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Mateus 5:27-30: Não Cometerás Adultério: A Radicalidade de Jesus Contra o Pecado do Coração

  1. Introdução: Continuando a Conversa na Montanha — retomada da série sobre o Sermão da Montanha, o padrão "vocês ouviram... eu, porém, lhes digo" e a chave interpretativa de Jesus para a Lei.

  2. Não Basta o Comportamento: Jesus Mira na Raiz do Coração — como Jesus interpreta os mandamentos (não matarás, não adulterarás) apontando para a intenção do coração, não apenas o ato externo; a ilustração do culto assistido "só de ouvido" e o exemplo da oferta com alegria (Salmo 1).

  3. Adultério no Coração: Uma Santidade Diante de Deus e de Si Mesmo — a interpretação de Jesus sobre olhar com intenção impura (Mt. 5:28); a diferença entre pecado visto pelos outros e pecado visto somente por Deus; o conceito de temor de Deus (Deus vê, se importa e responde).

  4. O Caso do Corbã: Hipocrisia Religiosa e o Coração Exposto — o exemplo de Jesus repreendendo a oferta corbã como forma de evitar honrar pai e mãe, mostrando que a verdadeira santidade não busca reconhecimento humano.

  5. "Arranca e Joga Fora": A Radicalidade no Combate ao Pecado — a instrução de Jesus sobre o olho e a mão que fazem tropeçar; a ideia de "cortar antes", de criar protocolos e complicar a própria vida para impedir o pecado (celular, amizades espirituais, prestação de contas).

  6. A Gravidade Eterna do Pecado Sexual — a seriedade da advertência de Jesus sobre o inferno; a aliança de sangue na união conjugal; o relato do jovem endemoniado como ilustração da seriedade espiritual do pecado sexual.

  7. O Caminho da Vitória: Presença, Intimidade e Prazer em Deus — as três chaves para vencer a imoralidade: viver consciente da presença de Deus, buscar intimidade com Ele e encontrar prazer supremo em Cristo (referência a Mateus 6:6 e à parábola do tesouro escondido).

  8. Conclusão: Um Coração Alinhado à Vontade de Deus — síntese: o discípulo de Jesus não se contenta com comportamento correto, mas busca pureza de coração pelo poder do Espírito Santo.

Introdução: Continuando a Conversa na Montanha

Estamos numa série maravilhosa sobre o Sermão da Montanha. Já passamos pelas Bem-Aventuranças, onde vimos o que significa verdadeiro sucesso aos olhos do Senhor — tudo de ponta-cabeça em relação aos padrões deste mundo. Vimos também o que significa ser sal da terra e luz do mundo, o chamado que recebemos como discípulos para influenciar o mundo ao nosso redor. Depois, entendemos que Jesus não veio revogar a Lei ou os Profetas, mas cumpri-los — e Ele fecha esse bloco com uma frase que ainda ecoa em mim: se a nossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, jamais entraremos no Reino dos Céus. E, mais recentemente, vimos como Jesus reinterpreta o mandamento "não matarás", mostrando que aquele que se ira contra o irmão já está sujeito a julgamento.

Como você percebe, o Sermão da Montanha não é para amadores. Não é para quem quer seguir Jesus de forma superficial. É um chamado extremamente desafiador, dirigido a discípulos comprometidos. E é importante lembrar: quando Mateus registra, no final do seu evangelho, a ordem de Jesus para "ensinar tudo o que Ele nos ordenou", muitos entendem que esse "tudo" começa justamente aqui, no Sermão da Montanha. Ainda que o chamemos de "sermão", prefiro pensar nisso como uma conversa na montanha — Jesus sentado com os discípulos, discipulando-os sobre as questões mais profundas da vida.

Hoje eu quero seguir para uma porção especialmente desafiadora dessa conversa: Mateus 5, a partir do versículo 27. Assim como ontem vimos Jesus reinterpretar o "não matarás", hoje Ele vai fazer o mesmo com outro mandamento — e o padrão que Ele usa é sempre o mesmo: "Vocês ouviram o que foi dito... Eu, porém, lhes digo." Essa dinâmica é fundamental para entendermos o que Jesus está fazendo: Ele está nos interpretando a própria Lei, revelando a intenção original de Deus por trás de cada mandamento.


Não Basta o Comportamento: Jesus Mira na Raiz do Coração

Ontem vimos Jesus tratar do mandamento "não matarás". Hoje Ele vai a outro mandamento: "não adulterarás". E, em ambos os casos, percebo algo em comum na forma como Jesus ensina: o mandamento nunca foi apenas sobre um comportamento isolado. É claro que a orientação é não cometer adultério, não matar — isso é óbvio. Mas Jesus está mirando em algo mais profundo: a raiz. E a raiz é o coração.

