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Mateus 5:31-32: Homens e Mulheres de Aliança: O que Jesus Ensina Sobre Divórcio (Dt. 24:1-4)

  1. Uma Conversa na Montanha — introdução ao contexto do Sermão do Monte: não é apenas um sermão, mas Jesus sentado com seus discípulos, revelando o coração de Deus por trás da Lei.

  2. O Texto em Questão: Deuteronômio 24:1-4 — explicação do texto original citado por Jesus, a carta de divórcio prevista na Lei mosaica.

  3. Uma Lei Revolucionária em seu Contexto — o pano de fundo histórico-cultural: como essa lei era, na verdade, uma proteção para a mulher em uma sociedade patriarcal e vulnerabilizante.

  4. A Banalização do Divórcio — como uma exceção protetiva se transformou em regra corriqueira, e a confrontação de Jesus a essa distorção.

  5. Deus é um Deus de Aliança — a chave teológica do texto: Malaquias 2 ("eu odeio o divórcio") e o caráter de Deus como Deus de aliança, que exige de nós o mesmo.

  6. Para Além do Casamento: Somos Chamados a Sermos Pessoas de Aliança — extensão do princípio para amizades, comunidade eclesiástica e relacionamentos em geral; a maledicência e a fofoca como cultura de quebra de aliança.

  7. A Fidelidade de Deus Mesmo em Nossa Infidelidade — reflexão cristocêntrica: Deus permanece fiel mesmo quando somos infiéis; a condenação é rejeição da fidelidade de Deus, não abandono dele.

  8. Aliança no Casamento: Deus Como Pai e Sogro — a dimensão prática e devocional de tratar o cônjuge como filho(a) de Deus, e a igreja local como lugar de aliança (os cinco compromissos de membresia).

  9. O Ferro que Afia o Ferro: Aliança como Caminho de Santificação — como a permanência na aliança (casamento, comunidade) é o instrumento que Deus usa para nos amadurecer e santificar, em contraste com a cultura atual de rupturas fáceis.

  10. Conclusão: Um Chamado Contracultural à Fidelidade — síntese pastoral, reconhecendo as exceções legítimas (infidelidade, abuso, heresia) sem perder de vista o chamado central: sermos fiéis como Ele é fiel.

Uma Conversa na Montanha

Já vimos juntos as bem-aventuranças. Já vimos o sal da terra e a luz do mundo. Já vimos como Jesus se posiciona diante da Lei. Já vimos "não matarás" e "não adulterarás". Agora chegamos a um novo ponto dessa caminhada: o divórcio e os juramentos.

Chamamos esse texto de Sermão do Monte, mas a verdade é que, mais do que um sermão, há aqui uma conversa na montanha. Jesus está sentado com seus discípulos, conversando. E é exatamente por isso que quero que você entenda uma coisa desde já: isso aqui é para os discípulos — é Jesus falando com você, é Jesus falando comigo. Ele quer que vivamos pelo Espírito. É isso que Ele está colocando diante de nós.

É extremamente desafiador. Mas é o que o Senhor está pedindo de nós.

Antes de entrarmos no texto, pegue sua Bíblia, pegue papel e caneta. Vamos olhar juntos para o que Jesus continua dizendo depois de "também foi dito": "E eu, porém, lhes digo."

Esse padrão — "vocês ouviram o que foi dito... eu, porém, vos digo" — não é um detalhe estilístico. Ele revela algo profundo sobre por que o Sermão do Monte é um texto tão importante para nós: Jesus está interpretando a Lei. E, o tempo inteiro, Ele está expondo o coração de Deus por trás da Lei.

Isso importa porque é muito fácil pegarmos as palavras da Lei e, de certa maneira, colocarmos nelas a intenção que a nossa própria carne deseja. Então Jesus vem, sentado com os discípulos, olhando para a Lei, e diz: "Deixa eu revelar para vocês. Deixa eu interpretar isso de acordo com o coração de Deus." Qual é o coração por trás do mandamento? Qual é o plano original de Deus para cada uma dessas coisas?

Quero que você tenha uma imagem clara disso. Imagine que você está lendo um livro que eu escrevi — e, em um determinado trecho, você começa a interpretar as coisas à sua maneira: "Não, o autor quis dizer isso, quis dizer aquilo." E então, de repente, eu apareço na sua casa. A melhor coisa a se fazer, nesse momento, é simplesmente perguntar: "Aqui, nessa página, o que você quis dizer?" E eu me sento e explico: "Nossa ideia ali era isso, isso e isso."

