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Lucas Cap. 8

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Capítulo 8

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Lucas

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1 Logo depois, andava Jesus pelas cidades e aldeias, pregando e anunciando as boas-novas do reino de Deus, e iam com ele os doze 2 e algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios; 3 Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes; Susana e muitas outras, as quais lhe assistiam com os seus bens.
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Diego Vieira Dias há 2 semanas

23. A Dinâmica do Reino e a Resposta do Coração: Reflexões sobre a Parábola do Semeador (Lc. 8; Mt. 7:15-23; Is. 6:9-10)

O Contexto de Lucas: A Apresentação do Reino a Teófilo

Para compreender a profundidade das parábolas de Jesus, especialmente a do Semeador, é fundamental analisar a moldura histórica e literária construída pelo evangelista Lucas. O Evangelho de Lucas não é apenas uma crônica de eventos, mas um documento endereçado a um homem chamado Teófilo. Este destinatário, provavelmente de origem grega e possuidor de um intelecto questionador, encontrava-se em uma encruzilhada espiritual. Como um gentio convertido ou em processo de conversão, Teófilo lidava com a complexidade de distinguir a tradição religiosa judaica da essência do Reino de Deus.

A mensagem de Jesus surgia em um cenário onde o judaísmo tardio do primeiro século — com seus templos, sacrifícios e farisaísmo — exercia uma forte influência. Para alguém que vinha de fora, como Teófilo, as linhas entre a prática religiosa institucional e a nova fé cristã poderiam parecer tênues. Lucas, portanto, dedica os primeiros capítulos de sua obra a criar uma clara distinção entre esses dois universos.

Essa "rachadura" entre a religiosidade externa e o Reino espiritual começa a ser delineada ainda no ministério de João Batista. O anúncio de que um novo Reino se aproximava não era apenas uma continuidade do sistema vigente, mas uma ruptura que exigia um novo posicionamento interno.

"Aconteceu depois disso que Jesus andava de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do Reino de Deus..." (Lc. 8:1)

Até chegar ao capítulo 8, onde a Parábola do Semeador é apresentada, Lucas constrói uma narrativa de validação e autoridade. Ele apresenta a Teófilo um Rei que não se impõe pelo poder político, mas pela demonstração de um domínio sobrenatural e ético. Nos capítulos anteriores, vemos:

  • A Rejeição e a Missão: Jesus é confrontado em sua própria cidade, Nazaré, evidenciando que a proximidade física com o sagrado não garante a compreensão do Reino.
  • O Poder sobre o Caos: Curas de endemoniados, leprosos e paralíticos servem como provas de que o Espírito de Deus repousava sobre Ele, rompendo as barreiras da exclusão social e da impureza ritual.
  • O Embate com a Tradição: Jesus se declara Senhor do sábado e confronta a hipocrisia dos escribas e fariseus, estabelecendo que o Reino prioriza a misericórdia sobre o rito.

Assim, quando Lucas introduz a parábola no capítulo 8, ele o faz como um fechamento de uma grande sessão pedagógica. Após demonstrar quem é o Rei e como o Seu Reino opera — abraçando os excluídos e confrontando os soberbos — Jesus utiliza a figura do semeador para explicar por que as pessoas reagem de formas tão distintas à mesma mensagem. O contexto de Lucas prepara o leitor para entender que o Reino de Deus não é uma questão de nacionalidade ou religiosidade formal, mas de receptividade interna.

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Diego Vieira Dias há 2 semanas

A Redenção dos Excluídos e o Papel das Mulheres no Ministério de Cristo

Uma das marcas mais distintivas do Reino de Deus, conforme relatado por Lucas, é a sua capacidade de atrair e redimir aqueles que a sociedade e a religião de sua época consideravam irremediáveis. No capítulo 8, logo após o relato da mulher pecadora que ungiu os pés de Jesus, o texto revela que o grupo que acompanhava o Messias era composto não apenas pelos doze discípulos, mas também por um grupo notável de mulheres.

