A Resposta Humana: A Importância da Fé e do Arrependimento
Se a expiação e a redenção constituem a parte divina na equação da salvação, a resposta humana se manifesta através de duas ações inegociáveis: a fé e o arrependimento. Jesus Cristo sintetizou essa exigência no início de seu ministério:
"O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho." Marcos 1:15
Para compreender a profundidade teológica dessas duas demandas, precisamos retornar ao Gênesis e analisar a natureza da queda. A salvação é, em muitos aspectos, a reversão do processo que levou o homem ao pecado.
A Fé como Antídoto para a Dúvida
O primeiro passo para a queda de Eva não foi o ato de comer o fruto, mas a dúvida. Quando Deus instruiu Adão, Ele foi enfático: "no dia em que dela comeres, certamente morrerás"Gênesis 2:17. No hebraico, a ênfase é dada pela repetição do verbo (mot tamut), indicando uma certeza absoluta.
No entanto, ao dialogar com a serpente, a resposta de Eva revela uma sutileza perigosa. Ela diz: "Deus disse: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais"Gênesis 3:3. Eva omitiu a palavra "certamente". Na mente dela, a certeza da sentença divina já havia se diluído. A serpente, percebendo essa brecha de incerteza, lançou o ataque final: "Certamente não morrereis".
Se o pecado entrou no mundo através da dúvida sobre a Palavra de Deus, a salvação deve entrar através da Certeza, ou seja, da Fé.
"Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem." Hebreus 11:1
Crer no Evangelho é restaurar o "certamente" que foi perdido no Éden. É ter a convicção inabalável de que o que Deus diz é a verdade absoluta.
O Arrependimento e a Árvore do Conhecimento
O segundo passo para a salvação é o arrependimento. Diferente do remorso (que é apenas um pesar emocional), o arrependimento bíblico é uma mudança de mentalidade (do grego metanoia).
Para entender isso, analisemos o significado da "Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal". Comer desse fruto representava o desejo do homem de decidir por conta própria o que é certo e errado, independentemente de Deus. Até aquele momento, o conceito de Bem e Mal pertencia a Deus; se Deus dizia que algo era bom, o homem concordava. Ao comer o fruto, o homem declarou independência, invertendo os valores: o que era puro (como a nudez) passou a ser visto com malícia.
A história popularizou a ideia de que o fruto era uma maçã, devido a um jogo de palavras na tradução latina (Vulgata), onde malum significa tanto "mal" quanto "macieira". Contudo, a essência do pecado não estava na fruta em si, mas na rebelião da autonomia moral.
O arrependimento reverte essa autonomia. É a decisão de parar de definir o bem e o mal segundo a própria vontade e voltar a submeter-se aos valores de Deus. Paulo descreve esse processo como a renovação do entendimento:
"E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." Romanos 12:2
O termo "experimentar" aqui significa "testar" ou "examinar". A mente renovada pelo arrependimento para de seguir os impulsos da carne (que ama o pecado) e passa a testar todas as coisas sob a ótica divina, buscando o que é agradável a Ele.
A Transformação do Destino
Existe uma cadeia lógica no comportamento humano:
Pensamento gera Vontade.
Vontade leva ao Ato.
Ato cria Hábito.
Hábito forma Caráter.
Caráter define Destino.
Jesus veio para mudar o nosso destino ("para que não pereça, mas tenha a vida eterna"). No entanto, para mudar o destino, Deus precisa trabalhar na raiz: o pensamento. É por isso que Isaías 55 conclama o ímpio a deixar os seus pensamentos e se voltar para o Senhor.
A salvação, portanto, completa seu ciclo quando o ser humano, movido pela graça, abandona a dúvida e a autonomia moral (fé e arrependimento) e aceita a obra perfeita de expiação e redenção realizada por Cristo.
A sequência dos benefícios da justificação culmina em uma perspectiva futura que transforma o presente. O texto de Romanos 5:2 encerra dizendo: "...e nos gloriamos na esperança da glória de Deus".
Esta frase resume a atitude do cristão em relação ao futuro. Enquanto o mundo muitas vezes olha para o amanhã com incerteza ou temor, o justificado olha com uma expectativa jubilosa.