É exatamente isso que os discípulos estão vivendo no Sermão do Monte. Eles estão diante daquele que escreveu a Lei, que a inspirou. Eles estão diante daquele que é a Lei encarnada. Por isso, a postura correta diante desse texto é parar e ouvir a Jesus.

E é com esse espírito que entramos agora no primeiro assunto: o que Jesus tem a dizer sobre o divórcio.


O Texto em Questão: Deuteronômio 24:1-4

Jesus continua: "Também foi dito: Aquele que repudiar sua mulher deve lhe dar uma carta de divórcio."

Preciso que você entenda com precisão qual texto Jesus está retomando aqui, porque isso muda tudo. O texto ao qual Ele se refere é Deuteronômio 24, do versículo 1 ao 4.

Esse trecho de Deuteronômio diz, em essência, o seguinte: quando um homem se casa com uma mulher e, por algum motivo, ela lhe desagrada — porque ele descobriu algo sobre ela e concluiu que não há mais como continuar casado —, ele poderia lhe dar uma carta de divórcio. Com essa carta, aquela mulher ficava liberada para se casar novamente.

E aqui já quero te provocar com uma pergunta que provavelmente passou pela sua cabeça: por que Deus permitiu isso? Por que existe essa concessão de uma carta de divórcio?

Para responder isso, preciso que você tenha em mente o contexto histórico — porque, nesse contexto, essa lei era revolucionária.

Longe de ser uma brecha para o pecado, esse mandamento era, na verdade, uma proteção de Deus para a mulher. Estamos falando de uma época em que os homens, na maioria das culturas ao redor, se sentiam donos das mulheres. Um homem se casava e, se não se agradasse mais dela, muitas vezes chegava a tirar a vida daquela mulher, ou simplesmente a abandonava e se casava com outra — deixando a primeira sem qualquer possibilidade de recomeçar a vida.

Pense numa época em que a mulher não estudava, não tinha emprego, não tinha sustento próprio. Ela ficava completamente vulnerável. É nesse cenário que a instrução de Deus se torna revolucionária: se você não vai cuidar dessa mulher, se por algum motivo você a repudiou, então você precisa lhe dar uma carta de divórcio — liberando-a para reconstruir sua vida e se casar novamente.

Ou seja: o que Deus estabeleceu em Deuteronômio não era um incentivo ao divórcio. Era uma barreira de proteção para impedir que a mulher fosse simplesmente descartada, sem direito algum, à própria sorte.

É exatamente esse ponto de partida que Jesus vai retomar — para revelar o que aconteceu com essa lei ao longo do tempo, e é isso que veremos a seguir.


Uma Lei Revolucionária em seu Contexto

Antes de avançarmos, quero que essa ideia fique bem fixada em você, porque ela muda completamente a forma como lemos esse texto.

O que Deus fez em Deuteronômio 24 não foi abrir uma porta para o divórcio. Foi fechar uma porta ainda pior: a do abandono sem responsabilidade. Numa cultura em que a mulher não tinha valor jurídico, social ou econômico próprio, a carta de divórcio era um mecanismo que a protegia — ela lhe garantia o direito de recomeçar, de se casar novamente, de não ficar presa a um homem que já não queria mais assumi-la, nem tampouco condenada a viver isolada e sem sustento.

Esse é o "coração de Deus" por trás daquela lei: cuidado, proteção, dignidade para quem estava em posição de fragilidade.

Mas toda concessão dada para proteger o vulnerável corre o risco de ser transformada em ferramenta para o egoísmo de quem tem poder. E foi exatamente isso que aconteceu.

O que era uma exceção, pensada para situações-limite, começou a se tornar uma verdadeira banalização. É esse desvio — dessa proteção que virou desculpa — que Jesus vai confrontar diretamente. E é para lá que vamos agora.


A Banalização do Divórcio

Presta muita atenção aqui, porque é exatamente nesse ponto que Jesus vai confrontar o que aconteceu com aquela lei protetiva.

Aquilo que era pensado como exceção — uma medida de proteção para casos extremos — começou a se tornar uma verdadeira banalização. As pessoas passaram a dizer: "Ah, a gente não se deu bem, então divorcia." "A gente tem gostos diferentes, então divorcia." "Eu não sou feliz, então divorcia."