Esta observação é profunda, pois rompe com os paradigmas culturais e religiosos da Palestina do primeiro século. Enquanto os líderes religiosos — fariseus e saduceus — mantinham distância de pessoas consideradas "impuras", Jesus permitia que elas fizessem parte de seu círculo íntimo de serviço e convivência.

"E também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes; Suzana e muitas outras que os serviam com os seus bens." (Lc. 8:2-3)

A composição deste grupo oferece um panorama da diversidade e do poder transformador do Reino:

  • Maria Madalena: Alguém que carregava o estigma de ter sido possuída por sete demônios. Para o sistema religioso, ela seria o ápice da impureza espiritual; para o Reino, tornou-se uma seguidora fiel.
  • Joana: Esposa do procurador de Herodes. Sua presença indica que o Reino alcançava até as altas esferas do poder político, unindo em um mesmo propósito pessoas de origens sociais opostas.
  • O Conceito de Diaconia: O texto utiliza o verbo grego diakonéo, que deu origem ao termo "diaconia" ou "diácono". Essas mulheres não eram meras espectadoras; elas exerciam um ministério prático, sustentando o grupo com seus próprios recursos.

Essa inclusão serve como uma lição prática sobre a natureza da fé. O Reino de Deus transforma o excluído em servo. Aqueles que reconhecem sua miséria espiritual e recebem a libertação não permanecem passivos; eles se tornam agentes ativos da expansão desse mesmo Reino. Enquanto os religiosos encontravam satisfação no cumprimento de regras para manter seu status, essas mulheres encontravam satisfação no serviço como resposta à graça recebida.

A narrativa de Lucas deixa claro a Teófilo que a eficácia do Reino não é medida pela aparência de santidade externa, mas pela transformação de vidas que antes eram marcadas pelo caos, pela enfermidade e pela exclusão.

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4 Afluindo uma grande multidão e vindo ter com ele gente de todas as cidades, disse Jesus em parábola: 5 Saiu o semeador para semear a sua semente. Quando semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho; foi pisada, e as aves do céu a comeram.

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6 Outra caiu sobre a pedra; e, tendo crescido, secou, porque não havia umidade.

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7 Outra caiu no meio dos espinhos com ela cresceram os espinhos, e sufocaram-na.

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8 Outra caiu na boa terra e, tendo crescido, deu fruto a cento por um. Dizendo isso, clamou: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

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9 Seus discípulos perguntaram-lhe o que significava essa parábola.

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10 Respondeu-lhes Jesus: A vós vos é dado conhecer os mistérios do reino de Deus, mas aos outros se lhes fala em parábolas, para que, vendo, não vejam; e, ouvindo, não entendam.
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Diego Vieira Dias há 2 semanas

23. A Dinâmica do Reino e a Resposta do Coração: Reflexões sobre a Parábola do Semeador (Lc. 8; Mt. 7:15-23; Is. 6:9-10)

O Propósito das Parábolas e o Juízo da Incompreensão

Uma das passagens mais intrigantes do relato de Lucas ocorre quando os discípulos questionam Jesus sobre o significado da parábola e o motivo de Ele utilizar essa forma de linguagem. A resposta do Messias revela que as parábolas não são apenas ferramentas didáticas para facilitar o entendimento, mas possuem uma função paradoxal: elas revelam a verdade aos que buscam e a ocultam dos que resistem.

Jesus cita o profeta Isaías para explicar que a incapacidade de compreender a mensagem não é uma falha intelectual, mas um juízo espiritual sobre um coração endurecido.

"A vós é dado conhecer os mistérios do reino de Deus, mas aos outros fala-se por parábolas, para que, vendo, não vejam, e ouvindo, não entendam." (Lc. 8:10)

Essa declaração remete diretamente ao contexto de Israel no Antigo Testamento, onde a nação, apesar de receber todos os cuidados divinos, tornou-se insensível.

