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1 Pedro 1:13-25: A Oferta que Nos Transforma: Por que Deus Não Precisa do Que Você Tem, mas do Que Você É

Introdução: Uma Palavra para Antes da Ceia

Quero compartilhar algo com vocês antes de partirmos o pão, antes de vivermos juntos esse momento de ceia. É uma palavra que creio vir de Deus para o nosso coração — uma palavra que, enquanto eu meditava sobre ela, esperando este encontro com os irmãos, fui percebendo que nos desafia profundamente.

Abro com vocês em Primeira Pedro, capítulo 1, a partir do verso 13:

"Portanto, estejam com a mente preparada, prontos para agir. Estejam alertas e coloquem toda esperança na graça que lhes será dada quando Jesus Cristo for revelado. Como filhos obedientes, não se deixem amoldar pelos maus desejos do passado, quando viviam na ignorância. Mas assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem, pois está escrito: 'Sejam santos, porque eu sou santo.' Uma vez que vocês chamam Pai aquele que julga imparcialmente as obras de cada um, portem-se com temor durante a jornada terrena de vocês, pois vocês sabem que não foi por meio de coisas perecíveis, como prata ou ouro, que vocês foram redimidos da sua maneira vazia de viver, transmitida por seus antepassados, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito, conhecido antes da criação do mundo, revelado nesses últimos tempos em favor de vocês. Por meio dele, vocês creem em Deus, que o ressuscitou dentre os mortos e o glorificou, de modo que a fé e a esperança de vocês estão em Deus. Agora que vocês purificaram a sua vida pela obediência à verdade, visando ao amor fraternal e sincero, amem sinceramente uns aos outros e de todo coração. Vocês foram regenerados não de uma semente perecível, mas imperecível, por meio da palavra de Deus, que é viva e permanece para sempre."

O que quero meditar com vocês esta noite é algo simples, mas de um efeito muito prático e eficaz — algo que pode realmente transformar o nosso entendimento e produzir mudanças na nossa vida, na nossa casa, nos nossos relacionamentos.

Às vezes não compreendemos certas coisas da parte de Deus. Quando Ele coloca diante de nós desafios, solicitações, demandas — e vamos deixar o Espírito ministrar o nosso coração agora — precisamos entender uma verdade essencial: Deus nunca nos pede algo que Ele antes não tenha dado.


Deus Não Pede Nada que Antes Não Tenha Dado

Quando Deus nos pede alguma coisa, quando Deus demanda algo na nossa vida, isso não é pelo que aquilo vai representar diretamente para Ele. É pela pedagogia, pelo ensino que Ele quer imprimir no nosso coração.

Todo pedido de Deus tem um teor que vem antes do valor em si, antes do bem, antes da ação propriamente dita: existe a pedagogia. Porque, na verdade, tudo que Deus quer é se dar a conhecer. Esse é o segredo da vida eterna. Quando Jesus estava orando e falando com seus discípulos, Ele disse: "A vida eterna é essa: que te conheçam a ti e ao filho a quem enviaste." Tudo que Deus faz é para que, ao fim, nós possamos conhecê-lo. E ao conhecê-lo, possamos experimentar, desfrutar, encarnar a vida de Deus — saber o que é, de fato, viver como Deus vive.

Muitas coisas na nossa vida não são um fim em si mesmas: são apenas um meio. Quando Deus nos mandou evangelizar o mundo, isso não é um fim — é um meio. E nem sequer é um meio de simplesmente salvar as pessoas, porque as pessoas são salvas pela graça. Deus poderia muito bem ter salvo todo mundo sem demandar a pregação.

Por que, então, Deus demanda que preguemos o evangelho e o anunciemos? Porque é nesse esforço de oferecer aos outros aquilo que nos foi dado livremente que nós vamos conhecendo a Deus. A obra de Deus na nossa vida é apenas um pretexto para que, ao fim dessa obra, a gente conheça a Deus.


A Ilustração dos Filhos: Por que Deus Conta Conosco Mesmo Sendo Ineficientes

Quero perguntar a vocês: quem tem criança em casa? Prestem atenção nisso.