E é diante dessa banalização que Jesus vem e diz:

"Aquele que repudiar a sua mulher — ou seja, aquele que mandar ela embora, que lhe der uma carta de divórcio — exceto em caso de relações sexuais ilícitas, ou seja, exceto em caso de traição, a expõe a tornar-se adúltera. E aquele que casar com a repudiada comete adultério."

Perceba a lógica de tudo isso. Jesus está numa sequência muito clara de ensino: "Não matarás. Eu, porém, vos digo: aquele que se irar já está sujeito a julgamento." "Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: aquele que olhar para uma mulher com intenção impura, já adulterou no coração com ela." E agora, na mesma linha: "Vocês ouviram sobre a carta de divórcio. Eu, porém, vos digo..."

O que Jesus está revelando, em cada um desses momentos, é o seguinte: Deus vê o seu coração. Ele vê a sua cobiça, a intenção por trás dos seus atos. E Ele está dizendo, com todas as letras: você pode até encontrar um versículo bíblico para justificar a quebra de uma aliança, mas do Senhor não há como zombar.

Esse texto fala especificamente sobre divórcio — mas eu preciso expandir isso para todos nós, porque nem todo mundo aqui é casado. O que Jesus está confrontando, no fundo, não é apenas o rompimento de um casamento. É a quebra de aliança.

E é sobre isso que quero conversar com você agora.


Deus é um Deus de Aliança

O que você precisa entender é que Deus vai dizer, em Malaquias, "eu odeio o divórcio". E eu quero que você expanda essa frase na sua cabeça. Não fique apenas em "Deus odeia quando um casal se divorcia". Vá além: Deus odeia a quebra de aliança.

Por quê? Porque Deus é um Deus de aliança. Guarde isso. O nosso Deus é um Deus de aliança.

E aqui não estou falando somente da relação entre homem e mulher no casamento. Estou dizendo que o nosso Pai é, em sua própria essência, um Deus de aliança. E se o nosso Pai é um Deus de aliança, Ele deseja filhos que sejam homens e mulheres de aliança.

Então deixo essa pergunta com você, e quero que você não escape dela: você é uma pessoa de aliança?

Estamos aqui olhando para o tema do divórcio, para a questão do adultério — mas podemos ir mais fundo hoje. Com as pessoas ao seu redor, você é uma pessoa de aliança? Com seus amigos, você é uma pessoa de aliança? Com seus irmãos e irmãs na sua comunidade, você é uma pessoa de aliança — ou, por qualquer banalidade, você rompe o vínculo? Quantas pessoas você já deixou para trás, que você, entre aspas, "divorciou" — relações que você rompeu e que nunca ficaram resolvidas?

Precisamos juntar esse ensino a outro texto do mesmo Sermão do Monte: se você chegar diante do altar para apresentar sua oferta e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe a oferta ali mesmo e vá primeiro se reconciliar com ele. É a mesma lógica: "Eu sou um Deus de aliança."

No casamento, isso é ainda mais intenso, porque o casamento normalmente envolve filhos, que são afetados por tudo isso, e envolve a constituição de uma família que transmite uma cultura inteira adiante. Por isso, no casamento, esse chamado é ainda mais elevado. Mas Ele não está nos chamando para sermos fiéis apenas no casamento. Ele está nos chamando para sermos fiéis em todos os nossos relacionamentos — para sermos homens e mulheres de aliança onde quer que estejamos.


Para Além do Casamento: Somos Chamados a Sermos Pessoas de Aliança

Quero te falar sobre uma cultura muito específica de destruição de aliança: a maledicência, a fofoca. Essa é, na prática, uma cultura de quebra de aliança — aquela em que eu me sento à mesa e começo a falar sobre outras pessoas que são meus irmãos e irmãs.

E é curiosa a cultura que construímos ao nosso redor. Eu não falo diretamente com a pessoa sobre as dificuldades que ela tem, sobre os defeitos que ela precisaria mudar. Em vez disso, falo com outras pessoas sobre esses defeitos — e ninguém vai até ela para dizer nada. O resultado é que ela nunca tem a oportunidade de mudar. Por que isso acontece? Porque não mantemos aliança uns com os outros.

Quero que você entenda esse texto para muito além do divórcio. Deus odeia a quebra de aliança. E, quando você for olhar outros textos — Mateus 19, por exemplo —, verá Jesus explicando por que Moisés deu ao povo a carta de divórcio, e dizendo, em seguida: "O plano original de Deus é que o homem e sua mulher deixem pai e mãe e se tornem um só." Esse é o plano, essa é a vontade de Deus: que vivamos relacionamentos de aliança de verdade.

