é espiritualmente morto e necessita nascer de cima.
A Simbologia do Batismo e o Mar Vermelho
A regeneração e a nova vida são frequentemente associadas ao batismo. Em Marcos 16:16, a fé e o batismo aparecem interligados na promessa de salvação. Para entender a função simbólica do batismo na regeneração, o apóstolo Paulo utiliza a tipologia da travessia do Mar Vermelho em 1 Coríntios 10:2, afirmando que "todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar".
Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado. (Marcos 16:16)
A geografia bíblica do Êxodo revela um detalhe crucial: Israel, ao chegar em Etã, já estava na entrada do deserto e poderia ter seguido viagem. No entanto, Deus ordenou que voltassem e acampassem diante do mar (Êxodo 14). O propósito divino era estratégico. Se o povo entrasse diretamente no deserto, o exército de Faraó poderia persegui-los e alcançá-los.
Ao fazer o povo atravessar o mar, Deus colocou uma barreira intransponível entre Israel e o Egito. O mar que se abriu para o povo de Deus se fechou sobre os egípcios. Assim, a travessia serviu para aniquilar o perseguidor e impedir o retorno à escravidão.
Espiritualmente, o batismo cumpre esse papel. Quando cremos, somos libertos, mas o "mundo" (tipificado pelo Egito e Faraó) tenta nos perseguir. O batismo representa o rompimento definitivo com o velho homem e com o sistema mundano.
"Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo ressuscitou dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida." (Romanos 6:4)
Assim como o Mar Vermelho separou Israel do Egito, o batismo marca a separação do crente em relação ao mundo, inaugurando uma nova realidade de vida.
Água e Espírito: Os Meios da Regeneração
Jesus afirmou ser necessário nascer "da água e do Espírito" (João 3:5). Teologicamente, estes elementos representam:
- A Água (A Palavra de Deus): A Bíblia refere-se a si mesma como a semente incorruptível que gera vida (1 Pedro 1:23) e como a lavagem da regeneração (Tito 3:5). É a Palavra que instrui e traça o novo caminho.
- O Espírito (O Espírito Santo): É a habitação divina no interior do homem. A carne não pode agradar a Deus, mas o Espírito Santo capacita o crente a viver em santidade e a mortificar as obras da carne.
A regeneração é, portanto, o milagre interior onde a Palavra de Deus e o Espírito Santo produzem uma nova criatura, apta a viver uma vida que agrada ao Criador.
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