Quando você chama um filho pequeno, inexperiente, para te ajudar em alguma coisa — quando você chama sua menina para te ajudar — você já parou para pensar? Você acredita mesmo que ela vai te ajudar? Você sabe que, ao fim, vai gastar mais tempo corrigindo o que ela fez do que propriamente recebendo a sua ajuda. Sem a participação dela, você terminaria mais cedo e melhor. Certo ou errado?

Então por que chamamos os nossos filhos para nos ajudar em alguma tarefa? Não é porque de fato estamos contando com a ajuda deles e que essa ajuda é imprescindível para terminar o serviço. Não é nada disso. Gastamos mais tempo corrigindo aquilo, vira uma novela, temos que fazer tudo de novo — é uma batalha.

Se fosse para simplesmente encher o mundo com a glória de Deus, para levar todo mundo ao céu sozinho, Deus já teria terminado. Já teria terminado! Vocês sabem por que está demorando tanto? Por causa de nós. É o tempo que Deus está gastando nos ensinando a respeito do coração dele, enquanto nós fazemos essa obra com Ele.

Por que chamamos os filhos para nos ajudar, amados? Porque queremos a prestação do serviço deles? Não. Contratar um funcionário eficiente sairia muito mais barato e seria muito mais rápido. Chamamos os filhos porque queremos ter relacionamento com eles, para que, ao fim daquele serviço, possamos dar-nos a conhecer a eles — para que, no fim, eles conheçam o nosso coração, o nosso amor, o nosso afeto, o nosso desejo de tê-los sempre junto.

Aquele serviço não é um fim em si mesmo. Aquilo é um pretexto para mantê-los próximos de nós, e, enquanto trabalhamos, vamos nos conhecendo melhor e repartindo valores e virtudes uns com os outros.

Tudo que Deus fez — todo o projeto com o homem, desde o jardim, até o projeto da cruz, a oferta do Filho — foi para que, no fim, pudéssemos conhecê-lo. Como diz a Palavra em Primeira Pedro, capítulo 1: para que, ao fim, nós pudéssemos ser como Ele é, fôssemos filhos de Deus.

Quando Deus nos chama à obediência, isso não é um capricho. Não é porque Deus tem uma crise de governo, nem porque Ele está precisando nos ajuntar como uma demanda de glória.


Glorificar a Deus: Desfazendo um Mal-Entendido

Às vezes achamos que, ao glorificar a Deus, nós vamos acrescentar glória a Ele — como se Deus tivesse todo o poder, toda a competência, mas lhe faltasse glória. Mas não é assim. Nós podemos gastar toda a eternidade glorificando a Deus com toda a força do nosso coração, e ainda assim não vamos acrescentar um único grama à glória que Deus já tem, antes mesmo de começarmos a glorificá-lo.

Então, o que é glorificar a Deus? Glorificar a Deus não é simplesmente atribuir glória a Ele. Sabe o que é glorificar a Deus? É conhecer a glória de Deus em nós. Quando glorificamos a Deus, a glória não aumenta em Deus. Sabe onde ela aumenta? Em nós — porque passamos a conhecê-lo mais intensamente e melhor. Esse é o objetivo.

O que a Palavra está dizendo é que o propósito de Deus é que, como filhos obedientes, possamos ser santos como Ele é santo. E isso quer dizer que Ele é sincero, puro, sem falsificação. É a excelência da pureza.


Santidade Não É Performance, É Sinceridade de Coração

Muitas vezes achamos que santidade é um padrão comportamental, em que vamos convencer a Deus pela qualidade das nossas ações. Mas não é assim, amados. A santidade não está relacionada à qualidade da ação propriamente dita, à pureza do que se apresenta — a santidade é definida pelo coração que apresenta.

Não conseguimos ser santos nas nossas obras, nas nossas realizações, se o nosso coração não for um coração sincero, um coração puro. O que é ser sincero? É ser sem cera, sem máscara, sem falsificação. Isso é santidade.

