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Efésios 2:1-7: Graça sobre Graça: A Educação Divina que Vai Além da Salvação" (Ef. 4:7; Jo. 1:16; Tt. 2:11-12)

Mortos em Delitos e Pecados

Quero que você abra a sua Bíblia comigo em Efésios, no capítulo 2. Antes de falarmos sobre o que Deus fez, precisamos entender com clareza de onde Deus nos tirou. Porque só quando compreendemos a profundidade da nossa condição anterior é que conseguimos dimensionar a grandeza da obra que Ele realizou em nós.

A Palavra diz:

"E ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre eles, todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos, e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais." (Ef. 2:1-3)

Está escrito ali de forma clara e sem meio-termo: nós estávamos separados de Deus. Apartados por conta dos nossos pecados e delitos. Éramos, por natureza, filhos da ira, andando segundo o espírito da desobediência.

Mas eu preciso que você pare um instante e pense no peso real dessa palavra: mortos. Não fracos. Não doentes. Não distantes. Mortos.

Um defunto não faz nada. Um defunto não deseja nada. Um defunto não quer nada, não pretende nada, não propõe nada. E essa era exatamente a nossa condição — a condição de não propor, de não pensar, de não querer, de não poder, de não realizar absolutamente nada em direção a Deus.

Isso muda completamente a forma como entendemos a salvação. Porque se eu estava morto, então a iniciativa nunca poderia ter partido de mim. Um morto não decide se salvar. Um morto não estende a mão para pedir socorro. E é exatamente esse o ponto que Paulo está estabelecendo aqui: não foi depois que vivemos que Deus agiu — foi enquanto ainda estávamos mortos.

Estávamos totalmente separados do projeto de Deus por conta do nosso pecado e da nossa desobediência. Não havia em nós nenhuma capacidade, nenhum mérito, nenhuma disposição para mudar esse quadro. Essa é a base sobre a qual tudo o que vou desenvolver a seguir se apoia: a graça de Deus não encontrou em nós um ponto de partida. Ela criou o próprio ponto de partida onde não havia nenhum.


Vivificados Juntamente com Cristo

Agora veja o que a Palavra diz logo em seguida, e eu quero que você leia isso comigo com atenção, porque aqui está o coração de tudo:

"Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossos pecados e delitos, nos vivificou juntamente com Cristo — pela graça sois salvos — e nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez assentar nas regiões celestiais em Cristo Jesus." (Ef. 2:4-6)

Repare bem na ênfase que Paulo está trazendo: Deus não é apenas rico em misericórdia. Ele é riquíssimo. Essa é a intensidade com que Deus se moveu em direção a nós quando ainda estávamos mortos.

Deus nos vivificou quando não havia em nós nenhuma condição de merecer isso. Ele nos deu vida quando éramos incapazes de propor, de pensar, de querer. Isso é obra de Deus do começo ao fim. Deus nos amou na sua infinita bondade porque ele é, em si mesmo, misericórdia.

Mas o detalhe que eu quero que você entenda com profundidade é este: como ele nos vivificou. O texto não diz apenas que fomos vivificados — diz que fomos vivificados juntamente com Cristo. E isso muda tudo.

Cristo se identificou absolutamente e plenamente conosco na nossa morte, no nosso pecado. Ele nunca pecou, nunca conheceu o pecado, mas pela violência, pela agressão, pelo preço do pecado, ele morreu — porque tomou para si toda a consequência e todo o resultado da nossa desobediência. Ele morreu a morte do nosso pecado.

Quando ele estava ali dentro daquela sepultura, morto, tendo entregado voluntariamente ao Pai o seu espírito, ele não estava entre os que vivem — estava entre os mortos. E quando o poder de Deus visitou o seu Filho na morte, a vida de Deus atingiu e tocou todos aqueles que estavam em Cristo, mortos.

Preciso que isso fique muito claro no seu entendimento: se eu não compreender que estou em Cristo, que Cristo morreu comigo e eu morri com ele, que estamos juntos na morte — então eu não estou em Cristo na sua morte. E aquele que não está identificado com Cristo na sua morte, quando vem o poder de Deus para ressuscitar os mortos, não pode ser vivificado. Continua morto.

Há muita gente que acredita que não tem pecado, que não tem nada para acertar com Deus — e por isso mesmo, não se reconhece como morto. Mas todos aqueles que estão com Cristo e em Cristo na sua morte, quando a vida do Pai os atinge, ressuscitam juntamente com ele. No mesmo momento em que Jesus ressuscita, nós ressuscitamos com ele.

E não para por aí. A Palavra continua: ele nos fez assentar nas regiões celestiais, e nós com ele. Da sepultura direto para os lugares celestiais, na mesma glória de Cristo.

