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Mateus Cap. 18

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Capítulo 18

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Mateus

Versão: AS21
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1 Naquela hora, os discípulos se aproximaram de Jesus e perguntaram: Quem é o maior no reino do céu?

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2 Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles 3 e disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, nunca entrareis no reino do céu.

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4 Portanto, quem se tornar humilde como esta criança, esse será o maior no reino do céu.

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5 Quem recebe uma destas crianças em meu nome, recebe a mim.

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6 Mas a quem fizer tropeçar um destes pequeninos que creem em mim seria melhor se lhe pendurassem no pescoço uma pedra de moinho e afundasse nas profundezas do mar.

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7 Ai do mundo, por causa dos escândalos! Pois é inevitável que eles venham; mas ai do homem por meio de quem o escândalo vier!

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8 Portanto, se a tua mão ou o teu pé te fizer tropeçar, corta-o e joga-o fora; para ti é melhor entrar na vida defeituoso ou aleijado do que, tendo duas mãos ou dois pés, ser lançado no fogo eterno.

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9 E, se teu olho te fizer tropeçar, arranca-o e joga-o fora; para ti é melhor entrar na vida com um só olho do que, tendo os dois olhos, ser lançado no inferno de fogo.

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10 Atenção! Não desprezeis nenhum destes pequeninos; pois eu vos digo que os anjos deles no céu sempre veem a face de meu Pai, que está no céu.

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11 [Porque o Filho do homem veio salvar o que se havia perdido.] 12 Que vos parece? Se alguém tiver cem ovelhas, e uma delas se extraviar, não deixará as noventa e nove nos montes para ir em busca da que se extraviou?

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13 E, se acontecer de achá-la, em verdade vos digo que terá maior alegria por essa do que pelas noventa e nove que não se extraviaram.

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14 Do mesmo modo, não é da vontade de vosso Pai, que está no céu, que um só destes pequeninos pereça.

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15 Se teu irmão pecar contra ti, vai a sós com ele e repreende-o; se te ouvir, ganhaste teu irmão.
Versículo 15
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Diego Vieira Dias em 08/12/2025

4. A Natureza da Igreja: Disciplina Eclesiástica e as Ordenanças do Batismo e da Santa Ceia (Mt. 18:15-17; 1 Co. 5:1-5; Rm. 6:3-4)

A Necessidade e o Processo Bíblico da Disciplina Eclesiástica

A igreja cristã é, por definição, um ambiente de acolhimento, hospitalidade e graça. No entanto, essas características não devem ser confundidas com permissividade ou indiferença em relação ao pecado. Para a manutenção da saúde espiritual da comunidade e do próprio indivíduo, a Bíblia estabelece a necessidade da disciplina eclesiástica. Este processo não é uma invenção humana ou administrativa, mas uma instrução direta de Jesus Cristo e dos apóstolos, visando a correção, o arrependimento e a restauração.

O Modelo de Jesus: Gradualidade e Misericórdia

O fundamento da disciplina na igreja encontra-se nas palavras de Jesus registradas no Evangelho de Mateus. O Senhor propõe uma abordagem progressiva, que busca resolver a questão com o máximo de discrição possível antes de torná-la pública.

"Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão; Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda a palavra seja confirmada. E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano." (Mateus 18:15-17)

Jesus estabelece três etapas claras:

  1. Abordagem Individual: A tentativa inicial deve ser particular. O objetivo é ganhar o irmão, ou seja, levá-lo à consciência do erro sem exposição desnecessária.
  2. Mediação de Testemunhas: Se a obstinação persistir, amplia-se o círculo para incluir uma ou duas testemunhas, garantindo que a advertência seja confirmada e séria.
  3. Apresentação à Igreja: Em último caso, a situação é levada à congregação.

Se, após todas essas tentativas de misericórdia e advertência, o indivíduo decidir permanecer no erro, a orientação de Jesus é a exclusão: "considera-o como gentio e publicano". No contexto judaico da época, o gentio era o estrangeiro (não pertencente à aliança) e o publicano era visto como um traidor do povo. Em termos eclesiásticos, isso significa a excomunhão: o indivíduo deixa de ser considerado membro da comunidade de fé.

O Propósito Pedagógico e Restaurador

É crucial compreender que a excomunhão não é um ato de vingança ou arbitrariedade, mas uma medida extrema visando o próprio bem da pessoa. O apóstolo Paulo, ao tratar de um caso grave de imoralidade em Corinto, ilustra a teologia por trás dessa ação drástica.

Havia na igreja de Corinto um homem que mantinha um relacionamento incestuoso com a mulher de seu pai. Paulo repreende a igreja não apenas pelo pecado do homem, mas pela passividade e arrogância da congregação em tolerar tal ato. A instrução apostólica é severa:

"Seja entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus." (1 Coríntios 5:5)

A expressão "entregue a Satanás" é uma linguagem figurada para descrever a remoção da pessoa da proteção espiritual da igreja ("a casa de Deus"). Ao ser lançado fora da comunhão, o indivíduo fica à mercê do mundo e das consequências de seus atos. A esperança bíblica é que, ao experimentar a dureza da vida longe da proteção de Deus e da comunhão fraterna — semelhante à parábola do Filho Pródigo — a pessoa caia em si, arrependa-se e volte.