Quero que você aplique esse princípio a toda a Escritura, porque ele muda a forma como lemos a Bíblia inteira. Nós, seres humanos, somos peritos em encontrar brechas na Lei para nos sentirmos justificados. Eu mesmo já me peguei pensando assim: "Você esteve no culto essa semana?" "Não estive presencialmente, mas assisti online." Só que, na verdade, eu estava lá cozinhando, fazendo outras coisas, e nem prestei atenção — mas afirmo que "participei". Você entende como isso funciona? Ficamos procurando brechas para dizer "eu fiz" quando, no fundo, sabemos que não fizemos.

Jesus está nos revelando que existe algo mais profundo por trás da Lei. Lembro de outro exemplo: a Palavra diz que Deus ama quem dá — quem oferta. Mas percebemos que não é apenas o ato de dar que importa. Deus ama quem dá com alegria. Ali, o coração está envolvido. E no Salmo 1 vemos a mesma dinâmica:

"Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, não se assenta na roda dos escarnecedores, antes tem o seu prazer na lei do Senhor e nela medita dia e noite."

Repare que ali não é apenas sobre obedecer externamente — é sobre ter prazer na lei do Senhor. O coração está sempre no centro. Por isso, o que Jesus está fazendo ao interpretar a Lei para nós é isto: Lei não é apenas comportamento; Lei é intenção do coração.


Adultério no Coração: Uma Santidade Diante de Deus e de Si Mesmo

Agora Jesus vai direto ao texto: "Não cometerás adultério" — esse é o mandamento de Êxodo 20, um dos Dez Mandamentos. "Vocês ouviram que foi dito: não cometerás adultério." E há muitas pessoas que se orgulham disso: "Eu nunca me deitei com outra mulher, nunca me deitei com outro homem." Mas Jesus continua: "Eu, porém, lhes digo que todo aquele que olhar para uma mulher com intenção impura já cometeu adultério com ela em seu coração."

Aqui há algo extremamente importante que quero que você perceba comigo: Jesus está dizendo que a santidade verdadeira não é apenas para os outros verem. Por quê? Porque o ato de cometer adultério envolve necessariamente outra pessoa — e alguém pode testemunhar aquele ato que quebra a Lei. Mas Jesus me leva a um outro lugar: o lugar do coração. E ali, somente Deus e eu mesmo sabemos o que se passa.

Pense na época em que Jesus disse isso: o Oriente Médio, onde as pessoas andavam extremamente vestidas, cobertas, muitas vezes só com os olhos à mostra. Um homem poderia olhar para uma mulher completamente coberta e, ainda assim, pecar em seu imaginário. Ninguém teria como me confrontar dizendo: "Você olhou com intenção impura." Mas Jesus joga a responsabilidade para o lugar do temor de Deus — aquele temor que reconhece que Deus está vendo, mesmo quando ninguém mais vê.

Gosto muito da forma como ouvi certa vez essa definição de temor de Deus: primeiro, Deus vê; segundo, Deus se importa com o que vê; terceiro, Deus dará uma resposta ao que viu. É exatamente isso que Jesus está fazendo aqui — colocando o pecado nesse lugar onde eu preciso reconhecê-lo diante de Deus, antes mesmo que qualquer comportamento externo se manifeste.

O Princípio do Corbã: Quando a Religiosidade Esconde um Coração Impuro

Deixe-me te mostrar esse mesmo princípio em outra situação, porque ele não se limita à imoralidade sexual. Jesus repreende os líderes religiosos por causa de uma prática chamada corbã — uma oferta dada ao templo. E Ele afirma algo surpreendente: aquela oferta era pecado. Como uma oferta pode ser pecado?

A resposta está no coração por trás dela. A Palavra ensina: "Honra teu pai e tua mãe." Mas os religiosos haviam criado uma manobra: se alguém fizesse um voto de oferta ao templo — o corbã — ficava dispensado de usar aquele dinheiro para sustentar seus pais. Jesus os chama de hipócritas, porque estavam colocando tradições humanas acima do mandamento de Deus.

E por que preferiam a oferta corbã a simplesmente ajudar pai e mãe? Porque a oferta era pública — outros ficavam sabendo, e eles eram honrados como pessoas piedosas. Honrar pai e mãe, por outro lado, era o básico; ninguém ganhava reconhecimento por isso. Percebo, então, que só existe um juiz capaz de declarar aquela oferta como pecado: a própria pessoa, diante de Deus, examinando o próprio coração. Ninguém mais poderia dizer isso por ela.