Aquela glória de Cristo saindo da sepultura, triunfante sobre a morte, é a mesma glória da igreja. É a glória que está sobre nós, porque estávamos com ele. Fomos arrancados de entre os mortos exatamente como Jesus foi arrancado.

Isso não é teoria. Precisamos amadurecer além de uma compreensão apenas conceitual do que significa salvação, porque há algo aqui que precisa ir além da doutrina e se tornar realidade vivida na nossa vida diária.


O Propósito Eterno: Mostrar as Riquezas da Graça

Agora chegamos ao ponto onde, muitas vezes, tropeçamos. Porque até aqui falamos do que Deus fez — nos vivificou, nos ressuscitou, nos assentou nas regiões celestiais. Mas existe uma pergunta que precisamos fazer: para que Deus fez tudo isso? Qual é o propósito?

A Palavra responde:

"Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça, pela sua bondade para conosco em Cristo Jesus." (Ef. 2:7)

Para que Deus foi lá tirar um povo desobediente, morto no seu pecado, e o vivificou? Para que ele manifestou a sua misericórdia? Ele fez tudo isso — nos tirando da morte, nos ressuscitando juntamente com Cristo e nos assentando nos lugares celestiais — para mostrar. Para revelar. Para manifestar. Para evidenciar. Para tornar explícito, para trazer revelação, de modo que todos possam ver e discernir. Para que, através da minha vida e da sua vida, fiquem evidentes, claras, inequívocas, as riquezas da graça de Deus.

Paulo retoma essa ideia mais adiante, ainda em Efésios, agora no capítulo 3:

"Para que através da igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja revelada, seja conhecida."

Deus fez todas essas coisas para que as riquezas da sua graça sejam conhecidas. Esse é o ponto que eu preciso que você entenda com profundidade: a salvação não é o destino final do plano de Deus — ela é a porta de entrada para um propósito muito maior.

E é justamente aqui que muitos param. Muitos entendem a graça apenas como o favor que nos tirou do inferno, e não avançam para compreender que essa mesma graça foi dada para se manifestar através de nós, de modo contínuo, crescente, diante do mundo. Deus não fez tudo isso apenas para nos salvar de uma sentença — Ele fez isso para que, através da minha vida e da sua, as riquezas da sua graça se tornassem visíveis, tangíveis, inegáveis para todos ao nosso redor.

Esse é o propósito eterno por trás de tudo: não apenas nos resgatar da morte, mas nos transformar em evidência viva daquilo que Ele é.


Graça sobre Graça: Um Crescimento, Não um Ponto Fixo

Quero que você volte comigo agora em Efésios, no capítulo 4, onde Paulo diz:

"Mas a graça foi dada a cada um de nós, segundo a medida do dom de Cristo." (Ef. 4:7)

E agora eu quero que você abra também em João, no capítulo 1, onde ele fala da obra de Cristo transformando-nos em filhos de Deus:

"Da sua plenitude, todos nós recebemos graça sobre graça." (Jo. 1:16)

Preste atenção nessa expressão: graça sobre graça. Não é graça uma vez, num único momento, e ponto final. É graça se somando à graça, continuamente, na medida da plenitude de Cristo.

E Paulo reforça essa mesma lógica em Romanos:

"Veio, porém, a lei, para que a ofensa abundasse. Mas onde o pecado foi abundante, superabundou a graça." (Rm. 5:20)

Para que Deus fez tudo isso? Para revelar, para manifestar as riquezas da sua graça. Deus fez tudo isso para que, onde o pecado havia dominado, agora a graça fosse superabundante. E os que experimentamos de Cristo, pela plenitude dele em nós, vamos recebendo, da parte de Deus, graça sobre graça. Graça sobre graça, sobre graça, sobre graça — vamos recebendo revelação em medida crescente, porque o propósito de Deus é justamente que as riquezas da sua graça sejam conhecidas.

E há um detalhe que preciso que você observe com atenção: a Palavra diz que Jesus, quando era criança, ia crescendo em estatura e conhecimento, e em graça diante de Deus e dos homens. É inequívoco: muitas vezes crescemos em estatura, crescemos em conhecimento — mas a Palavra também nos dá a entender que a graça é algo que aumenta, que cresce na nossa vida. Está falando de graça sobre graça. E está dizendo que o próprio Jesus, mesmo sendo Filho de Deus, o próprio Deus encarnado, crescia em tamanho, em sabedoria, em discernimento humano — e também crescia em graça diante de Deus e dos homens.

Pedro, escrevendo a sua segunda carta, no capítulo 1, diz:

"Graça e paz vos sejam multiplicadas pelo conhecimento de Deus e de Jesus, nosso Senhor." (2Pe. 1:2)

A graça é alguma coisa que vai crescendo na nossa vida. E na medida em que a graça de Deus vai crescendo, vão ficando mais evidentes também as riquezas dessa graça diante dos homens. E esse é o propósito de Deus.