Portanto, a disciplina tem um caráter pedagógico. Em 1 Timóteo 1:20, Paulo menciona Himeneu e Alexandre, que foram "entregues a Satanás" com um objetivo específico: "para que aprendam a não blasfemar". O alvo final é sempre o aprendizado, o arrependimento e a salvação do espírito.

A Abrangência da Disciplina

Embora pecados sexuais sejam frequentemente o foco de processos disciplinares, a Bíblia apresenta uma lista mais ampla de comportamentos que afetam a comunhão e exigem correção. Paulo instrui a não se associar com quem, dizendo-se irmão, for:

"...devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais." (1 Coríntios 5:11)

Merece destaque o termo "maldizente". Este se refere àquele que difama, ao fofoqueiro, à pessoa que utiliza a língua para semear discórdia contra a liderança ou outros irmãos. Tal comportamento é tóxico para o corpo de Cristo e deve ser tratado com a mesma seriedade que outras transgressões morais, pois "um pouco de fermento leveda toda a massa" (1 Co 5:6). A tolerância com o pecado, seja ele qual for, contamina a comunidade e encoraja outros a seguirem o mesmo caminho.

Restauração e Zelo

A aplicação da disciplina exige maturidade. Em Gálatas 6:1, somos orientados a encaminhar o faltoso com "espírito de mansidão", cuidando para não cairmos na mesma tentação. A igreja deve ter paciência e esgotar as tentativas de correção antes da exclusão.

A forma como o afastamento ocorre pode variar conforme o sistema de governo da denominação (congregacional, onde a igreja vota, ou episcopal, onde a liderança decide), mas o princípio bíblico permanece: a igreja deve ser santa. Além disso, a disciplina protege o testemunho da liderança. Conforme as cartas às igrejas no Apocalipse, uma comunidade ou um líder que não se arrepende pode ter seu "castiçal removido", perdendo sua posição e utilidade no Reino.

Em suma, a disciplina eclesiástica é um ato de amor: amor pela santidade de Deus, amor pela saúde da igreja e, em última análise, amor pela alma do pecador que precisa ser confrontado para ser salvo.

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16 Mas se ele não te ouvir, leva ainda contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda palavra se confirme pela boca de duas ou três testemunhas.

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17 Se ele se recusar a ouvi-las, dize-o à igreja; e, se também se recusar a ouvir a igreja, considera-o gentio e publicano.

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18 Em verdade vos digo: Tudo quanto ligardes na terra terá sido ligado no céu, e tudo quanto desligardes na terra terá sido desligado no céu.

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19 Ainda vos digo mais: Se dois de vós na terra concordarem em pedir acerca de qualquer questão, isso lhes será feito por meu Pai, que está no céu.

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20 Pois onde dois ou três se reúnem em meu nome, ali estou no meio deles.
Versículo 20
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Diego Vieira Dias em 28/11/2025

A Igreja como Coletividade

Essa compreensão etimológica nos conduz a uma conclusão teológica vital para o Novo Testamento: a igreja é, por definição, coletiva. A natureza da igreja reside no ajuntamento, na comunhão e na interação entre os membros.

Não existe o conceito de "igreja de uma pessoa só". A fé cristã, embora exija uma decisão individual, é vivida em comunidade. A frase "eu sou a igreja", se utilizada para justificar o isolamento ou a desigrejamento, é imprecisa. Nós somos igreja quando estamos inseridos no corpo, reunidos em nome de Cristo. A promessa da presença manifesta de Jesus está vinculada à reunião:

"Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles." (Mateus 18:20)

A igreja, portanto, não é o indivíduo isolado, mas o coletivo dos santos. A etimologia da palavra reforça a necessidade da congregação presencial e da vida comunitária como essência do ser cristão.

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21 Então Pedro, aproximando-se dele, perguntou-lhe: Senhor, até quantas vezes deverei perdoar meu irmão que pecar contra mim? Até sete vezes?

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22 Jesus lhe respondeu: Não te digo que até sete vezes; mas até setenta vezes sete.

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23 Por isso o reino do céu é comparado a um rei que quis acertar contas com seus servos.

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24 E, quando começou, foi-lhe apresentado um deles que lhe devia dez mil talentos.

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25 Mas, não tendo com que pagar, seu senhor ordenou que ele, sua mulher, seus filhos e todos os seus bens fossem vendidos para que a dívida fosse paga.

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26 Então aquele servo, prostrado diante dele, rogava-lhe: Senhor, tem paciência comigo, que te pagarei tudo.

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27 Comovido, o senhor daquele servo soltou-o e perdoou-lhe a dívida.

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28 Ao sair, porém, aquele servo encontrou um dos seus conservos, que lhe devia cem denários; e, agarrando-o, sufocava-o, dizendo: Paga o que me deves.

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29 Então, caindo aos seus pés, o seu companheiro lhe suplicava: Tem paciência comigo, que te pagarei.

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30 Ele, porém, não quis; antes mandou colocá-lo na prisão, até que pagasse a dívida.

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31 Seus conservos, vendo o que acontecera, ficaram muito tristes e foram contar tudo ao seu senhor.

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32 Este, então, chamou-o à sua presença e disse-lhe: Servo mau, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste.

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33 Tu também não devias ter compaixão do teu companheiro, assim como tive de ti?

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34 E, irado, entregou-o aos carrascos, até que ele pagasse tudo o que lhe devia.

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35 Assim também vos fará meu Pai celestial, se cada um de vós não perdoar de coração ao seu irmão.

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