"Vai, e dize a este povo: Ouvi, deveras, e não entendais, e vede, deveras, mas não percebais. Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos, e fecha-lhe os olhos..." (Is. 6:9-10)

O uso de figuras simples e pitorescas — como um homem lançando sementes — torna a rejeição dos líderes religiosos ainda mais evidente. A mensagem é tão clara e os exemplos tão cotidianos que a falta de percepção dos escribas e fariseus serve como prova de que eles não pertencem ao Reino. Enquanto os discípulos e os "excluídos" (como as mulheres e os pecadores arrependidos) processam a palavra e buscam profundidade, a elite religiosa permanece na superfície.

Dessa forma, a parábola atua como um divisor de águas. Ela protege os "mistérios do Reino" daqueles que desejam apenas debater ou manter o status quo religioso, ao mesmo tempo que convida o buscador sincero a cavar mais fundo. O juízo de Deus, nesse contexto, é permitir que aqueles que amam sua própria cegueira continuem cegos, mesmo diante da luz mais clara.

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11 O sentido da parábola é este: A semente é a palavra de Deus.

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12 Os que estão à beira do caminho são os que têm ouvido; então, vem o Diabo e tira a palavra dos seus corações, para que não suceda que, crendo, sejam salvos.
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Diego Vieira Dias há 2 semanas

23. A Dinâmica do Reino e a Resposta do Coração: Reflexões sobre a Parábola do Semeador (Lc. 8; Mt. 7:15-23; Is. 6:9-10)

Análise da Parábola do Semeador: O Coração como Terreno de Cultivo

A Parábola do Semeador é, talvez, uma das metáforas mais conhecidas de Jesus, e sua força reside na simplicidade telúrica. Ao falar para uma sociedade agrária, Jesus utiliza elementos do cotidiano — sementes, valas, solo e clima — para ilustrar verdades espirituais complexas. O cerne da lição não está na habilidade do semeador ou na qualidade da semente (que é a Palavra de Deus), mas na natureza do solo que a recebe.

Jesus descreve quatro cenários distintos que representam as diferentes respostas humanas à mensagem do Reino:

1. À Beira do Caminho (A Inimizade da Indiferença)

O primeiro solo é o caminho batido, onde a terra é dura e não preparada. A semente nem sequer penetra na terra; ela permanece na superfície, exposta.

"Os que estão à beira do caminho são os que ouviram; e depois vem o diabo e tira-lhes do coração a palavra, para que não suceda que, crendo, sejam salvos." (Lc. 8:12)

Aqui, a dureza do coração impede qualquer receptividade. É o estado de quem ouve, mas não escuta; de quem vê, mas não percebe. A falta de abertura interna torna a mensagem vulnerável a influências externas que a removem antes mesmo que qualquer processo de vida se inicie.

2. Sobre a Pedra (A Superficialidade Emocional)

O segundo solo possui uma fina camada de terra sobre uma base rochosa. A semente germina rápido devido ao calor, mas a falta de profundidade impede a formação de raízes.

"Os que estão sobre a pedra são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria; mas estes não têm raiz, creem apenas por algum tempo e, na hora da provação, se desviam." (Lc. 8:13)

Este solo representa aqueles que se entusiasmam com a mensagem de forma epidérmica. Há uma alegria momentânea, mas, como não há enraizamento — ou seja, a Palavra não confrontou as camadas profundas do ser —, a fé murcha diante das primeiras dificuldades ou perseguições.

3. Entre os Espinhos (O Sufocamento pelas Prioridades)

No terceiro cenário, a terra é fértil, mas já está ocupada. A semente cresce, mas divide espaço com ervas daninhas.

"A parte que caiu entre espinhos, esses são os que ouviram e, no decorrer dos dias, são sufocados com as preocupações, as riquezas e os prazeres desta vida, e os seus frutos não chegam a amadurecer." (Lc. 8:14)

Este solo ilustra a vida dividida. A semente do Reino tenta crescer em meio à ansiedade pela sobrevivência, ao deslumbre pelo acúmulo financeiro e à busca incessante por prazeres. O resultado é um fruto raquítico que nunca alcança a maturidade porque o vigor da vida é drenado por interesses secundários.

