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1 Timóteo 5:8: Não Basta Vencer Fora e Perder em Casa (Ml. 4:6; 1Sm. 2:24-25; 3:13; Hb. 12:6)

  1. Introdução: o vencedor que perde em casa — a leitura de 1 Timóteo 5:8 e o princípio de que ganhar os de fora e perder os de dentro é negar a fé.
  2. Perder dentro de casa é humilhante — a analogia do futebol: somos peritos no nosso próprio território, por isso perder ali não tem desculpa.
  3. O sofisma do sucesso que custa a família — a crítica aos homens que expõem "vitórias" enquanto perderam casamentos e filhos; o que é sucesso de verdade diante de Deus.
  4. Um pai que precisou mudar primeiro — o testemunho pessoal com o filho Luiz Antônio, o muro de comunicação, e a revelação de Malaquias 4:6 (converter o coração dos pais aos filhos).
  5. Recusando o projeto que custaria a família — a decisão de recusar a expansão da franquia para não perder o coração dos filhos; a reconstrução da relação com Luiz Antônio e Ana Clara.
  6. Eli: a tragédia da omissão — o exemplo bíblico de Eli e seus filhos (1Sm. 2:24-25; 3:13), a passividade que mata, e a diferença entre disciplina e omissão.
  7. Disciplina é amor — Hebreus 12:6 e a ideia de que dizer "não" ao filho é um ato de amor, não de dureza.
  8. A guerra das telas e a Ana Clara — o episódio recente sobre limites digitais, comunicação e o fruto da disciplina em amor.

Introdução: o vencedor que perde em casa

Não vou trazer algo expositivo hoje, mas quero que você medite comigo, porque creio que é a Palavra do Senhor falando ao nosso coração.

Abra a sua Bíblia em Primeira Timóteo, capítulo 5, versículo 8. A Escritura diz:

"Ora, se alguém não tem cuidado dos seus, e especialmente dos de sua própria casa, tem negado a fé e é pior do que um descrente." (1Tm. 5:8)

Deixa eu ler de novo, porque preciso que isso penetre: se alguém não tem cuidado dos seus, especialmente dos de sua própria casa, tem negado a fé e é pior do que um descrente.

Não basta ter vitória fora e perder em casa. Guarde essa frase, porque vou repeti-la muitas vezes ao longo desta palavra: não basta ter vitória fora e perder em casa.

Antes de entrar no princípio, preciso te dizer uma coisa: você é um vencedor. Sim, você. Se nós parássemos agora para ouvir os testemunhos de cada um que está aqui, encontraríamos histórias de batalhas vencidas, de áreas da vida em que você resistiu, permaneceu, cresceu. Você teve vitórias quando era jovem, teve vitórias na fase adulta. Aprendeu coisas, perdeu outras, ganhou outras. Mas, no fim, você é um vencedor.

E eu digo mais: o vencedor é aquele que vence a dor. Isso, por si só, já nos qualifica como vencedores. Mas Jesus foi além — Ele disse que somos mais que vencedores, porque Cristo venceu a morte por mim e por você. Essa é a base da nossa identidade.

Ainda assim, esta noite eu quero te despertar para um princípio. Para alguns jovens aqui, isso vai ser vacina — uma prevenção. Para outros, vai ser remédio — uma cura para uma ferida que já existe. O princípio é este: aquele que ganha os de fora e perde os de dentro é pior que um descrente. Ele nega a fé.

Vivemos um tempo de muita exposição, de muita validação externa, mas, em muitos aspectos, com pouca autoridade e pouco fundamento real. E preciso te dizer uma verdade que talvez ninguém tenha te dito com todas as letras: a primeira arena onde um homem demonstra o seu caráter não é no público. Não é na empresa. Não é no trabalho. Não é no futebol com os amigos, não é no churrasco, não é no grupo de convívio, não é no púlpito, não é no ministério servindo.