Santidade muitas vezes pode estar numa coisa que não tem nada a ver com o religioso, nada a ver com o espiritualista, nada a ver com o devocional. Às vezes, uma grande expressão de santidade está na forma como acariciamos alguém, ou como chamamos alguém para a nossa intimidade, para o nosso relacionamento.

É importante entendermos isso, porque a Palavra de Deus nos diz, aqui em Primeira Pedro capítulo 1, que foi através de uma oferta santa, pura, sem mancha, sem mácula, que Deus transformou a nossa realidade. Deus está nos mostrando que essa oferta tem um efeito transformador, um efeito renovador — ela muda o curso natural das coisas.

Da mesma forma, Ele nos exorta a que também sejamos como Ele, como filhos amados e obedientes, para que, ao agir, ao empreender qualquer coisa, ao realizar qualquer coisa, sejamos exatamente como o nosso Pai é santo, puro como Ele é puro — de modo que as nossas ações sejam ações sem nenhum outro interesse, sem nenhuma outra intenção que não seja abençoar, edificar, dar-se a conhecer.


Quando a Oferta Vira Moeda de Troca

O nosso problema, amados, é que toda vez que falamos de oferta, toda vez que falamos de devoção, até quando falamos de santidade, estamos de novo preocupados com o tipo de benefício que vamos alcançar através dessa oferta.

Aquilo que seria a coisa mais genuína na vida da igreja hoje, aquilo que seria a coisa mais simples na vida da igreja hoje, está virando moeda de troca. As pessoas hoje estão sendo estimuladas a ofertar na perspectiva da remuneração que vão receber pela sua oferta. Ora, mas a oferta que pretende remuneração já deixou de ser oferta — já mudou de natureza. Deixou de ser sincera, num certo sentido; deixou de ser santa.


A Oferta que Jesus Fez: Não Sua Capacidade, mas Sua Essência

Então, o que nos transformou? Foi uma oferta excelente, quando Jesus tomou o pão e disse:

"Isso aqui não é outra coisa senão a tipificação, o exemplo, o sinal do meu próprio corpo, que é oferecido em favor de vocês."

Ele é Senhor de todas as coisas. Ele é o Deus de todas as coisas. Ele é o Maravilhoso, o Deus Forte, o Pai da Eternidade, o Príncipe da Paz. E o que Ele ofereceu para nós? Ele não ofereceu da sua competência, não ofereceu da sua capacidade, não ofereceu do seu portento (um prodígio ou uma pessoa de talento genial), não ofereceu da sua majestade, não ofereceu das suas realizações. Ele não ofereceu o que Ele era capaz de fazer.

Muita gente partilhou do que Jesus era capaz de fazer e não teve a sua vida transformada. Quem tem a sua vida transformada é aquele que partilha de quem Jesus é na sua essência. Muitos experimentaram os seus milagres, viram os seus sinais, os seus prodígios, e nunca conheceram quem Jesus é. E Ele disse:

"No entanto, aquele que comer do meu próprio corpo, aquele que beber do meu próprio sangue, nunca mais terá fome nem sede, porque eu mesmo farei dentro dele uma revolução tal que, de dentro dele, fluirão rios de água viva."

Essa é a grande mudança. A melhor oferta é ofertar-se a si mesmo — não ofertar a sua competência, não ofertar as suas capacidades, não ofertar as suas realizações, não ofertar a sua beleza, mas ofertar o seu coração, a sua vida.

A Palavra de Deus diz que ninguém — prestem atenção — ninguém vai experimentar a vontade de Deus, a não ser que tenha ofertado o seu próprio corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, como resultado de um entendimento transformado.

Jesus está dizendo: é isso que pode revolucionar a sua vida — fazer como Ele fez. Toda vez que você comer desse pão, lembre-se do meu sacrifício. Traga à memória que isso é o meu corpo, a minha própria vida, quem eu sou. Não há como continuar sendo a mesma coisa depois de ter ofertado.