Mas por que, então, Moisés deu a carta de divórcio? Por causa da dureza do coração do povo. E aqui está um ponto importante: não podemos transformar uma exceção em regra. É claro que existem motivos legítimos pelos quais uma aliança pode ser rompida — não estou negando isso. Como já disse, o texto denuncia uma banalização do divórcio, mas isso não significa que não existam situações sérias.

Meu pai costuma colocar isso de uma forma que me marcou: o divórcio deveria ser uma porta de emergência. Sabe aquela porta que fica fechada e só é usada quando há um incêndio, quando as pessoas precisam sair dali para se salvar? Não é uma porta de saída comum — é uma porta de emergência.

Por isso, é claro que há situações de agressão — algo que, infelizmente, tem acontecido muito. Agressão contra a mulher é crime: denuncie, vá até a delegacia. E sim, nesses casos, é legítimo se separar, se divorciar, porque o princípio da vida vem antes do princípio de manter a aliança a qualquer custo.

O mesmo vale para relação sexual ilícita, adultério. Às vezes há até uma tentativa de perdão e de restauração, mas a pessoa continua se colocando em risco — trazendo doenças, quebrando a aliança repetidamente, mostrando que não há arrependimento real. Nesses casos, também pode haver um divórcio legítimo.

O que precisamos rejeitar é a banalização: "Não gosto mais dela." "Comecei a ficar de olho em alguém no meu trabalho, então vou me organizar para me divorciar e depois ir atrás dessa pessoa." Não. Deus está dizendo: "Eu odeio a quebra de aliança."

E quero que você leve isso para muito além do seu casamento. Deus nos chama, como discípulos de Jesus, a sermos homens e mulheres de aliança.


A Fidelidade de Deus Mesmo em Nossa Infidelidade

O texto de 1 Pedro nos diz que Deus, mesmo quando não somos fiéis, permanece fiel. Já parou para pensar nisso com calma?

As pessoas que serão condenadas não são condenadas porque Deus as rejeitou. Elas são condenadas porque rejeitaram a fidelidade de Deus. Ele enviou o Seu Filho para morrer na cruz por essa pessoa. Então, o ponto central não é quem recebeu de Deus uma carta de divórcio — é quem rejeitou a proposta de aliança que Deus ofereceu. Porque Ele permanece fiel. Mesmo quando nós somos infiéis, Ele permanece fiel.

E é esse tipo de filho que Ele deseja espalhado por toda a terra: homens e mulheres de aliança.

Fizemos, há um tempo, uma série inteira sobre casamento aqui, e o ponto sempre foi este: precisamos entender por que o Senhor nos entregou uma pessoa para casarmos com ela. É para que tenhamos, com essa pessoa, uma aliança que nos torna responsáveis por ajudá-la a chegar diante do Senhor um dia e ouvir "servo bom e fiel".

Pare e imagine isso. Se você entender que foi o Senhor quem uniu você à sua esposa, ou a você ao seu marido, você percebe que pode ser um agente para que essa pessoa chegue diante de Deus e ouça essas palavras. Eu, particularmente, entendo que sou um dos responsáveis, ao lado da minha esposa, por ela chegar diante de Deus. E eu quero poder, um dia, chegar diante d'Ele e dizer: "Senhor, aqui está sua noiva."

Há uma coisa que quero que você guarde: antes de ser minha esposa, ela é minha irmã. Isso é muito forte — presta atenção. Deus é meu Pai. Mas já parou para pensar que Deus também é meu sogro?

Imagine se eu tratasse mal minha esposa com o pai dela observando tudo. O que aconteceria? Pois eu quero te dizer uma coisa: toda vez que você faz algo contra sua esposa, contra seu marido, o Pai dela — o Pai dele — está vendo. Seu Deus é seu Pai, mas Deus também é seu sogro.

E, quando entendemos isso, percebemos algo maior: em cada relacionamento que o Senhor coloca em nossa vida, há um filho ou uma filha d'Ele do outro lado. Por isso, de novo, quero expandir esse princípio para além do casamento. O Senhor coloca pessoas ao nosso redor exatamente para que tenhamos aliança com elas. E estamos vivendo um tempo de banalização generalizada disso.