O Significado de "Gloriar-se"
O termo original traduzido como "gloriamos" ou "regozijamos" carrega um sentido intenso. Não se trata apenas de um leve sorriso ou de um otimismo superficial. A palavra sugere um exultar triunfante, uma confiança tão profunda que beira a jactância (orgulho) — não uma jactância em si mesmo, mas no que Deus prometeu. É uma alegria vibrante e vocal, fundamentada na certeza da vitória final.
A Natureza da Esperança Bíblica
É crucial redefinir o conceito de "esperança" para os padrões bíblicos. No uso cotidiano, a palavra esperança geralmente denota dúvida ou desejo incerto, como alguém que diz: "Espero que não chova amanhã". Nesse caso, a pessoa não sabe o que acontecerá, apenas deseja um resultado.
A esperança cristã, contudo, é diametralmente oposta à dúvida. Ela é sinônimo de certeza absoluta.
"Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem." (Hebreus 11:1)
Quando a Bíblia fala em "esperança da glória", ela está falando de um evento futuro que é tão certo quanto um fato passado, pois é garantido pela promessa de Deus que não pode mentir. É uma âncora lançada no futuro, que mantém o barco da vida estável no presente.
A Restauração da Glória Perdida
Mas o que é essa "glória de Deus" que esperamos? Para entender isso, devemos olhar para o diagnóstico da condição humana apresentado anteriormente em Romanos:
"Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus." (Romanos 3:23)
O pecado destituiu o ser humano da glória original para a qual foi criado. A humanidade vive, portanto, em um estado de queda e degradação. A "esperança da glória" é a promessa da restauração completa. É a expectativa da glorificação final, quando seremos transformados, receberemos corpos incorruptíveis e seremos moralmente aperfeiçoados para habitar na presença de Deus sem qualquer mácula.
O cristão se alegra hoje porque sabe que sua história não termina em uma sepultura, mas na ressurreição e na glória eterna. Essa perspectiva eterna é o que permite viver com propósito e alegria, mesmo em meio a um mundo quebrado.
4Foipela fé queAbelapresentou um sacrifíciosuperior ao de Caim. DeusaceitouAbel e deuprovadissoaceitando a suadádiva; e, emboraAbelestejamorto há muitotempo, pormeio da fé aindafala.
5Pela fé EnoquefoilevadoporDeuspara o céusemelemorrer; subitamenteeledesapareceu, porqueDeus o levou. Porque, antesqueissoacontecesse, Deustinhaditocomoele se haviaagradado de Enoque.
7Pela fé Noé, quandoouviu o aviso de Deusacercadascoisasqueaindairiamacontecer e queaindanãopodiamservistas, obedeceu a Deus, e, semperdertempo, construiu a arca e salvou a suafamília. Pela fé Noécondenou o mundo e pela fé tornou-se herdeiro da justiça.
8Pela fé Abraão, quandoDeuslhedissequedeixasse a suapátria e fosseparaumaoutraterraqueeleprometeradar-lhecomoherança, obedeceu. Elefoi, sem ao menossaberparaondeestavaindo.
11Pela fé Abraão se tornoupai, emborafosse de idadeavançada, e pela fé Sarapôdetornar-se mãe, apesar da suaidadeavançada, poiselacompreendeuqueDeus, quelhefez a suapromessa, semnenhumadúvidafaria o quedisse.
12 E, assim, umanaçãointeiraveio de Abraão, queeravelhodemaisparaterfilhos; umanaçãotãonumerosacomo as estrelas do céu e incontáveiscomo a areia da praia do mar.
13Todosestesviverampela fé e morreramsemjamaisteremrecebidotudoquantoDeuslhesprometeu; masviramtudoque os esperavaadiante, e ficaramcontentes, poisconcordavamqueestaterranãoera a suaverdadeirapátria, masqueeleseramapenasestrangeiros e forasteirosnestaterra.
17Pela fé Abraão, quandoDeus o pôs à prova, ofereceuseufilhoIsaque. Elecrianaspromessasrecebidas e estavaprontoparasacrificar o seuúnicofilho;18pormeio de quemDeushaviaprometido: “Pormeio de Isaque é quevocêterádescendentes”.
22Pela fé José, ao se aproximar do fim da vida, faloucomtoda a confiançasobreDeuslevar o povo de Israelparafora do Egito e deuordensacerca do quedeveriaacontecercom os seusossos.