É exatamente isso que Jesus está fazendo neste ensino sobre o adultério: Ele nos leva a um lugar profundo de santidade verdadeira — que é, primeiro, diante de Deus; segundo, diante de nós mesmos; e só depois, diante dos outros.


"Arranca e Joga Fora": A Radicalidade no Combate ao Pecado

Depois de nos revelar que o adultério nasce no coração — nem mesmo no imaginário da mente devo cometê-lo —, Jesus me ensina como lidar com o pecado. E a forma como Ele propõe isso me impressiona: "Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e joga fora." Lembro de uma pregação que ouvi certa vez, chamada "Corta essa". É exatamente essa a atitude que Jesus está me chamando a ter: passar a odiar o pecado, assim como o Pai é santo e odeia o pecado — porque ele é destruição e morte. O pecado vem travestido de prazer, prometendo satisfação, mas é veneno que destrói a vida.

Jesus está dizendo: arranque, jogue fora, corte antes. Não é na hora da tentação que devo agir — é antes. Lembre-se da oração que Ele mesmo nos ensinou: "Não nos deixes cair em tentação." Não é "não nos deixes pecar" — é "não nos deixes sequer ser tentados". Então, se alguma coisa me leva ao pecado, eu corto.

No caso da imoralidade sexual, isso pode significar criar protocolos práticos: não levar o celular para o banheiro, desinstalar aplicativos, não assistir a determinadas séries, e — se for necessário — nem assinar certas plataformas. Pode significar também firmar combinados claros com o cônjuge, com amigos próximos.

Quero te propor essa reflexão: Jesus está me chamando para uma radicalidade. E essa radicalidade se aplica a diversas áreas da vida. Toda vez que encontro certas pessoas e me vejo falando mal de alguém, sendo maledicente — corto essa. Toda vez que um ambiente de trabalho me tenta a agir de forma ilegal financeiramente — corto essa, nem vou mais lá, peço as contas.

Quando Jesus fala em arrancar o olho ou cortar a mão, Ele está me chamando a impedir que eu mesmo consiga pecar — cortar a possibilidade antes que ela se concretize. E uma das formas práticas de fazer isso é cultivar amizades espirituais que possam falar abertamente na minha vida. Por isso, na minha casa, minha esposa tem acesso à senha do meu celular; ela pode, a qualquer momento, pegá-lo e olhar. Isso é um "cortar" — é reconhecer que não confio cegamente em mim mesmo e que preciso de alguém que possa me ajudar a qualquer instante.

Se você ainda não é casado ou casada, pode aplicar o mesmo princípio com um amigo de confiança: "De vez em quando, pegue meu celular e olhe." Porque, embora este texto trate especificamente de imoralidade, o princípio vale para qualquer área — inclusive conversas que eu não deveria estar tendo. Quando eu "corto minha própria mão", estou dizendo: eu preciso complicar minha própria vida. Jesus não está mandando que eu corte a mão de outra pessoa — Ele está falando, de forma figurada, que eu mesmo devo complicar o caminho para não pecar.

E olha a seriedade do que Ele diz em seguida: é preferível perder uma parte do corpo do que ter o corpo inteiro lançado no inferno. Jesus está afirmando que a consequência do pecado e da imoralidade é a condenação eterna. Em especial no caso do adultério — porque Ele está cortando o mal pela raiz. O adultério começa no coração, na cobiça, no olhar, e avança para a destruição física: da família, do lar, dos filhos. Começa na cobiça, mas o destino proposto pelo diabo é o inferno. Por isso: corta essa.


A Gravidade Eterna do Pecado Sexual

Quero compartilhar com você algo que vivi e que ilustra a seriedade dessa questão. Certa vez eu estava em um acampamento com jovens, e um rapaz ali ficou endemoniado em seu quarto. Eu era líder de jovens naquela época, e fomos orar por ele, buscando sua libertação. Havia comigo outro líder, mais experiente nessa área, e ele percebeu, ouvindo o próprio demônio falar através do rapaz, algo estranho: normalmente aquele tipo de manifestação estava associado a pessoas envolvidas com outras religiões.

Perguntamos ao rapaz, já em si, se ele havia participado de cultos de outras religiões. Ele disse que não, nunca. Só que, ao insistirmos, ele se lembrou de algo: havia se relacionado sexualmente com uma moça que era envolvida com essas outras práticas religiosas.