A Verdadeira Oferta Muda Quem Oferece para Sempre

Sabem, amados, o que acontece conosco é que, muitas vezes, no nosso relacionamento com os outros, nós queremos ofertar para continuar tendo o direito de ser a mesma pessoa. Mas a verdadeira oferta santa, aquela que pode revolucionar a vida dos outros, é a oferta em que eu não continuo mais sendo como eu era.

Às vezes, no casamento, na amizade, num relacionamento, eu quero ofertar alguma coisa e dizer: "Bom, agora eu estou livre para ser quem eu quero ser." Mas sabe o que Jesus está dizendo? "Eu nunca mais vou ser eu mesmo." Nós nunca mais vamos conseguir saber quem Jesus era antes de nós, porque não há mais Cristo sem a igreja, não há mais igreja sem Cristo. Nós somos um. Ele está ofertando algo do qual nunca mais poderá se desvencilhar.

Essa é a essência da oferta. Essa é a essência do sacrifício. Esse é o sacrifício santo.

Nós somos tão mesquinhos, amados. Somos negociadores. Somos agiotas da bondade. Porque, muitas vezes, queremos ofertar alguma coisa às pessoas, mas guardar para nós o suficiente que nos dê condição de começar uma vida nova e própria, caso aquilo não funcione.

Sabe o que pode mudar a vida de alguém ao seu lado? Ele finalmente perceber que aquilo que você está entregando a ele faz com que você nunca mais seja a mesma pessoa. Aquilo que você está entregando a essa pessoa mostra a ela que você nunca mais conseguirá voltar a ser quem você era antes. É assim que estamos partilhando uns com os outros, amados.


Não Existe "Cruz" no Sofrimento por Ignorância

Tenho uma coisa que às vezes me deixa impressionado: como interpretamos certas situações da nossa vida. Às vezes ouço alguém dizer: "Pastor, estou precisando de oração." Pergunto: "O que foi, meu irmão?" E ouço: "Minha mulher é difícil demais, pastor. Nervosa, ansiosa, sob pressão. É uma cruz na minha vida. Estou carregando uma cruz."

A mulher, por sua vez, chega e diz: "Pastor, vamos orar, vamos jejuar, porque meu marido é alcoólatra, sem vergonha, mulherengo, pão-duro — é uma cruz que eu carrego." O outro chega reclamando do carro, que não pega de manhã, que vive engasgando, que o faz passar vergonha no trânsito: "Isso é uma cruz que eu carrego, amado."

Isso não tem nada a ver com cruz. Isso tem a ver com ignorância, desobediência. Às vezes estamos enfrentando um casamento assim por falta de conhecimento de Deus, por precipitação, por ansiedade, por falta de submissão, por falta de graça. Às vezes um automóvel anda desse jeito porque ainda não entendemos que é melhor caminhar a pé até que Deus resolva outra coisa. Mas isso não tem nada a ver com cruz.

A cruz que nos redime é outra coisa. Essa é a cruz dos homens — a cruz onde colocavam os marginais, os desqualificados, os que não prestavam. Essa cruz nunca redimiu ninguém. Mas a cruz de Deus, essa cruz que é o poder do evangelho, essa cruz que muda a nossa vida, é a cruz onde Deus colocou tudo que funciona — onde Ele colocou o que é melhor, o que é puro, o que é digno, o que é perfeito, sem mancha, sem mácula.

Ficar aqui, tomando consciência de que minha mulher não corresponde às minhas expectativas, ou que meu marido não é tudo o que eu merecia — isso não vai mudar a vida de ninguém. Isso só vai aumentar o ressentimento, a amargura, a ansiedade.

O que de fato pode nos mudar é entender aquilo que Deus fez por nós. O que pode começar a mudar a nossa casa é entender a excelência da Sua oferta. Porque o que Deus colocou naquela cruz não era um carro enferrujado, com a ignição falhando — Ele colocou lá um veículo zero, do melhor tipo, que funcionava só de tocar na chave. Ele não colocou lá um homem adúltero, pão-duro — Ele colocou lá um homem perfeito, digno, que ama seus amigos, que ama sua mulher, que é respeitador de tudo e de todos. Ele não colocou lá uma mulher ansiosa e desconfiada — Ele colocou algo perfeito, santo, doador, misericordioso e rico em paciência e bondade. Isso é cruz.