Por que Deus fez tudo o que fez? Deus manifestou o seu amor desde a eternidade. Ele foi lá e nos visitou na nossa morte. Fez com que o seu Filho fosse encarnado, humilhado até a sepultura. Suportou o sofrimento e a agonia do seu Filho, e trouxe junto com ele todos aqueles que estavam mortos — não apenas para serem salvos, mas para serem colocados juntamente com Cristo, assentados à sua direita. E para quê? Para que a graça e as riquezas da graça sejam conhecidas. Deus quer aumentar a graça na nossa vida, de modo que possamos andar com Ele de graça em graça.

Muita gente está perdendo oportunidades na vida, muita gente não está crescendo espiritualmente como podia, porque tem da graça de Deus uma visão estanque, estagnada, estática. E quando falamos de graça, muitas vezes entendemos apenas o favor de Deus em perdoar os nossos pecados — e ficamos ali, diante de Deus, numa postura de agradecimento contínuo, mas parado. Sim, é verdade: a graça é um favor imerecido. Eu não merecia ser perdoado, merecia ser condenado, e Deus me perdoou. Pela graça sois salvos. Mas esse é só o começo — e é exatamente nesse ponto que muita gente para, sem acrescentar graça a graça, sem andar com Deus de graça em graça.


A Graça Não é Apenas Favor, é a Própria Natureza de Deus Revelada

Quando falamos do amor de Deus, não temos muita dificuldade em entender do que se trata. Quando falamos da comunhão do Espírito Santo, também não há grande dificuldade. Mas quando falamos da graça de Cristo, muitas vezes a única compreensão que temos dela é a de um favor — Deus nos fez um favor ao nos salvar. E, de fato, devemos estar contentes pela nossa salvação. Mas não podemos permanecer na casa de Deus como se ficássemos, para sempre, parados à porta de entrada.

Deus, de fato, nos salvou. De fato, nos ressuscitou. De fato, nos vivificou. Mas ele fez tudo isso para que a sua graça, e toda a riqueza dessa graça, fosse manifesta. E o que isso quer dizer? Que Deus abriu as portas da sua intimidade para nós. Que todos nós podemos conhecer a Deus exatamente como Cristo o conheceu.

Abra agora comigo em Tito, capítulo 2. Paulo escreve:

"A graça de Deus se manifestou." (Tt. 2:11)

Repare: não é "se manifestará" — é "se manifestou". Toda a graça de Deus já se manifestou.

Quando Jesus diz aos seus discípulos "quem vê a mim, vê o Pai; quem conhece a mim, conhece o Pai" — e João, em sua primeira carta, escreve que quem conhece o Filho conhece o Pai e é conhecido dele — e Hebreus, no capítulo 1, afirma que Jesus é a perfeita, a mais absoluta revelação, a perfeita imagem do ser de Deus — tudo isso está dizendo a mesma coisa: a graça não é apenas o favor que Deus nos fez ao nos salvar. A graça é aquilo que Deus é.

Deus é amor. Essa é a sua natureza, a sua identidade. E quando esse amor se movimenta, se mobiliza, ganha uma expressão, uma evidência, quando esse amor empreende e realiza alguma coisa — isso é graça. A graça de Deus é apenas a expressão visível, contestável, evidente e explícita do seu amor.

Um Deus que é amor, e que sempre foi amor, poderia ter continuado sendo amor por toda a eternidade sem nenhuma manifestação exterior. Mas quando esse Deus quis se revelar para fora do contexto da Trindade, quando decidiu trazer uma manifestação explícita para fora da intimidade do seu próprio ser — isso é graça de Deus. É mais do que um favor. É todo o poder do seu amor, toda a força da sua identidade, agindo, atuando, ganhando expressão visível. Isso ficou evidente em Cristo Jesus: toda a graça de Deus se manifestou plena e perfeitamente nele. Todo o amor de Deus ficou evidente em Cristo.


Salvos do Inferno, mas e do Mundo?

A Palavra, em Tito, continua: essa graça se manifestou e, quando se manifestou, trouxe salvação a todos os homens. Mas repare que não termina aí. O verso seguinte diz que ela também nos ensina a viver no mundo — a como ser salvos do mundo.

E eu preciso te dizer uma coisa: Deus tem muito mais para você do que apenas ser salvo do inferno. Tem muito crente miseravelmente salvo. Tem muito crente fazendo coisas terríveis. Não se iluda — você conhece gente que, por mais que esteja aprontando, ainda assim vai entrar. Todos os que nasceram em Cristo vão entrar. Mas muitas dessas pessoas desprezaram a oportunidade de serem uma evidência clara das riquezas da graça de Deus no mundo.