4. A Boa Terra (A Frutificação pela Perseverança)

Finalmente, Jesus apresenta o solo ideal. Não se trata de uma terra perfeita por natureza, mas de um coração que se permite ser trabalhado.

"Mas a que caiu em boa terra, esses são os que, ouvindo a palavra com coração reto e bom, a retêm e dão fruto com perseverança." (Lc. 8:15)

A "boa terra" é caracterizada por duas ações: reter e frutificar. O processo de frutificação não é instantâneo; ele exige que a semente rasgue a terra, crie raízes invisíveis e enfrente as estações. A perseverança mencionada por Jesus indica que o Reino de Deus não produz resultados mágicos, mas uma transformação orgânica e contínua.

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13 Os que estão sobre a pedra são os que, depois de ouvirem, recebem a palavra com gozo; estes não têm raiz e creem por algum tempo, mas, na hora de provação, voltam atrás.

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14 A parte que caiu entre os espinhos, estes são os que ouviram e, indo seu caminho, são sufocados pelos cuidados, riquezas e deleites da vida, e o seu fruto não amadurece.

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15 A que caiu na boa terra, estes são os que, tendo ouvido a palavra com coração reto e bom, a retêm e dão fruto com perseverança.
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Diego Vieira Dias há 1 semana

23. A Dinâmica do Reino e a Resposta do Coração: Reflexões sobre a Parábola do Semeador (Lc. 8; Mt. 7:15-23; Is. 6:9-10)

A Morte do "Eu" e o Processo de Enraizamento Espiritual

O processo de recepção da semente do Reino em uma "boa terra" não é uma experiência passiva ou meramente intelectual; é um evento de ruptura e conflito interno. Quando a Palavra de Deus penetra o ser humano, ela não encontra um espaço vazio, mas um território ocupado por deformidades, vícios, orgulho e uma vontade própria centrada no "eu". Por isso, o enraizamento espiritual é descrito, metaforicamente, como um processo de morte.

Para que a vida de Cristo floresça em um indivíduo, a sua própria vida — no sentido de suas inclinações egoístas e natureza decaída — precisa retroceder. Receber o Evangelho é aceitar um conflito permanente entre os valores do Reino de Deus e a vontade humana de reinar soberana sobre si mesma.

"Em verdade, em verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto." (Jo. 12:24)

O enraizamento ocorre "para baixo", na invisibilidade do solo. Antes que o fruto apareça externamente, a semente precisa rasgar a terra e esmagar as estruturas do antigo "eu". Esse processo envolve:

  • O Reconhecimento da Insuficiência: A percepção de que, por esforço próprio, o homem é incapaz de produzir justiça real.
  • A Luta contra o Pecado: A "boa terra" não é aquela que não possui falhas, mas aquela que luta contra elas. É o coração que, embora imperfeito, permite que a raiz da Palavra confronte sua intolerância, seu ódio e sua vaidade.
  • A Metanoia Permanente: Uma mudança de mente que leva à rendição, onde o indivíduo exclama, como o apóstolo Paulo, que já não vive ele, mas Cristo vive nele.

A verdadeira marca de um coração que se tornou solo fértil é a humildade diante da própria indignidade. Muitas vezes, aqueles que se sentem "lixos deste mundo" — os pecadores, os falhos e os marginalizados — são justamente os que oferecem a terra mais receptiva, pois não possuem a "crosta" do orgulho religioso que impede a semente de penetrar.

Em última análise, ser "boa terra" é um exercício de perseverança na graça. É entender que o Reino de Deus não é para os que se julgam santos por mérito, mas para os que, em meio às suas misérias, clamam por misericórdia e permitem que a raiz divina rasgue suas entranhas até que a vontade de Deus se torne a sua própria. O sinal de que a semente frutificou não é a perfeição absoluta, mas a persistência em morrer para si mesmo para que a vida eterna cresça.