O que redime, o que transforma, não é a oferta do que não está funcionando, não é abrir mão daquilo que nos desgasta. O que pode começar a transformar a nossa casa é olhar para o nosso Pai, sermos obedientes como Ele nos ensinou, e entender que, naquilo que Ele nos pede, Ele não quer receber alguma coisa de nós. Ele quer nos ensinar a sua pedagogia — quer mostrar o que pode de fato mudar a vida da nossa casa, do nosso trabalho, da igreja. E o que pode mudar é começar a colocar coisas excelentes em favor dos outros.


O Que Você Está Entregando em Casa?

Ontem fomos fazer uma visita a um irmão, e era preciso pegar um pedaço de terra — havia uns cinco carros para ir. Ao pegar a estrada esburacada, um já virou para o outro e disse: "Vamos no seu carro mesmo, que já está sujo." Eu comentei com o irmão: "Não, irmão, não estraga a oferta. Vamos no seu, que está limpo." Que valor tem pegar uma estrada de terra com um carro que já está sujo? Isso não vai redimir ninguém, não vai ensinar nada. Mas levar o carro limpo — esse pode mudar a história de alguém, pode falar a todos nós que somos importantes uns para os outros.

Tem marido que só passa perfume para sair de casa. Tem mulher que só se arruma para encontrar as amigas. Isso é muito triste — esse descuido, esse descaso com quem está mais perto de nós.

Eu mesmo, essa semana, quase cometi o mesmo erro. Cheguei à estrada pensando em usar uma camisa nova, mas simples, achando que ficaria mais à vontade. Mas senti no coração um chamado a pensar diferente: "Você vai falar sobre a excelência da oferta, sobre oferecer aos outros aquilo que é prazeroso para eles, não o que é mais cômodo para você." E, faltando poucos minutos, resolvi trocar de camisa, para vestir a que era mais bonita e cuidada. São coisas tão simples na nossa vida que podem começar a transformar a vida dos outros. O que o seu amado, o que o seu amigo, o que o seu cônjuge está recebendo de você?

A cruz das maldições, dos infortúnios, das desgraças, essa não pode mudar nada. Mas aquela cruz que transforma maldição em bênção — porque crucifica o melhor de nós — estabelece na nossa própria vida o direito dos outros e a certeza de que a nossa vida nunca mais será a mesma depois dessa oferta.

Precisamos disso na igreja. As pessoas estão precisando disso no mundo. Não daquela coisa que sai fácil do nosso bolso, não daquela coisa que sai fácil do nosso coração — mas, como diz a Palavra, o povo foi transformado, o povo foi contagiado, quando viu os seus líderes oferecendo aquilo que de fato era importante para eles. Os homens viram que a vida daqueles líderes nunca mais seria a mesma depois daquela oferta.

Às vezes queremos ofertar a nossa vida uns aos outros de uma maneira tal que a gente ainda continue sendo quem nós somos. Mas não é assim que a verdadeira oferta funciona.

Lembro de uma conversa recente, ainda dentro desse mesmo espírito de reflexão. Uma pessoa próxima da nossa comunidade compartilhou comigo o quanto sofria por sentir que nada em sua vida estava dando certo. O desejo dela era ter um apartamento bom, um carro bom, para poder dedicar a vida ao serviço de Deus com estrutura. Eu disse: "Não há nada de errado em desejar um apartamento bom, um carro bom. Mas você inverteu as prioridades. Você podia muito bem conhecer a Deus primeiro." Deus não quer o que custa dinheiro na nossa vida — Ele quer o nosso coração.

Às vezes Deus atrasa certas coisas na nossa vida para o nosso próprio bem, para que não nos equivoquemos, para que não continuemos pensando que o melhor está no preço daquilo que é trocado. Às vezes Deus faz tardar algumas coisas para que, enfim, possamos entender que o que Ele quer é mudar o nosso coração, para que aprendamos a valorizar a relação com Ele.