Isso me fez entender, de forma muito real, algo que a Palavra de Deus ensina de forma belíssima: quando um homem e uma mulher se casam e se relacionam, eles se tornam um. Mas essa mesma realidade — tão bela quando vivida dentro do propósito de Deus — se torna extremamente séria quando deturpada pelo pecado. Naquele "tornar-se um", tudo o que a outra pessoa carrega espiritualmente pode ser compartilhado. Isso é real, e é sério.

Há até um paralelo físico que me chama atenção: quando uma mulher tem relação sexual pela primeira vez, ocorre um derramamento de sangue. E o sêmen, biologicamente, contém sangue. Ou seja, na relação sexual, há uma mistura literal de sangue — se existe uma enfermidade em mim, ela pode passar para minha esposa; se existe nela, pode passar para mim. Por que isso acontece? Porque estamos, de fato, selando uma aliança de sangue.

Por isso, quero que você entenda a seriedade com que Jesus trata esse tema. Ele não está exagerando quando fala em condenação eterna. A vida aqui já começa a experimentar as consequências, mas há também uma condenação eterna por pecarmos contra o Senhor.


O Caminho da Vitória: Presença, Intimidade e Prazer em Deus

Depois de trazer toda essa seriedade, eu preciso te dizer como lidar com isso. Quero compartilhar três verdades importantes.

A primeira é a presença de Deus. Como assim? Lembre-se do que já falamos: quando Jesus joga o pecado para o coração, eu preciso entender que estou diante de Deus o tempo todo. Às vezes penso: "Ninguém viu, então está tudo bem." Mas não — eu estou diante de Deus, e Ele vê meus pensamentos, vê meu coração. A primeira chave é essa consciência constante de que estou sempre na presença dEle. Pense comigo: seja no caso da pornografia, seja no caso do adultério, eu não faço esse tipo de coisa na presença de outras pessoas. Não faço na frente da minha mãe, do meu pai, da minha avó. Então, por que consigo fazer na presença de Deus? Porque, no fundo, tenho a ilusão de que existem momentos em que Ele não está presente.

A segunda chave é a intimidade com Deus. A sexualidade fala de intimidade, e a imoralidade — a pornografia — é, no fundo, uma fome de intimidade buscando ser saciada no lugar errado. Preciso entender que essa fome só será verdadeiramente saciada em Cristo Jesus. Já parou para pensar que a pornografia é uma distorção do que Jesus ensina em Mateus 6:6? Ali Ele diz: "Entra no teu quarto, fecha a porta e busca teu Pai no secreto." A proposta do inimigo é uma falsificação disso: entrar no quarto, fechar a porta, e buscar uma falsa intimidade através do pecado. Por isso, nesse lugar de intimidade, preciso encontrar um prazer verdadeiro em Deus.

E essa é a terceira chave: o prazer em Deus. Não se trata simplesmente de obedecer por obrigação, como quem pensa "preciso fazer isso, senão Deus vai ficar bravo e vai me mandar para o inferno." Não. É prazer. Como se vence o prazer do pecado? Com um prazer superior. Lembre-se da parábola do homem que encontra um tesouro escondido num terreno: a Bíblia diz que ele vai, com alegria, vende tudo o que tem. Como é possível que renunciar a tudo esteja na mesma frase que "com alegria"? Porque essa renúncia existe para alcançar algo infinitamente superior. Há mais prazer Naquele que criou o prazer do que em qualquer coisa que este mundo possa oferecer.

Presença de Deus, intimidade com Deus e prazer em Deus — preciso aprender a viver nesse lugar.


Conclusão: Um Coração Alinhado à Vontade de Deus

"Vocês ouviram o que foi dito: não cometerás adultério. Eu, porém, lhes digo: todo aquele que olhar para uma mulher com intenção impura já adulterou com ela em seu coração." O que eu quero que fique gravado em você é isto: o discípulo de Jesus não se contenta apenas com o comportamento correto. O discípulo de Jesus busca um coração alinhado à vontade de Deus. Ele quer a mente de Cristo. Ele quer pureza nas intenções, pureza nos olhos, pureza em todas as coisas.

O discípulo de Jesus não se preocupa somente com o que é errado, mas também com o porquê é errado — porque busca um coração santo diante do Senhor. E há um passo além disso tudo que preciso te dizer: o Senhor morreu para liberar sobre nós o Espírito Santo — a presença, a intimidade e o prazer de Deus habitando em nós, para que pudéssemos ser vitoriosos contra todo o pecado.

Amém. Glória a Deus.


Fonte: JesusCupy. Encontrando o verdadeiro prazer | Sermão da Montanha #6 | Talmidim com Douglas Gonçalves. https://youtu.be/3QjirOfKuMg?list=PLU0NnsEQStQZrCkJi7wpTml7o972ux2AH

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