O que quero que você guarde de tudo isso é uma frase simples: discípulos são pessoas de aliança.


Aliança na Comunidade: Contra a Cultura do Descarte Fácil

Deixa eu te dar um exemplo prático de como essa banalização de aliança tem se espalhado por todas as esferas da nossa vida.

Estamos chegando a um momento em que as pessoas ficam mudando de comunidade a cada pouco tempo. Eu ouvi certa vez o testemunho do pastor Azaf Borba contando que a igreja em que ele se converteu é a mesma igreja em que ele permaneceu até o fim — e o pastor que o ganhou para Jesus foi o mesmo pastor que cuidou dele até seus últimos dias, até falecer. Você acha que não houve dias difíceis nesse meio tempo? Claro que houve. Mas a aliança vai além dos dias complicados.

É claro que existem situações de manipulação, de abuso, de heresia — momentos em que você realmente precisa mudar de comunidade porque as coisas estão erradas ali, porque a Bíblia não está sendo pregada com fidelidade. Isso é legítimo. Mas, fora dessas exceções, existe uma banalização enorme: "não estou gostando mais da pregação, vou mudar"; "não gostei do ministério infantil, vou mudar"; "o estacionamento ficou ruim, vou mudar." E isso não é aliança — é descarte.

Vivemos na era da internet, em que tudo isso ficou ainda mais fácil. Eu sigo alguém, não gosto mais, deixo de seguir. Era meu amigo, agora não é mais — um clique e pronto. E estamos, sem perceber, levando essa lógica para a vida real: "eu era amigo dele, agora não sou mais"; "eu frequentava aquela igreja, agora não frequento mais" — sem sequer avisar, sem conversar, simplesmente trocando de lugar no domingo seguinte.

Mas há uma verdade que precisa ficar bem clara para você: não há crescimento sem aliança. Vou repetir, porque é importante: não há crescimento sem aliança.


O Ferro que Afia o Ferro: Aliança como Caminho de Santificação

Deixa eu te contar algo pessoal. O que mais me santificou, na minha vida, foi o meu casamento. É aquilo que mais me santifica até hoje. E por quê? Presta atenção nisso, porque é fundamental: porque o ferro afia o ferro.

Minha esposa tem toda a sua história, seu próprio background. Eu tenho a minha história, o meu próprio background. E nós nos casamos. Passamos a morar na mesma casa — ela com todas as suas questões, eu com todas as minhas questões — e o que fizemos? Uma aliança. Chegamos diante do pastor e dissemos: "Até que a morte nos separe. Vamos ficar juntos aqui." Fizemos uma aliança diante de Deus, uma aliança diante dos homens. Assinamos um documento e decidimos permanecer.

E então, meu amigo, começam as dificuldades reais: "Ah, não gostei disso." "Ah, não gostei daquilo." Mas nós éramos uma aliança — e a aliança vai além do "gostei" e do "não gostei". Precisamos nos resolver. Precisamos nos perdoar. Você vai ter que aprender a ser mais manso. Vai ter que aprender a trabalhar mais em si mesmo, a mudar isso, a ajustar aquilo. E é exatamente nesse processo, meus amigos, que vamos sendo santificados.

Deixa eu te dizer uma coisa dura: existe muita gente com vinte, trinta anos de igreja, mas ainda imatura, parecendo uma criança na fé. Por quê? Porque toda vez que o discipulado começava a apertar de verdade — toda vez que o ferro começava a afiar o ferro —, a pessoa simplesmente mudava de comunidade. "Ah, Deus está falando comigo, acho que encerrou um ciclo, já deu meu tempo aqui." Mas, muitas vezes, não era Deus falando sobre um novo ciclo — era Deus tentando te ensinar a perdoar, a ter mansidão, a negar a si mesmo. E, em vez disso, você concluiu que Deus estava mandando você mudar de igreja, se afastar daquela pessoa e construir uma nova amizade superficial em outro lugar.

Deus é um Deus de aliança. E Ele deseja discípulos de aliança.

Claro — de novo preciso frisar isso — existem situações legítimas em que o Senhor realmente está pedindo que você mude de igreja, em que um ciclo genuinamente se encerra, em que Ele te envia para uma nova comunidade, até mesmo para ajudá-la a crescer. Às vezes é mesmo Deus chamando você para um novo lugar. Mas, com muita frequência, o que estabelecemos é uma cultura de quebra de aliança.

