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Gênesis Cap. 14

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Capítulo 14

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Gênesis

Versão: AS21
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1 Nos dias de Anrafel, rei de Sinar, de Arioque, rei de Elasar, de Quedorlaomer, rei de Elão, e de Tidal, rei de Goim, 2 estes fizeram guerra contra Bera, rei de Sodoma, contra Birsa, rei de Gomorra, contra Sinabe, rei de Admá, contra Semeber, rei de Zeboim, e contra o rei de Belá (esta é Zoar).

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3 Todos estes se ajuntaram no vale de Sidim (que é o mar Salgado).

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4 Durante doze anos haviam se sujeitado a Quedorlaomer, mas no décimo terceiro ano se rebelaram.

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5 Por isso, no décimo quarto ano, Quedorlaomer foi com os reis que o apoiavam e derrotou os refains em Asterote-Carnaim, os zuzins em Hão, os emins em Savé-Quiriataim, 6 e os horeus, desde o seu monte Seir até El-Parã, junto ao deserto.

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7 Depois disso, voltaram e foram para En-Mispate (que é Cades); e conquistaram toda a terra dos amalequitas e também a dos amorreus, que habitavam em Hazazom-Tamar.

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8 Então os reis de Sodoma, de Gomorra, de Admá, de Zeboim e de Belá (esta é Zoar) deslocaram-se e prepararam-se para a batalha contra eles no vale de Sidim, 9 contra Quedorlaomer, rei de Elão, Tidal, rei de Goim, Anrafel, rei de Sinar, e Arioque, rei de Elasar; quatro reis contra cinco.

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10 O vale de Sidim estava cheio de poços de betume; alguns homens caíram ali quando fugiam com os reis de Sodoma e de Gomorra, e o restante fugiu para os montes.

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11 Os vitoriosos tomaram todos os bens de Sodoma e de Gomorra, com todo o seu mantimento, e se foram.

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12 Tomaram também Ló, filho do irmão de Abrão, que habitava em Sodoma, juntamente com seus bens, e partiram.

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13 Então um homem que havia escapado foi e contou o fato a Abrão, o hebreu. Abrão habitava junto aos carvalhos de Manre, o amorreu, irmão de Escol e de Aner, aliados de Abrão.

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14 Quando Abrão soube que seu parente estava preso, levou seus trezentos e dezoito homens treinados, nascidos em sua casa, e perseguiu os reis até Dã.

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15 Ele e seus servos dividiram-se em grupos e os atacaram de noite, perseguindo-os até Hobá, à esquerda de Damasco.

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16 Assim, ele trouxe de volta todos os bens, juntamente com seu parente Ló, com os bens dele, e também as mulheres e o povo.

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17 Depois que Abrão voltou do ataque a Quedorlaomer e aos reis que o apoiavam, o rei de Sodoma saiu para encontrá-lo no vale de Savé (que é o vale do Rei).

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18 Então Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, trouxe pão e vinho; 19 e abençoou Abrão, dizendo: Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, Criador dos céus e da terra!

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20 E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos! E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo.
Versículo 20
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Diego Vieira Dias em 17/01/2026

23. Dízimo e Graça: Da Obrigação Legal à Liberdade de Contribuir (Gn. 14:20; Ml. 3:8-10; 2 Co. 9:7)

As Origens do Dízimo e a Institucionalização na Lei Mosaica

O conceito de dízimo — a entrega da décima parte dos rendimentos ou colheitas — é um tema recorrente nas Escrituras Sagradas, aparecendo cerca de 39 vezes, com a vasta maioria dessas menções localizadas no Antigo Testamento. Para compreender a profundidade teológica e histórica desta prática, é necessário observar sua evolução desde os patriarcas até a consolidação da Lei Mosaica.

Historicamente, a primeira menção significativa ocorre antes mesmo da existência da Lei escrita, na narrativa de Abraão. Após retornar vitorioso de uma batalha para resgatar seu sobrinho Ló, Abraão encontra Melquisedeque, descrito como "sacerdote do Deus Altíssimo". Num gesto espontâneo de reconhecimento e gratidão, sem a coerção de um mandamento formal, Abraão entrega o dízimo de tudo o que havia conquistado.

"E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos. E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo." Gn. 14:20

Posteriormente, vemos a prática surgir com seu neto, Jacó. Em um momento de fuga e incerteza, Jacó erige uma coluna e faz um voto a Deus. Sua promessa, contudo, carrega um tom de condicionalidade: ele se compromete a entregar o dízimo caso o Senhor o protegesse, o alimentasse e garantisse seu retorno seguro.

Com o advento da era Mosaica, o cenário muda. O que antes era um ato voluntário ou um voto pessoal, torna-se uma instituição legal e obrigatória para a nação de Israel. O livro de Levítico detalha minuciosamente as leis de ofertas e sacrifícios — sejam para perdão de pecados voluntários ou involuntários, ofertas de cereais ou libações. Nesse contexto, o dízimo assume um papel social e religioso fundamental: a manutenção da tribo de Levi.

Como os levitas foram separados para o serviço sagrado e não receberam herança de terras como as outras tribos, o dízimo funcionava como o sustento do ofício sacerdotal e a garantia do funcionamento do Tabernáculo (e posteriormente, do Templo). O Templo não era apenas um prédio, mas o centro da vida comunitária e espiritual, o local onde a Arca da Aliança repousava e onde a presença de Deus se manifestava.

"Também todos os dízimos da terra, quer dos cereais, quer do fruto das árvores, pertencem ao Senhor; santos são ao Senhor." Lv. 27:30

No encerramento do Antigo Testamento, o profeta Malaquias traz uma das passagens mais citadas sobre o tema. O texto apresenta uma severa repreensão divina, não apenas ao povo que deixava de contribuir, mas também à liderança sacerdotal que administrava mal os recursos sagrados. A negligência na entrega dos dízimos era vista como um abandono da casa de Deus, comprometendo a adoração e o sustento daqueles que serviam no altar.

"Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes." Ml. 3:10

Portanto, no contexto da Antiga Aliança, o dízimo oscilava entre a gratidão patriarcal e a obrigação legal, servindo como pilar estrutural para a adoração corporativa de Israel.

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21 Então o rei de Sodoma disse a Abrão: Entrega-me as pessoas e fica com os bens para ti.

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22 Porém Abrão respondeu ao rei de Sodoma: Levanto minha mão ao SENHOR, o Deus Altíssimo, Criador dos céus e da terra, 23 jurando que nada tomarei de tudo o que é teu, nem um cordão, nem uma correia de sandália, para que não digas: Enriqueci a Abrão; 24 somente o que esses jovens comeram, e a parte de Aner, Escol e Manre, os homens que foram comigo; que eles recebam a sua parte.

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