A primeira arena em que um homem demonstra o seu caráter é no lar. É em casa, na família — é nesse lugar que a nossa fé é provada. É nesse lugar que a nossa fé é validada.


Perder Dentro de Casa é Humilhante

Eu não sou o cara do futebol. Não entendo muito do assunto, confesso. Mas no mundo do futebol eu ouço uma coisa que sempre me chamou atenção: perder dentro de casa é humilhante. Você concorda?

Pense comigo por quê. Não é lógico. Você conhece o campo, conhece o gramado, conhece a iluminação. Você está em casa, com o maior público torcendo por você, vibrando pelo seu time. Você tem motivação, conhece tudo, conhece os quatro cantos daquele campo, o vestiário, a grama — você é perito naquele ambiente, até nos pontos de iluminação. Por isso é humilhante perder em casa: porque você é perito ali, você conhece tudo, você está no seu território, no seu chão, no seu terreno.

Agora eu quero fazer essa mesma pergunta para a sua vida. Nós vivemos um tempo em que muitos homens estão construindo empresas, influências, profissões, reputações — lá fora. E, ao mesmo tempo, estão se distraindo e perdendo dentro de casa. Com pequenas distrações, com pequenas negligências, esses homens estão perdendo exatamente no lugar em que deveriam ser peritos. Estão perdendo em casa — um lugar onde não deveriam perder — se distraindo com os aplausos lá fora.

A Bíblia nos ensina o contrário disso. Ela nos ensina que a maior autoridade, a nossa primeira arena, é em casa. É ali que eu preciso ter vitória. É ali que eu preciso vencer. É ali que a Palavra do Senhor precisa se manifestar na prática. É ali o meu primeiro lugar de testemunho do que Jesus fez na minha vida — é em casa, é no lar.

Não basta ter vitória fora e perder em casa.


O Sofisma do Sucesso que Custa a Família

Eu conheço muitas histórias de empresários que tiveram sucesso na vida. Venceram de verdade, prosperaram. Já ouvi muitos podcasts, participei de palestras e treinamentos, e vi essas pessoas exporem seus troféis, suas insígnias, as patentes de que venceram na vida. E muitos de nós ouvimos essas pessoas, às vezes até sem conhecer de fato a história por trás delas.

Tem alguns que chegam a expor as suas derrotas em casa como se isso fosse uma verdade a ser admirada. Preciso ser direto: isso é um sofisma. Isso é uma mentira disfarçada de verdade.

Conheço homens que tiveram sete casamentos e falam disso em um podcast com a maior leveza, como se fosse algo normal. Pode até ser comum — mas não é normal. Sete casamentos, meu irmão. Já pensou? Milionário, bilionário, a conta bancária cheia. "Ele venceu", dizem. Bom, talvez no aspecto financeiro dele. Mas, segundo o que a Palavra me ensina, esse homem perdeu. Perdeu porque a Bíblia diz que aquele que não cuida dos seus é pior do que um incrédulo. Ele perdeu em casa.

Casamentos têm se perdido. Famílias têm se perdido. Filhos têm se perdido pelo caminho do "sucesso". E eu preciso te perguntar: o que é sucesso para você? O que é prosperidade para você? O que é ter sucesso, de verdade, para você?

Essa é uma pergunta que vale a pena parar e responder com honestidade. Porque, às vezes, o sucesso que buscamos é apenas comparativo — é medir pelo que o outro tem, pelo que o outro conquistou. Mas não é assim que devemos viver. Você tem a sua milha, o seu propósito, a sua porção.

Sucesso é você alcançar aquilo que Deus tem para a sua vida — sim, uma vida abundante — mas sem perder os seus, sem quebrar princípios, sem desobedecer à verdade da Palavra. É dar bom testemunho. É ser diferente numa geração corrompida. É ser daqueles que não se dobraram a Baal, que não se dobraram a Mamom — daqueles que fazem do dinheiro o seu servo, e não o seu senhor. Essa foi uma das comparações que o próprio Jesus fez.