Ouvi certa vez um homem, nem cristão, que fala bastante sobre negócios, fazer uma observação interessante: por que temos terapeutas de casais? Porque, quando o casamento não vai bem, o casal busca ajuda profissional — entendemos que aquela aliança é importante, que existe um problema que não estamos conseguindo resolver sozinhos, e então buscamos ajuste, mesmo que seja necessário pagar um profissional, ou ir à igreja e dizer: "Pastor, precisamos conversar, não estamos nos ajustando." Mas por que não temos "terapeutas de amizade"? Quando você e um amigo estão em dificuldade, por que não considerar: "Vamos buscar ajuda, não podemos simplesmente romper essa amizade"? Porque, no fundo, tratamos a amizade como algo menor, como algo descartável.

Mas o desejo do Senhor é que sejamos homens e mulheres de aliança em todas as nossas relações — não apenas no casamento. Imagine ir ao seu pastor e dizer: "Conversa comigo e com fulano, porque estamos desentendidos, mas a aliança entre nós é importante demais para o Senhor, e não queremos rompê-la." Imagine alguém chegando para falar mal de uma pessoa, e você respondendo: "Não fala mal dela, não. Eu tenho uma aliança com ela. Vamos juntos conversar para ajudá-la a melhorar nisso — mas eu e você não vamos ficar aqui remoendo as falhas dela, porque eu tenho aliança com ela."

O Senhor nos chama para esse lugar — para irmos contra a cultura do descarte, para sermos homens e mulheres de aliança que não rompem por qualquer motivo, que não banalizam o vínculo. O texto que estamos estudando tem sua ênfase no casamento, mas precisamos levá-lo para muito além do casamento. Não adianta eu ser fiel à minha esposa e, ao mesmo tempo, falar mal de todo mundo ao meu redor. Deus quer homens e mulheres de aliança — de aliança em tudo.


Conclusão: Um Chamado Contracultural à Fidelidade

Antes de fechar esse ensino, preciso te fazer um pedido importante. Ao longo desse estudo, muitas perguntas específicas sobre casamento e divórcio certamente surgem na sua mente — situações concretas, casos particulares. Não vou entrar em detalhes sobre essas questões pessoais aqui, e faço isso por uma razão específica: é fundamental que você leve essas perguntas ao seu pastor, à sua comunidade local. Eu poderia te responder algo aqui que fosse diferente da prática e do discernimento pastoral da sua igreja local, e isso não serviria a você. A pessoa que cuida de você de perto é quem deve te orientar sobre esses assuntos com profundidade.

Se você ainda não tem uma comunidade local, bíblica, cristocêntrica, essa é a primeira tarefa antes de qualquer outra: junte-se a esse povo, faça uma aliança e participe de verdade — presença, contribuição, serviço, submissão à liderança, caminhada junto com a visão daquela igreja. Esses são, no fundo, os elementos de qualquer aliança genuína de membresia: não é meramente frequentar, é pertencer.

E é justamente esse o coração de tudo o que vimos hoje. Jesus não está apenas comentando uma lei antiga sobre carta de divórcio. Ele está revelando o caráter de Deus: um Deus de aliança, que odeia a quebra de aliança, e que chama Seus discípulos a serem, em cada relação — no casamento, na amizade, na igreja — homens e mulheres de aliança.

Sim, existem exceções legítimas: a dureza do coração humano é real, e por causa dela existem casos genuínos de ruptura — infidelidade não arrependida, violência, heresia. O divórcio, como bem coloca meu pai, deveria ser uma porta de emergência: existe para situações de risco real, não para o uso corriqueiro do dia a dia. Mas a exceção nunca pode se tornar a regra. A vontade do Senhor é que sejamos fiéis uns aos outros, refletindo assim quem Ele mesmo é — porque, mesmo quando somos infiéis, Ele permanece fiel.

Que sejamos, então, esse tipo de discípulo: pessoas que não rompem por qualquer motivo, que não banalizam vínculos, que entendem que o crescimento espiritual acontece justamente na permanência, no ferro que afia o ferro. Que sejamos espalhados por toda a terra como homens e mulheres de aliança.

Amém.


Fonte: JesusCopy. Por que Deus odeia a quebra de aliança? | Sermão da Montanha #7 | Talmidim com Douglas Gonçalves. https://youtu.be/qr4NmeEFKCM?list=PLU0NnsEQStQZrCkJi7wpTml7o972ux2AH

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