23Pela fé Moisés, quandonasceu, foiescondidoporseuspais. QuandoviramqueDeuslhestinhadadoumacriançafora do comum, esconderam-na portrêsmeses e nãotiverammedo do decreto do rei.
24Pela fé Moisés, quandocresceu, recusousertratadocomofilho da filha do faraó,25 e escolheupartilhar os maus-tratos do povo de Deus, em vez de desfrutar os prazerespassageiros do pecado.
28Pela fé celebrou a Páscoa, ordenandoquematassem um cordeiro, comoDeuslhesdisseraquefizessem, e salpicassem o sanguesobre os umbraisdasportas de suascasas, a fim de que o Anjo da Mortenãotocasse no filhomaisvelhodosisraelitas.
31Pela fé Raabe, a prostituta, nãomorreucomtodos os outros da suacidadequandoeles se recusaram a obedecer a Deus, poiseladeuumaacolhidaamigávelaosespiões.
32Bem, quantomais eu precisodizer? Tomariamuitotempoparanarrar as histórias da fé demonstradaporGideão, Baraque, Sansão, Jefté, Davi, Samuel e os profetas.
33Todasessaspessoas, pela fé, ganharambatalhas, conquistaramreinos, governaramcomjustiça o seuprópriopovo e receberam o queDeuslhesprometera; fecharam a boca de leões,34apagaram o poder do fogo e escaparam de morrer à espada. Algunstornaram-se fortesnovamente e receberamgrandeforça na batalha; fizeramexércitosinteirosrecuar e fugir.
35 E algumasmulheres, pormeio da fé, receberam de voltaseusqueridos já mortos. Masoutrosconfiaram em Deus e foramespancadosaté a morte, preferindomorrer em lugar de abandonarem a Deusparaficarlivres — confiandoque, depoisdisso, elesalcançariamumaressurreiçãosuperior.
37Algunsmorreramapedrejados e outrosserrados ao meio; a outrosfoiprometida a liberdade se renegassem a fé; outrosforammortos à espada. Algunsandaram de um ladopara o outro em peles de ovelhas e de bodes, vagandopelosdesertos e montanhas. Passaramfome, ficaramdoentes e forammaltratados.
2. A Necessidade da Salvação: Do Pecado Original à Redenção em Cristo (Rm. 5:12; 1 Pe. 1:18-19)
A Resposta Humana: A Importância da Fé e do Arrependimento
Se a expiação e a redenção constituem a parte divina na equação da salvação, a resposta humana se manifesta através de duas ações inegociáveis: a fé e o arrependimento. Jesus Cristo sintetizou essa exigência no início de seu ministério:
Para compreender a profundidade teológica dessas duas demandas, precisamos retornar ao Gênesis e analisar a natureza da queda. A salvação é, em muitos aspectos, a reversão do processo que levou o homem ao pecado.
A Fé como Antídoto para a Dúvida
O primeiro passo para a queda de Eva não foi o ato de comer o fruto, mas a dúvida. Quando Deus instruiu Adão, Ele foi enfático: "no dia em que dela comeres, certamente morrerás" Gênesis 2:17. No hebraico, a ênfase é dada pela repetição do verbo (mot tamut), indicando uma certeza absoluta.
No entanto, ao dialogar com a serpente, a resposta de Eva revela uma sutileza perigosa. Ela diz: "Deus disse: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais" Gênesis 3:3. Eva omitiu a palavra "certamente". Na mente dela, a certeza da sentença divina já havia se diluído. A serpente, percebendo essa brecha de incerteza, lançou o ataque final: "Certamente não morrereis".
Se o pecado entrou no mundo através da dúvida sobre a Palavra de Deus, a salvação deve entrar através da Certeza, ou seja, da Fé.
Crer no Evangelho é restaurar o "certamente" que foi perdido no Éden. É ter a convicção inabalável de que o que Deus diz é a verdade absoluta.
O Arrependimento e a Árvore do Conhecimento
O segundo passo para a salvação é o arrependimento. Diferente do remorso (que é apenas um pesar emocional), o arrependimento bíblico é uma mudança de mentalidade (do grego metanoia).