Um Pai que Precisou Mudar Primeiro

Meu filho mais velho está aqui hoje, e eu preciso contar essa história. Sou um pai convertido ao evangelho há mais de vinte anos, desde quando Jesus me encontrou perdido. Eu vivia num charco de lodo, cheio de vícios, cheio de comportamentos tóxicos. E, olhando para trás, só consigo pensar: que amor é esse, capaz de alcançar um homem tão pecador, tão sujo? Jesus pagou um alto preço por mim. Ele deixou as noventa e nove para buscar a ovelha perdida — aquela que se perdeu, que era eu, que era você.

Quando Jesus me alcançou, começou um processo de transformação na minha vida. E quando você tem um encontro assim com o Senhor Jesus, quando você sente o amor dEle, a salvação, a transformação — e você é pai — você recebe um peso diferente nessa caminhada. Você começa a pensar: não faz sentido eu ser salvo, viver o evangelho do Reino de Deus, e os meus filhos estarem perdidos.

Meu filho mais velho nasceu e cresceu no meio cristão. E qual era a minha oração? "Senhor, me ajuda." Porque eu entendo que a salvação é individual. O relacionamento com Deus é individual. Não dá para forçar alguém a se relacionar com Deus, não dá para forçar alguém a aceitar Jesus. A porta só tem maçaneta por dentro, virada para fora — não tem maçaneta do lado de fora. A Bíblia diz: "Eu estou à porta e bato. Se abrir, eu entrarei."

E nessa caminhada, o Luiz Antônio, por causa da religiosidade, por causa de uma série de coisas que passamos, teve o coração esfriado. Irmão, pense no coração de um pai. Pense na oração de um pai quando vê o coração do próprio filho esfriar. Eu fui orar, fui buscar a Deus, e quando me lancei aos pés do Pai, chorando, eu disse: "Senhor, eu não sei o que fazer, porque eu perdi o coração do meu filho." Naquele momento a nossa comunicação não estava saudável, eu estava afastado, porque meu filho atravessava uma fase — parecia que ele desviaria, mas não era bem esse o caso. Ele só estava frio.

Eu orei: "Senhor, muda o coração do meu filho. Alcança o meu filho, guarda os passos dele. Converte o coração dele, Pai." E naquela hora a voz do Espírito Santo veio sobre mim e disse: "Claudenir, meu filho, primeiro eu preciso mudar o teu coração. E quando o teu coração mudar, você vai converter o seu coração ao seu filho. E o seu filho vai converter o coração dele a você."

Eu lembrei exatamente do texto de Malaquias 4:6:

"Ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição." (Ml. 4:6)

Como homens, como pais, essa responsabilidade é nossa. E agora que você ouviu essa Palavra, não dá mais para correr dela. Assuma.

Entenda uma coisa: a maior estratégia de Satanás não tem a ver só com você. Satanás não te ataca apenas para te levar à morte eterna — o propósito dele é fazer um strike, é alcançar você e a geração que vem atrás de você. Satanás está de olho nos seus filhos, nos seus netos, nos seus bisnetos e tataranetos. Ele quer alcançar toda a sua geração, porque, se ele trouxer um padrão corrompido sobre você, se ele te derrubar hoje, esse pecado alcança a geração inteira.

Claudenir, cada um tem uma responsabilidade individual, sim — mas você abriu uma porta que não precisava abrir. E quando entendi esse texto, comecei a orar diferente. Eu disse: "Senhor, me dê sabedoria, porque eu preciso conquistar o coração do meu filho."

