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Lucas Cap. 18

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Capítulo 18

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Lucas

Versão: JFAA
Progresso de leitura 0/43 versículos
1 Contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer.

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2 dizendo: Havia em certa cidade um juiz que não temia a Deus, nem respeitava os homens.

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3 Havia também naquela mesma cidade uma viúva que ia ter com ele, dizendo: Faze-me justiça contra o meu adversário.

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4 E por algum tempo não quis atendê-la; mas depois disse consigo: Ainda que não temo a Deus, nem respeito os homens, 5 todavia, como esta viúva me incomoda, hei de fazer-lhe justiça, para que ela não continue a vir molestar-me.

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6 Prosseguiu o Senhor: Ouvi o que diz esse juiz injusto.

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7 E não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que dia e noite clamam a ele, já que é longânimo para com eles?

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8 Digo-vos que depressa lhes fará justiça. Contudo quando vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?

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9 Propôs também esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros: 10 Dois homens subiram ao templo para orar; um fariseu, e o outro publicano.

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11 O fariseu, de pé, assim orava consigo mesmo: Ó Deus, graças te dou que não sou como os demais homens, roubadores, injustos, adúlteros, nem ainda com este publicano.
Versículo 11
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Diego Vieira Dias em 17/01/2026

23. Dízimo e Graça: Da Obrigação Legal à Liberdade de Contribuir (Gn. 14:20; Ml. 3:8-10; 2 Co. 9:7)

A Perspectiva de Jesus: Entre a Prática dos Fariseus e a Essência da Lei

Com a chegada de Jesus, a interpretação da Lei e dos profetas ganha uma nova dimensão, transcendendo a literalidade muitas vezes fria praticada pelas autoridades religiosas da época. Cristo não veio para abolir a Lei, mas para cumpri-la e dar-lhe o seu sentido pleno, muitas vezes confrontando diretamente a hipocrisia dos escribas e fariseus.

Em um dos seus discursos mais contundentes, Jesus aborda a questão do dízimo, não para anulá-lo naquele contexto, mas para reordenar as prioridades espirituais que haviam sido invertidas pela religiosidade da época. Ele aponta para o fato de que os líderes religiosos eram extremamente meticulosos na matemática da entrega, dizimando até mesmo sobre temperos insignificantes, enquanto negligenciavam os pilares fundamentais da vontade de Deus.

"Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas." Mt. 23:23

Neste trecho, nota-se que Jesus não proíbe a prática ("não omitir aquelas"), mas deixa claro que a observância externa de um rito, por mais precisa que seja, é vazia se não estiver acompanhada de justiça, misericórdia e fidelidade. A crítica recai sobre a "espiritualidade contábil" que ignora o amor ao próximo.

Para ilustrar ainda mais a diferença entre a obrigação legalista e a postura do coração, Jesus conta a parábola do fariseu e do publicano. Ambos sobem ao templo para orar, mas com atitudes diametralmente opostas. O fariseu, cheio de si, utiliza o dízimo como uma credencial de justiça própria diante de Deus.

"O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo." Lc. 18:11-12

Em contrapartida, o publicano, reconhecendo sua condição de pecador, clama apenas por misericórdia. O veredito de Cristo é revolucionário: quem volta para casa justificado não é aquele que cumpriu a tabela da lei e deu o dízimo, mas aquele que humilhou seu coração.

Isso demonstra que, na perspectiva de Jesus, a obrigação nunca deve se sobrepor ao sentimento genuíno. Ele nunca colocou a regra acima do relacionamento. Embora vivesse em um período de transição — cumprindo a Lei perfeitamente antes da inauguração da Era da Graça na cruz —, seu ensino consistentemente apontava para uma realidade onde o valor da oferta não reside na porcentagem, mas na intenção e na entrega total da vida.

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12 Jejuo duas vezes na semana, e dou o dízimo de tudo quanto ganho.

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13 Mas o publicano, estando em pé de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, o pecador!

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14 Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que a si mesmo se exaltar será humilhado; mas o que a si mesmo se humilhar será exaltado.

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15 Traziam-lhe também as crianças, para que as tocasse; mas os discípulos, vendo isso, os repreendiam.

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16 Jesus, porém, chamando-as para si, disse: Deixai vir a mim as crianças, e não as impeçais, porque de tais é o reino de Deus.

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17 Em verdade vos digo que, qualquer que não receber o reino de Deus como criança, de modo algum entrará nele.

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18 E perguntou-lhe um dos principais: Bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna?

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19 Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? Ninguém é bom, senão um, que é Deus.

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20 Sabes os mandamentos: Não adulterarás; não matarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; honra a teu pai e a tua mãe.

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21 Replicou o homem: Tudo isso tenho guardado desde a minha juventude.

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22 Quando Jesus ouviu isso, disse-lhe: Ainda te falta uma coisa; vende tudo quanto tens e reparte-o pelos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, segue-me.

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23 Mas, ouvindo ele isso, encheu-se de tristeza; porque era muito rico.

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24 E Jesus, vendo-o assim, disse: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!

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25 Pois é mais fácil um camelo passar pelo fundo duma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus.

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26 Então os que ouviram isso disseram: Quem pode, então, ser salvo?

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27 Respondeu-lhes: As coisas que são impossíveis aos homens são possíveis a Deus.

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28 Disse-lhe Pedro: Eis que nós deixamos tudo, e te seguimos.

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29 Respondeu-lhes Jesus: Em verdade vos digo que ninguémque tenha deixado casa, ou mulher, ou irmãos, ou pais, ou filhos, por amor do reino de Deus, 30 que não haja de receber no presente muito mais, e no mundo vindouro a vida eterna.

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31 Tomando Jesus consigo os doze, disse-lhes: Eis que subimos a Jerusalém e se cumprirá no filho do homem tudo o que pelos profetas foi escrito; 32 pois será entregue aos gentios, e escarnecido, injuriado e cuspido; 33 e depois de o açoitarem, o matarão; e ao terceiro dia ressurgirá.

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34 Mas eles não entenderam nada disso; essas palavras lhes eram obscuras, e não percebiam o que lhes dizia.

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35 Ora, quando ele ia chegando a Jericó, estava um cego sentado junto do caminho, mendigando.

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36 Este, pois, ouvindo passar a multidão, perguntou que era aquilo.

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37 Disseram-lhe que Jesus, o nazareno, ia passando.

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38 Então ele se pôs a clamar, dizendo: Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!

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39 E os que iam à frente repreendiam-no, para que se calasse; ele, porém, clamava ainda mais: Filho de Davi, tem compaixão de mim!

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40 Parou, pois, Jesus, e mandou que lho trouxessem. Tendo ele chegado, perguntou-lhe: 41 Que queres que te faça? Respondeu ele: Senhor, que eu veja.

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42 Disse-lhe Jesus: Vê; a tua fé te salvou.

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43 Imediatamente recuperou a vista, e o foi seguindo, gloficando a Deus. E todo o povo, vendo isso, dava louvores a Deus.

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