Para entender isso, analisemos o significado da "Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal". Comer desse fruto representava o desejo do homem de decidir por conta própria o que é certo e errado, independentemente de Deus. Até aquele momento, o conceito de Bem e Mal pertencia a Deus; se Deus dizia que algo era bom, o homem concordava. Ao comer o fruto, o homem declarou independência, invertendo os valores: o que era puro (como a nudez) passou a ser visto com malícia.
A história popularizou a ideia de que o fruto era uma maçã, devido a um jogo de palavras na tradução latina (Vulgata), onde malum significa tanto "mal" quanto "macieira". Contudo, a essência do pecado não estava na fruta em si, mas na rebelião da autonomia moral.
O arrependimento reverte essa autonomia. É a decisão de parar de definir o bem e o mal segundo a própria vontade e voltar a submeter-se aos valores de Deus. Paulo descreve esse processo como a renovação do entendimento:
O termo "experimentar" aqui significa "testar" ou "examinar". A mente renovada pelo arrependimento para de seguir os impulsos da carne (que ama o pecado) e passa a testar todas as coisas sob a ótica divina, buscando o que é agradável a Ele.
A Transformação do Destino
Existe uma cadeia lógica no comportamento humano:
Jesus veio para mudar o nosso destino ("para que não pereça, mas tenha a vida eterna"). No entanto, para mudar o destino, Deus precisa trabalhar na raiz: o pensamento. É por isso que Isaías 55 conclama o ímpio a deixar os seus pensamentos e se voltar para o Senhor.
A salvação, portanto, completa seu ciclo quando o ser humano, movido pela graça, abandona a dúvida e a autonomia moral (fé e arrependimento) e aceita a obra perfeita de expiação e redenção realizada por Cristo.
23. Os Frutos da Justificação: Paz com Deus, Acesso à Graça e a Esperança da Glória (Rm 5:1-2)
A Esperança da Glória
A sequência dos benefícios da justificação culmina em uma perspectiva futura que transforma o presente. O texto de Romanos 5:2 encerra dizendo: "...e nos gloriamos na esperança da glória de Deus".
Esta frase resume a atitude do cristão em relação ao futuro. Enquanto o mundo muitas vezes olha para o amanhã com incerteza ou temor, o justificado olha com uma expectativa jubilosa.
O Significado de "Gloriar-se"
O termo original traduzido como "gloriamos" ou "regozijamos" carrega um sentido intenso. Não se trata apenas de um leve sorriso ou de um otimismo superficial. A palavra sugere um exultar triunfante, uma confiança tão profunda que beira a jactância (orgulho) — não uma jactância em si mesmo, mas no que Deus prometeu. É uma alegria vibrante e vocal, fundamentada na certeza da vitória final.
A Natureza da Esperança Bíblica
É crucial redefinir o conceito de "esperança" para os padrões bíblicos. No uso cotidiano, a palavra esperança geralmente denota dúvida ou desejo incerto, como alguém que diz: "Espero que não chova amanhã". Nesse caso, a pessoa não sabe o que acontecerá, apenas deseja um resultado.
A esperança cristã, contudo, é diametralmente oposta à dúvida. Ela é sinônimo de certeza absoluta.
Quando a Bíblia fala em "esperança da glória", ela está falando de um evento futuro que é tão certo quanto um fato passado, pois é garantido pela promessa de Deus que não pode mentir. É uma âncora lançada no futuro, que mantém o barco da vida estável no presente.
A Restauração da Glória Perdida
Mas o que é essa "glória de Deus" que esperamos? Para entender isso, devemos olhar para o diagnóstico da condição humana apresentado anteriormente em Romanos:
O pecado destituiu o ser humano da glória original para a qual foi criado. A humanidade vive, portanto, em um estado de queda e degradação. A "esperança da glória" é a promessa da restauração completa. É a expectativa da glorificação final, quando seremos transformados, receberemos corpos incorruptíveis e seremos moralmente aperfeiçoados para habitar na presença de Deus sem qualquer mácula.
O cristão se alegra hoje porque sabe que sua história não termina em uma sepultura, mas na ressurreição e na glória eterna. Essa perspectiva eterna é o que permite viver com propósito e alegria, mesmo em meio a um mundo quebrado.