2 Coríntios Cap. 3
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O Ministério da Morte nas Tábuas de Pedra versus o Ministério do Espírito
Uma das objeções mais comuns à ideia de descontinuidade da Lei Mosaica é a distinção feita aos Dez Mandamentos. Frequentemente, argumenta-se que, por terem sido escritos pelo próprio dedo de Deus em tábuas de pedra, o Decálogo possuiria uma natureza eterna e distinta das demais leis cerimoniais ou civis. No entanto, a análise que o apóstolo Paulo faz em 2 Coríntios 3 desafia diretamente essa premissa, utilizando justamente a característica das "tábuas de pedra" para demonstrar a inferioridade da Antiga Aliança.
Neste capítulo, Paulo estabelece um contraste nítido entre o ministério da Nova Aliança e o da Antiga. Ele descreve os cristãos como uma "carta de Cristo", escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo; e não em "tábuas de pedra", mas em "tábuas de carne nos corações" (2 Coríntios 3:3).
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A Letra que Mata
Paulo prossegue com uma afirmação teológica contundente:
"[Deus] nos capacitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do Espírito; pois a letra mata, mas o Espírito vivifica." (2 Coríntios 3:6)
A "letra" aqui não se refere ao legalismo ou a uma interpretação fria da Bíblia, mas à própria Lei Mosaica escrita. A função da Lei, desprovida do poder regenerador do Espírito, é sentenciar à morte, pois ela expõe a transgressão sem oferecer o poder para a obediência.
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O Ministério da Morte e da Condenação
O ponto mais impactante da argumentação paulina surge quando ele define explicitamente o que foi gravado em pedras. Ao contrário de elevar o Decálogo a um status de vigência eterna para a Igreja, Paulo refere-se à lei escrita e gravada em pedras como o "ministério da morte".
"E se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de glória, a ponto de os filhos de Israel não poderem fixar os olhos na face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, ainda que desvanecente, como não será de maior glória o ministério do Espírito?" (2 Coríntios 3:7-8)
É crucial notar que a única parte da Lei gravada em pedras foram os Dez Mandamentos. Portanto, quando Paulo fala do "ministério da morte", ele está se referindo diretamente ao Decálogo. Mais adiante, no versículo 9, ele o chama de "ministério da condenação".
A lógica não é que os mandamentos sejam maus em seu conteúdo moral, mas que a sua função na economia da salvação, como um código externo escrito em pedra, servia para condenar o pecador. Essa administração teve, sim, a sua glória — manifestada no brilho do rosto de Moisés — mas era uma glória "desvanecente", passageira, destinada a desaparecer.
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A Superioridade da Glória Permanente
O argumento de 2 Coríntios 3 culmina na superioridade da Nova Aliança. Se o ministério que trouxe condenação teve glória, o "ministério da justiça" (a Nova Aliança) tem uma glória sobreeminente.
"Pois, se o que se desvanecia teve sua glória, muito mais glória tem o que é permanente." (2 Coríntios 3:11)
A transição é clara: o que foi escrito em pedras pertencia a uma ordem que estava se desvanecendo para dar lugar ao que é permanente. O cristão, portanto, não se volta para as tábuas de pedra para encontrar sua regra de vida primária, mas para o ministério do Espírito, que escreve a lei de Cristo (o amor e a santidade) nas tábuas de carne do coração, operando uma justiça que a letra da lei jamais poderia produzir.
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