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Gênesis Cap. 35

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Capítulo 35

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Gênesis

Versão: AS21
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1 Depois dessas coisas, Deus disse a Jacó: Levanta-te, sobe a Betel e habita ali; faz ali um altar ao Deus que te apareceu quando fugias de teu irmão Esaú.

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2 Então Jacó disse à sua família e a todos os que estavam com ele: Lançai fora os deuses estrangeiros que há no meio de vós, purificai-vos e mudai de roupa.

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3 Vamos nos levantar e subir para Betel. Farei ali um altar ao Deus que me atendeu no dia da minha angústia e esteve comigo no caminho por onde andei.

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4 E entregaram a Jacó todos os deuses estrangeiros que possuíam e os brincos que traziam nas orelhas; e Jacó os escondeu debaixo do carvalho que está junto a Siquém.

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5 Então partiram, e o terror de Deus sobreveio às cidades que estavam ao redor, de modo que não perseguiram os filhos de Jacó.

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6 Assim Jacó chegou a Luz (esta é Betel), que está na terra de Canaã; ele e todo o povo que estava com ele.

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7 Edificou ali um altar e chamou ao lugar El-Betel; porque ali Deus havia se manifestado a ele quando fugia de seu irmão.

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8 Débora, ama de Rebeca, morreu e foi sepultada junto a Betel, ao pé do carvalho, que foi chamado Alom-Bacute.

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9 Quando Jacó voltou de Padã-Arã, Deus apareceu-lhe outra vez e o abençoou.

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10 E disse-lhe Deus: O teu nome é Jacó. Não serás mais chamado Jacó, mas o teu nome será Israel. E deu-lhe o nome de Israel.

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11 Disse-lhe mais: Eu sou o Deus Todo-poderoso; frutifica e multiplica-te; uma nação e uma multidão de nações sairão de ti, e reis procederão da tua linhagem; 12 e darei a ti a terra que dei a Abraão e a Isaque; também a darei à tua futura descendência.

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13 Depois disso, Deus subiu de diante dele, do lugar onde havia lhe falado.

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14 Então Jacó levantou uma coluna no lugar onde Deus havia lhe falado, uma coluna de pedra; e derramou sobre ela uma oferta de libação e também azeite; 15 e Jacó deu o nome de Betel ao lugar onde Deus havia falado com ele.

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16 Depois partiram de Betel; quando Raquel começou a sentir as dores de parto, faltava ainda um pequeno trecho para chegar a Efrata; e foi-lhe muito difícil dar à luz.

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17 Quando ela estava com as dores de parto, a parteira lhe disse: Não temas, pois ainda terás este filho.

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18 Então Raquel, quando a alma lhe estava saindo (porque morreu), deu ao filho o nome de Benôni; mas seu pai chamou-lhe Benjamim.

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19 Assim Raquel morreu; e foi sepultada no caminho de Efrata (esta é Belém).

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20 E Jacó levantou uma coluna sobre a sua sepultura; e esta é a coluna da sepultura de Raquel até o dia de hoje.

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21 Então Israel partiu, e armou sua tenda depois de Migdal-Éder.

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22 Quando Israel habitava naquela terra, Rúben foi e deitou-se com Bila, concubina de seu pai; e Israel soube disso. Os filhos de Jacó eram doze: 23 dos filhos de Leia: Rúben, o primogênito de Jacó, depois Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zebulom; 24 dos filhos de Raquel: José e Benjamim; 25 dos filhos de Bila, serva de Raquel: Dã e Naftali; 26 dos filhos de Zilpa, serva de Leia: Gade e Aser. Estes são os filhos de Jacó, que lhe nasceram em Padã-Arã.
Versículo 22
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Diego Vieira Dias há 4 semanas

1. Rúben: Da Primogenitura à Sobrevivência Profética (Gn. 29:32; Dt. 33:6)

A Transgressão Moral e o Silêncio de Israel

Apesar de toda a promessa e honra que cercavam seu nascimento, Rúben carregava consigo os traumas e as dores não resolvidas de sua mãe, Léia. A rejeição familiar criou um terreno fértil para o ressentimento. Em um momento crítico da narrativa, Rúben toma uma decisão que visa, distorcidamente, "vingar" a desonra de sua mãe ou acelerar sua ascensão ao poder, cometendo um ato de profanação que marcaria sua história.

O episódio ocorre logo após a morte de Raquel, a esposa amada de Jacó. Com a família em luto e em transição geográfica, a Bíblia relata um evento chocante com uma brevidade perturbadora:

"E aconteceu que, habitando Israel naquela terra, foi Rúben e deitou-se com Bila, concubina de seu pai; e Israel o soube." (Gênesis 35:22)

O Peso do Ato

Ao deitar-se com Bila, Rúben não cometeu apenas um pecado sexual; ele atentou contra a autoridade patriarcal. Na cultura do antigo Oriente Próximo, possuir as concubinas de um rei ou líder era uma forma de reivindicar sua posição e trono. Rúben, talvez movido pela amargura de ver sua mãe preterida, tenta usurpar o lugar de seu pai e "dar um basta" na dinâmica familiar que o feria. Ele profanou o leito de honra de Jacó, tratando o sagrado com desprezo.

A transcrição nos alerta para a diferença entre pecado e iniquidade. Enquanto o pecado pode ser um erro isolado, seguido de arrependimento e dor, a iniquidade é o pecado institucionalizado na consciência: é quando o erro se torna normal, quando a consciência cauterizada já não sente o "mau cheiro" da transgressão. Rúben agiu como se sua posição de primogênito lhe garantisse imunidade.

O Silêncio de Jacó e a Areia do Tempo

O texto bíblico termina o versículo 22 com uma frase enigmática: "e Israel o soube". Não há registro imediato de gritos, expulsão ou punição. Jacó (Israel) permanece em silêncio.

Esse silêncio é perigoso. Muitas vezes, interpretamos a ausência de consequência imediata como aprovação ou impunidade. O homem pode tentar esconder seus erros, como Moisés tentou esconder o egípcio que matou na areia (Êxodo 2:12), mas a "areia" da vida é instável. O vento sopra, o cenário muda, e o que estava oculto é revelado.

Rúben continuou sua vida aparentemente "bem". Ele manteve seu status, participou das decisões familiares e até tentou interceder por José mais tarde. No entanto, Jacó não havia esquecido. O patriarca não era cego nem passivo; ele estava apenas guardando a justiça para o momento certo. A conta daquela noite chegaria, não no calor do momento, mas no dia solene da distribuição das bênçãos e do destino profético das tribos.

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27 Jacó foi até seu pai Isaque, em Manre, em Quiriate-Arba (esta é Hebrom), onde viveram Abraão e Isaque.

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28 E o tempo da vida de Isaque foi de cento e oitenta anos; 29 e, expirando, morreu e foi reunido ao seu povo, velho e cheio de dias; e seus filhos Esaú e Jacó o sepultaram.

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