Mas eu não estava falando de uma criança de seis, oito ou dez anos, cujo coração ainda é uma esponjinha maleável. Quando a criança vai crescendo, ela começa a ter uma espécie de emancipação — vamos chamar assim — e se afasta aos poucos, porque começa a se entender autossuficiente. Isso é natural da vida. É natural preparar os filhos para crescerem, amadurecerem, saírem — eles não vão ficar presos a nós para sempre. Mas é justamente nessa fase que eles entram numa guerra de incertezas dentro da mente. E é nessa hora que o pai, muitas vezes, falha e corta a comunicação.

Eu me lembro de uma ministração do Fabianinho sobre não construir muros, mas construir pontes. A partir daquele dia, comecei a ter um alvo de oração, porque percebi que eu tinha construído um muro entre mim e o Luiz Antônio — um muro de comunicação. Eu era um pai exigente, um pai religioso, muitas vezes um pai grosso, que não entendia o coração do filho, que não entendia a fase que ele estava vivendo.

Não sei se você tem filhos, não sei em que fase o seu filho está agora. Mas a partir daquele momento eu comecei a perceber: "Senhor, eu preciso mudar." Porque ter sucesso na vida e perder a família não faz sentido para mim. Não faz sentido nenhum.


Recusando o Projeto que Custaria a Família

Naquele mesmo período, na mesma fase em que eu buscava mudar, recebi uma direção de expandir o meu negócio, logo depois de começar uma franquia. E quando fui conversar com um homem que me daria um grande acesso, em nível Brasil, para expandir a empresa como franquia, ele não era cristão nem um pouco. Mas foi ele quem me fez a pergunta certa — e isso foi muito antes da pandemia, quando não existia reunião online, não existia nada facilitado como hoje.

Ele me perguntou: "Você está disposto a abrir dez, quinze unidades, mas viajar vinte e tantos dias por mês? Disposto a deixar seus filhos, sua filha pequena?"

Naquele momento, um pai que quer ter sucesso em casa, e não somente fora, faz uma coisa: engaveta o projeto. Sem titubear, sem pensar duas vezes. Eu não queria perder o coração dos meus filhos.

Depois desse episódio, eu e Luiz Antônio fomos crescendo juntos. E também com a Ana Clara, foi uma outra oportunidade de comunicação, de uma maneira tão linda que, até hoje, tenho a alegria de ver o Luiz Antônio aqui — com vinte e sete anos, casado, assumindo as responsabilidades de homem de casa. Sentamos para tomar café, treinamos juntos, conversamos sobre muitas coisas. Tenho hoje a oportunidade de entrar em áreas do coração dele que eu nem imaginava ser possível alcançar.

Por quê? Porque eu decidi derrubar o muro e construir a ponte. Decidi mudar a minha comunicação. Decidi ser o pai que ele merecia. Decidi aprender que eu não estava sempre certo. Decidi, muitas vezes, ouvir o meu próprio filho — porque às vezes o pai é meio turrão, acha que sabe tudo.

Lembro de episódios na adolescência do Luiz Antônio em que eu errei com ele. Não sei se ele vai se lembrar de todos, mas eu fui duro demais em alguns momentos. E o que eu fiz? Porque, veja bem — às vezes oramos "Senhor, converte o meu coração", mas o comportamento nem sempre acompanha na mesma hora. Eu baixei a cabeça e pedi que ele me perdoasse. Ele era um adolescente, e eu era o adulto. Como diz uma frase do pastor Telmo: "o maduro cai primeiro." Eu errei, e precisei aprender esse princípio na prática.

Por isso repito: não basta ter vitória fora e perder em casa. Esteja atento a quando você perde em casa. E quando é que você perde em casa? Quando você perde o coração dos seus filhos.


Eli: A Tragédia da Omissão

Eli conduzia Israel, mas perdeu os próprios filhos por não os disciplinar. Eli foi omisso com seus filhos. E essa é uma realidade que vejo se repetir hoje: tem gente ganhando o mundo e perdendo o coração dos filhos. "Ah, mas eu estou trabalhando para trazer recurso, para dar o melhor para ele" — meu irmão, seu filho não quer presente. Ele precisa da sua presença. Ele precisa do seu coração. Ele precisa da sua sabedoria, da sua maturidade, da sua humildade. Porque existe pai orgulhoso a ponto de não conseguir romper essa barreira com o filho — sempre acha que está certo.