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16 Ninguém, depois de acender uma candeia, a cobre com um vaso ou a põe debaixo duma cama; pelo contrário, coloca-a sobre um velador, a fim de que os que entram vejam a luz.

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17 Pois nãocoisa oculta, que não venha a ser manifesta; nem coisa secreta, que se não haja de saber e vir à luz.
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Diego Vieira Dias há 1 semana

23. A Dinâmica do Reino e a Resposta do Coração: Reflexões sobre a Parábola do Semeador (Lc. 8; Mt. 7:15-23; Is. 6:9-10)

Frutos de Caráter vs. Pirotecnia Religiosa: O Que Define um Seguidor de Cristo?

A definição de um verdadeiro seguidor de Cristo, conforme apresentada no Evangelho, não reside na capacidade de realizar feitos extraordinários ou na exibição de poderes sobrenaturais, mas na produção de frutos. No entanto, há uma confusão comum no meio religioso contemporâneo sobre o que constitui, de fato, esses frutos. Para Jesus, o fruto não é a pirotecnia espiritual ou o milagre momentâneo, mas a transformação visível do caráter.

Jesus adverte severamente contra aqueles que possuem uma aparência de piedade, mas cujas ações internas revelam uma natureza predatória. Ele utiliza a metáfora dos lobos disfarçados de ovelhas para ilustrar que a estética religiosa pode ser profundamente enganosa.

"Acautelai-vos quanto aos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz frutos bons, porém a árvore má produz frutos maus." (Mt. 7:15-17)

A distinção entre o milagre e o fruto é fundamental para a saúde da fé. O milagre é uma obra soberana de Deus; Ele o faz quando quer e através de quem quer, muitas vezes independentemente do mérito de quem intercede. O fruto, por outro lado, é o resultado da semente da Palavra de Deus habitando e transformando a natureza humana.

  • O Que Não é Fruto: Profecias, expulsão de demônios, curas ou qualquer manifestação de poder que possa ser usada para autopromoção ou controle sobre os outros.
  • O Que é Fruto: Amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. É a reprodução do caráter de Cristo no cotidiano — honestidade nos negócios, misericórdia com o próximo e justiça nas relações.

Muitos buscam líderes baseando-se em demonstrações de poder e "dias de vitória" agendados, acreditando que o controle sobre o sobrenatural valida a autoridade espiritual. Todavia, a advertência bíblica é clara: no julgamento final, muitos apresentarão seus currículos de milagres e ouvirão uma resposta devastadora: "Nunca vos conheci". Isso ocorre porque a ausência de frutos de caráter denuncia a ausência da semente do Reino. O verdadeiro discípulo é reconhecido pela semelhança ética com o seu Mestre, e não pela sua capacidade de mobilizar as massas ou gerir agendas divinas.

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18 Vede, pois, como ouvis; porque ao que tiver, ser-lhedado; e ao que não tiver, até aquilo que pensa ter ser-lhetirado.

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19 Vieram ter com ele sua mãe e seus irmãos e não podiam aproximar-se dele por causa da multidão.

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20 Foi-lhe dito: Tua mãe e teus irmãos estãofora e desejam ver-te.

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21 Ele, porém, respondeu: Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a observam.

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22 Num daqueles dias, entrou numa barca com seus discípulos e disse-lhes: Atravessemos o lago; e partiram.

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23 Enquanto navegavam, adormeceu. Desceu uma tempestade de vento sobre o lago; a barca começou a encher-se, e eles estavam em perigo.

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24 Aproximando-se, despertaram-no, dizendo: Mestre, Mestre, perecemos. Despertado, repreendeu o vento e a fúria da água; eles cessaram, e houve bonança.

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25 Então, lhes perguntou: Onde está a vossa fé? Eles, aterrorizados, se maravilharam, dizendo uns aos outros: Quem, porventura, é este que manda aos ventos e à água, e eles lhe obedecem?

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26 Aportaram à terra dos gerasenos, que é fronteira à Galileia.

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27 Depois de haver ele desembarcado, veio da cidade ao seu encontro um homem possesso de demônios que havia muito tempo não vestia roupa e não habitava em casa alguma, mas nos túmulos.

