Isaías Cap. 6
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Amarre o Seu Boi Selvagem Custe o Que Custar: O Poder do Domínio Próprio (Êx. 21:28-30; Pv. 25:28)
Autoconhecimento: O Desafio de Identificar o Próprio Boi
O processo de dominar os próprios impulsos exige, antes de tudo, a capacidade de identificá-los. Para que uma cerca seja construída de forma eficaz e as cordas sejam ajustadas com a firmeza necessária, é imperativo saber exatamente qual é a natureza do "boi selvagem" que habita o interior. Historicamente, teólogos e pensadores afirmam que a plenitude do entendimento humano passa por algumas premissas fundamentais de conhecimento.
"Um homem precisa conhecer quatro coisas essenciais: o seu Deus, a sua Bíblia, a sua época e a si mesmo."
Conhecer a si mesmo é, frequentemente, o passo mais negligenciado dessa jornada. É um traço comum da natureza humana desenvolver uma grande habilidade para observar, analisar e criticar a vida alheia, enquanto se mantém uma perigosa cegueira em relação às próprias falhas. A verdadeira autoanálise exige a coragem de olhar para as próprias deformidades e admitir a existência de inclinações destrutivas, sejam elas a ira, a maledicência, a compulsão, o orgulho ou qualquer outro comportamento lesivo.
Neste cenário de descoberta, a busca por ajuda profissional e aconselhamento é extremamente válida, mas possui limites claros quanto à execução da mudança.
Um psicólogo, psicanalista ou conselheiro pode ser fundamental para ajudá-lo a identificar o seu boi selvagem, mas a atitude de prendê-lo é uma obrigação intransferível e exclusivamente sua.
Ninguém pode amarrar os instintos de outra pessoa. A responsabilidade da contenção não recai sobre o cônjuge, sobre os líderes espirituais ou sobre os terapeutas. A transferência de culpa para terceiros ou para as circunstâncias é apenas uma forma de manter a porteira aberta para que os próprios vícios continuem causando estragos.
Para que esse autoconhecimento seja genuíno, é necessário abandonar o que se pode chamar de "evangelho da vitrine" e abraçar o "evangelho do espelho". A vitrine representa a projeção, a superficialidade, a busca por aprovação social e a manutenção de aparências. O espelho, por outro lado, reflete a realidade nua e crua do caráter.
O profeta Isaías vivenciou essa transição do olhar externo para o interno de maneira profunda. Ao contemplar a glória e a santidade divinas, a sua reação imediata não foi de exaltação própria, mas de um profundo e doloroso reconhecimento de sua própria condição falha e da necessidade de purificação.
"Então disse eu: Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos." (Isaías 6:5)
Somente ao olhar para o espelho da própria consciência e admitir — sem atenuantes — a ferocidade do próprio "boi selvagem", o indivíduo se torna apto a iniciar o processo de domínio próprio. O autoconhecimento é o diagnóstico; a disciplina contínua será o tratamento.
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O Propósito das Parábolas e o Juízo da Incompreensão
Uma das passagens mais intrigantes do relato de Lucas ocorre quando os discípulos questionam Jesus sobre o significado da parábola e o motivo de Ele utilizar essa forma de linguagem. A resposta do Messias revela que as parábolas não são apenas ferramentas didáticas para facilitar o entendimento, mas possuem uma função paradoxal: elas revelam a verdade aos que buscam e a ocultam dos que resistem.
Jesus cita o profeta Isaías para explicar que a incapacidade de compreender a mensagem não é uma falha intelectual, mas um juízo espiritual sobre um coração endurecido.
"A vós é dado conhecer os mistérios do reino de Deus, mas aos outros fala-se por parábolas, para que, vendo, não vejam, e ouvindo, não entendam." (Lc. 8:10)
Essa declaração remete diretamente ao contexto de Israel no Antigo Testamento, onde a nação, apesar de receber todos os cuidados divinos, tornou-se insensível.
"Vai, e dize a este povo: Ouvi, deveras, e não entendais, e vede, deveras, mas não percebais. Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos, e fecha-lhe os olhos..." (Is. 6:9-10)
O uso de figuras simples e pitorescas — como um homem lançando sementes — torna a rejeição dos líderes religiosos ainda mais evidente. A mensagem é tão clara e os exemplos tão cotidianos que a falta de percepção dos escribas e fariseus serve como prova de que eles não pertencem ao Reino. Enquanto os discípulos e os "excluídos" (como as mulheres e os pecadores arrependidos) processam a palavra e buscam profundidade, a elite religiosa permanece na superfície.
Dessa forma, a parábola atua como um divisor de águas. Ela protege os "mistérios do Reino" daqueles que desejam apenas debater ou manter o status quo religioso, ao mesmo tempo que convida o buscador sincero a cavar mais fundo. O juízo de Deus, nesse contexto, é permitir que aqueles que amam sua própria cegueira continuem cegos, mesmo diante da luz mais clara.
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