Ofni e Fineias, filhos de Eli, roubavam a carne do sacrifício, ameaçavam quem não aceitava suas exigências, faziam o povo desprezar o culto do Senhor, cometiam imoralidade sexual com as mulheres que serviam à entrada da Tenda. E eles não ouviam a repreensão do pai — não aceitavam a correção dele. Ou seja, não basta apenas ter uma boa comunicação. Seu filho também precisa de disciplina, porque quando você não disciplina o seu filho, você não o ama de verdade.

Já atendi muitos homens, meu irmão. Muitos homens chorando na minha frente, afundados na pornografia, na droga, em vários vícios, dizendo: "Meu pai nunca me disciplinou. Ele não me amava." Dizer não ao seu filho é amor. Dizer não ao seu filho é amor. E Eli não soube dizer não aos seus filhos.

A Bíblia registra:

"Eles, porém, não ouviam a voz de seu pai." (1Sm. 2:25)

"Porque eu lhe fiz saber que julgaria a sua casa para sempre, pela iniquidade que ele bem conhecia; porque os seus filhos fizeram coisas execráveis, e ele não os repreendeu." (1Sm. 3:13)

E olha o que diz também Primeira Samuel 2:24:

"Não, meus filhos, não é boa essa fama que ouço de vocês, fazeis transgredir o povo do Senhor."

Sabe o que é isso? É aquele pai que só diz: "Filho, não faz isso. Filho, vai cair. Filho, filho, filho..." Meu irmão, isso aqui não é disciplina. Já atendemos muitas pessoas que rejeitam o filho, muitas vezes só entregando um celular na mão dele para ele jogar — uma criança pequena. Quem não recebe disciplina não se sente amado.

Eli não disciplinava os seus filhos, e ele perdeu em casa. Os filhos replicavam o pecado por causa da rejeição e da omissão do pai. Ele morre com a marca de um homem passivo — e essa passividade era tão forte na vida de Eli que ele foi omisso até com a própria saúde, morrendo obeso. A passividade traz morte sobre a família. A passividade de um homem custou a vida dos seus filhos e a perdição espiritual deles.

Eu preciso te perguntar: você ama seus filhos? Você ama seus filhos mesmo? Então discipline-os na instrução do Senhor, no amor. "Instrui a criança no caminho em que deve andar" — a Bíblia não diz "instrui de longe", ela diz "instrui no caminho". Tem hora em que você precisa ser firme, não grosso. E é diferente. É bem diferente.


Disciplina é Amor

A Bíblia diz em Hebreus 12:6:

"Porque o Senhor disciplina a quem ama, e castiga a todo filho a quem recebe." (Hb. 12:6)

Precisamos entender isso com clareza: disciplinar não é um ato de dureza, é um ato de amor. Um pai que nunca diz "não" ao filho não está sendo bonzinho — está sendo omisso, como Eli foi. E a omissão, disfarçada de tolerância, tem o mesmo efeito destrutivo da rejeição aberta.

Disciplinar é diferente de ser grosso. Disciplinar é diferente de gritar, de humilhar, de descontar frustração no filho. Disciplinar é ser firme com amor, é dizer não quando é preciso dizer não, é estabelecer limites que protegem o filho de si mesmo, num momento em que ele ainda não tem maturidade para se proteger sozinho.

O filho que cresce sem esse tipo de firmeza amorosa aprende, cedo ou tarde, que os próprios limites não têm valor — e isso custa caro, como vimos na vida de Ofni e Fineias. Mas o filho que é disciplinado com amor aprende algo precioso: que existe alguém cuidando dele, mesmo quando ele não entende, mesmo quando ele reclama, mesmo quando ele reage no calor do momento.