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28 Ele, vendo a Jesus, gritou, caiu-lhe aos pés e disse em alta voz: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te que não me atormentes.

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29 Pois Jesus ordenara ao espírito imundo que saísse do homem. Muitas vezes, se apoderara dele; o homem era posto sob guarda e preso com algemas e grilhões, mas ele, partindo as cadeias, era impelido pelo demônio para os desertos.

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30 Perguntou-lhe Jesus: Qual é o teu nome? Respondeu ele: Legião, porque eram muitos os demônios que nele haviam entrado.

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31 Estes lhe suplicaram que não os mandasse ir para o abismo.

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32 Havia ali uma grande manada de porcos pastando no monte; e pediram-lhe que lhes permitisse passar para eles.

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33 E foi-lhes permitido. Os demônios, tendo saído do homem, entraram nos porcos; a manada precipitou-se pelo declive no lago e afogou-se.

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34 Quando os pastores viram o que havia acontecido, fugiram e foram contá-lo na cidade e nos campos.

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35 Então, saiu o povo para ver o que se tinha passado; e foram ter com Jesus, a cujos pés encontraram, sentado, vestido e em perfeito juízo, o homem do qual tinham saído os demônios; e ficaram com medo.

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36 Os que o haviam visto contaram-lhes de que modo se realizara a cura do endemoninhado.

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37 Todo o povo da terra dos gerasenos rogou-lhe que se retirasse deles, pois estavam possuídos de grande medo; Jesus entrou na barca e voltou.

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38 Mas o homem de quem tinham saído os demônios, suplicava-lhe que o deixasse acompanhá-lo. Jesus, porém, despediu-o, dizendo: 39 Volta para tua casa e conta tudo o que Deus te fez. O homem partiu, publicando por toda a cidade tudo o que lhe fizera Jesus.

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40 Quando regressou, foi Jesus bem recebido pelo povo, pois todos o esperavam.

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41 Veio um homem chamado Jairo, que era chefe da sinagoga, e, prostrando-se aos pés de Jesus, suplicou-lhe que chegasse à sua casa, 42 porque tinha uma filha única, de cerca de doze anos, que estava à morte. Enquanto ele ia, a multidão o apertava.

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43 Uma mulher que, por doze anos, estava padecendo de uma hemorragia e a quem ninguém podia curar, 44 chegando-se por detrás, tocou-lhe a fímbria da capa; e, imediatamente, cessou a sua hemorragia.

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45 Perguntou Jesus: Quem é o que me tocou? Negando-o todos, disse Pedro: Mestre, a multidão te aperta e te oprime.

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46 Mas Jesus disse: Alguém me tocou, porque eu percebi que saíra de mim uma virtude.

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47 A mulher, vendo-se percebida, veio, tremendo, prostrar-se diante dele e declarou, na presença de todo o povo, o motivo por que o havia tocado e como fora imediatamente curada.

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48 Ele lhe disse: Filha, a tua fé te curou; vai-te em paz.

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49 Quando ele ainda falava, veio uma pessoa da casa do chefe da sinagoga, dizendo a este: Tua filha morreu, não incomodes mais o Mestre.

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50 Ouvindo isso, disse-lhe Jesus: Não temas; crê somente, e ela será salva.

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51 Tendo chegado à casa, não permitiu que ninguém entrasse com ele, senão Pedro, João, Tiago e o pai e a mãe da menina.

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52 Todos choravam e a pranteavam. Mas ele disse: Não choreis; ela não está morta, mas sim dormindo.

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53 Riam-se dele, porque sabiam que ela estava morta.

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54 Porém ele, tomando-a pela mão, disse em voz alta: Menina, levanta-te.

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55 Voltou o seu espírito, e ela se levantou imediatamente; e ele mandou que lhe dessem a ela de comer.

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56 Seus pais encheram-se de pasmo; e ele lhes advertiu que a ninguém contassem o que havia acontecido.

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