É triste como, às vezes, precisamos aprender certas coisas de modo tão difícil. Visitei um casal que nunca teve tempo um para o outro, nunca teve tempo de se alegrar mutuamente. Um vivia com medo do outro, o outro fugia por todo canto. Um casamento cada vez mais rico financeiramente — e, hoje, graças a Deus, eles têm dinheiro para pagar os melhores médicos, porque estão cada vez mais doentes. Mas hoje, quando vou à casa deles, vejo um cuidando do outro, um abraçando o outro. Eles têm todo o tempo do mundo agora. Antes, as palavras entre eles eram rudes, cheias de julgamento, de desconfiança, de crítica. Hoje, um cuida do outro com um carinho que antes não existia — porque, enfim, aprenderam o valor de ainda terem um ao outro.

Vamos deixar o Espírito de Deus ministrar o nosso coração. O que estamos entregando uns aos outros? Aquilo que você deposita na sua casa é parte de você. Aquilo que você deposita na sua casa faz com que você não seja mais a mesma pessoa a cada dia — ou é apenas o seu alvará de soltura, aquilo que te permite continuar vivendo a sua vida, fazendo seus planos e sonhando seus sonhos sem se comprometer de fato.


Conclusão e Oração: Uma Oferta que Assume Riscos

Ó Deus de misericórdia, Senhor, ensina-nos a partir o pão uns com os outros como quem parte os seus próprios corpos. Ensina-nos, ó Pai, nesta noite, uma vez mais, a nos ofertarmos uns aos outros.

Não apenas ofertar aqui ou ali. Não apenas entregar recursos aqui ou ali. Não apenas fazer coisas boas aqui ou ali. Mas que possamos entregar de nós mesmos. Que cada oferta, cada doação, cada tempo dedicado faça com que a nossa vida não seja mais a mesma. Faça com que estejamos sinceramente correndo riscos. Que, ao ofertar tempo na vida uns dos outros, a gente possa efetivamente estar correndo risco.

Não permita, Senhor, que continuemos a fazer ofertas tão seguras. Mas que possamos olhar para a cruz e ver que ali está o poder do Senhor para a salvação de todo aquele que crê. Cremos, ó Pai, naquela oferta sem mancha, sem mácula. E, ó Deus, queremos ser transformados por essa oferta. Assim, queremos amar sinceramente, ardentemente, de todo coração, uns aos outros — porque é isso que vai conseguir mudar a consciência e o coração dos outros.

Nós amamos porque o Senhor nos amou primeiro. De igual modo, também queremos amar. Queremos tomar essa iniciativa e amar como Jesus amou — que não teve medo da morte, mas se lançou nas mãos do Pai em favor dos seus irmãos. E assim nós também queremos nos lançar, Pai, nas tuas mãos, em favor dos nossos irmãos, assumindo todos os riscos, mesmo sabendo que enfrentaremos circunstâncias que podem nos marcar definitivamente.

Em nome de Cristo Jesus, que se levantem maridos dispostos a ofertar o melhor de si em favor das suas esposas e dos seus filhos. Que se levantem esposas dispostas a ofertar o melhor de si em favor dos seus maridos e dos seus filhos. Que se levantem filhos dispostos a ofertar o melhor de si em favor dos seus pais e dos seus amigos.

Que se levante, Senhor, em meio a nós, um povo disposto a ofertar não apenas dos seus recursos, mas do seu próprio coração, do seu próprio tempo, das suas próprias prioridades, dos seus valores mais intrínsecos, em favor uns dos outros. É assim que queremos amar. É assim que vamos partir o pão esta noite, no nome de Cristo Jesus. Que a nossa oferta, Senhor, comece a produzir essa mudança — que, ao olhar para nós, as pessoas se sintam entusiasmadas, encorajadas a também dedicar as suas vidas umas às outras, em nome de Cristo Jesus. Em nome de Jesus.


Fonte: Reino Online BR. VOCÊ PRECISA OUVIR ESSA SÉRIE (02)- Paulo Borges Junior. https://www.youtube.com/watch?v=M11PBxEsvh0

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