A Guerra das Telas e a Ana Clara

Esse mês eu tive um episódio com a Ana Clara — e eu sei que ela vai querer me matar por eu estar contando isso aqui, porque ela pode estar assistindo agora. Mas foi tão significativo que preciso compartilhar.

A Ana Clara está com treze anos, vai fazer quatorze. E todos aqui sabem que uma das guerras que mais temos enfrentado hoje é a guerra das telas. E essa guerra é profundamente injusta com uma criança de seis, oito, dez, treze, catorze, quinze anos. Ela não é injusta comigo e com você, porque somos adultos, já formados, e sabemos que, se ficarmos só rodando tela, estamos perdendo vida, perdendo tempo, muitas vezes vendo coisas que não edificam e deixando de ler um livro. Mas exigir esse mesmo discernimento da mente de uma criança é injusto — ela ainda não tem a maturidade para controlar a dopamina de um toque de tela.

A Ana Clara é uma bênção na nossa casa. Temos uma confiança enorme nela — é uma menina de Deus, não existe nada que a desabone. Ela sabe o que é pecado, sabe quais coisas podem ser tóxicas, tem uma comunicação muito aberta conosco. Mas ela estava se excedendo nas telas, e nós não tínhamos mais nenhum controle ativo sobre isso. Quando ela era mais novinha, usávamos o Family Link, mas naquele período estávamos sem esse controle.

O que me abriu os olhos foi um retiro de casais, ouvindo outro casal conversar sobre o mesmo tema. Ali a ficha caiu. Cheguei em casa e tive uma conversa com ela antes de dormir, antes da nossa oração. Eu disse: "Filha, papai está percebendo que você não está tendo maturidade e está perdendo tempo de vida. Você não está lendo como deveria, está muito focada nas telas, e isso está afetando a sua saúde emocional. Às vezes até fica mais irritada. Agora o papai vai controlar o tempo do seu celular."

Pedi a ela a senha do celular para cadastrar no sistema de controle. Ela me perguntou: "Papai, você não vai gravar essa senha, né?" Eu respondi: "Não preciso gravar. Toda vez que eu precisar, você vai me dar. Não quero ficar vasculhando o seu celular." No dia seguinte, sentamos juntos, configuramos, estabeleci um limite para cada aplicativo e fomos definindo algumas regras com ela.

Meu irmão, você não tem noção da bênção que isso trouxe. E, olha, até negociamos. Às vezes ela me pede: "Papai, me dá mais um tempinho." E eu pergunto: "Você já leu?" "Não." "Quantas páginas você vai ler?" "Cinco." "Não, dez." E ela vai, lê as dez páginas.

Semana passada, num culto de mulheres, estávamos em casa comendo um hambúrguer, conversando, prestes a ver uma série juntos. Ela me disse: "Papai, essa semana eu fiz tanta coisa diferente, olha aí." E sabe por quê? Porque um pai se posicionou. Um pai abriu a comunicação. Precisei gritar? Não. Precisei brigar? Não. Precisei comunicar da maneira certa, disciplinar em amor. E assim eu estou protegendo a minha filha.

Numa segunda-feira, quando começamos esse controle, fizemos um acordo: ela leria um livro que ela escolhesse e outro que eu indicasse. Ela pegou um livro de quatrocentas páginas que estava procrastinando há tempos. Numa única manhã, leu duzentas páginas.

Meu irmão, não basta ter vitória fora e perder em casa. A disciplina em amor, a comunicação aberta, a presença constante — é isso que constrói pontes onde antes havia muros. É isso que faz um pai vencer exatamente onde ele mais precisa vencer: dentro da sua própria casa.


Fonte: Não basta ter vitória fora e perder em Casa | Claudenir Machado | Abba Pai Church. https://www.youtube.com/watch?v=V_xx11Azx1I

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