Porque essa graça não apenas nos concede um favor — ela infunde em nós um caráter, o caráter de Deus. Ela comunica a nós a natureza de Cristo, que é graça, para que também sejamos evidência clara e inequívoca de quem Deus é. Por isso a Palavra diz que essa graça não apenas nos salva — ela também nos educa.

Se o seu medo é ir para o inferno, e você já aceitou Jesus no coração, pode ficar tranquilo: você vai para o céu. Mas o segredo da vida cristã não está apenas nisso. O segredo é manifestar o Reino de Deus aqui, no mundo, agora.

Entre o inferno e o céu, existe o mundo. E às vezes o mundo fica pior do que o inferno. Não porque o inferno seja bom — mas porque, para quem já não vai mais para lá, o inferno deixou de ser uma ameaça presente. O que resta, então, é o desafio de viver bem o tempo que separa a salvação da eternidade. E um crente vivendo mal no mundo parece que errou de endereço — como quem abre uma carta que não era para ele.

Mas há uma verdade poderosa aqui: o Reino de Deus é chegado a nós antes de chegarmos ao céu. Isso é graça. Antes de alcançarmos a eternidade, o Reino dos céus já chegou até nós — até a nossa rua, até o nosso endereço, até a nossa casa. Isso significa que você não está apenas salvo — você pode experimentar, hoje, a plenitude do Reino de Deus onde você mora, onde você trabalha, onde você vive.

E se alguém quiser saber onde o Reino de Deus está, a resposta é: onde a igreja está. Porque a graça de Deus foi revelada e concedida à igreja, e agora a igreja vai manifestando as virtudes, o poder e a unção de Deus, de graça em graça, graça sobre graça.


A Graça que Educa: Berço, Pedigree e Caráter

Sabe por que muita gente vive um problema espiritual constante? Sabe por que muita gente vive uma vida que vai para o céu, mas experimenta uma vida espiritual fracassada aqui? Você vai se assustar: por falta de educação.

Tenho discernido isso na igreja como nunca discerni antes. Vejo muito crente batendo de frente um com o outro, gente sofrendo na área financeira, na área dos relacionamentos. Você sabe por que tem tanto marido e mulher sofrendo, tanto casamento que não avança? É crente, os dois vão para o céu — e essa vai ser a grande surpresa do dia final, quando o casal se encontrar lá e perceber que passou a vida inteira sofrendo apesar de terem o mesmo endereço final. E o motivo, eu vou te dizer, é falta de educação.

Isso quer dizer: gente que não se deixou educar pela graça de Deus. Gente que gosta de coisas prontas, que gosta que os outros façam por ela, que entende que tudo o que Jesus veio fazer foi nos tirar do inferno — e continua esperando que Jesus faça o resto sozinho. Mas não se deixa educar pela graça, de modo que as suas atitudes espelhem a graça de Cristo, e não a sua desgraça.

E você sabe o que significa a palavra "desgraça"? Falta de graça. E por que muita gente vive em desgraça? Porque falta graça. E por que falta graça? Porque falta educação na graça de Deus. São pessoas que não se deixam educar no caráter, no temperamento, nas atitudes, no comportamento, para espelhar aquilo que Cristo é — e continuam a ter, da vida com Deus, uma visão apenas contemplativa, estática, em que Deus nos salva do inferno e ponto final. Continuam esperando que Deus resolva sozinho as situações financeiras, os relacionamentos, o casamento — sendo que a salvação para todas essas coisas é justamente deixar-se educar pela graça de Deus, de modo que ela eduque o nosso temperamento, a nossa mente e o nosso coração.

Há uma expressão antiga que os mais velhos usavam, e que hoje quase ninguém mais pergunta: "Qual é a sua graça?" Não perguntavam o nome — perguntavam a graça. Porque falavam da família, da história, da herança. E qual é a nossa herança? Graça. Deus nos gerou de novo não para simplesmente levar um bando de salvos para o céu, mas para formar uma família de filhos, de modo que em cada momento da nossa vida possamos ser expressão da sua graça — assim como Jesus crescia em graça diante de Deus e diante dos homens.

Que a graça de Deus se torne cada vez mais evidente na sua vida diante dos homens, para que você revele que tem berço, que tem pedigree, que recebeu uma boa educação, que o seu Pai te ensina bem em casa e comunica, dia após dia, as suas virtudes através da sua vida. Porque para isso Deus te levantou: para que as riquezas da sua graça sejam conhecidas através de você. Para que, quando alguém pegasse o seu endereço, estivesse pegando o endereço da graça, o endereço do Reino de Deus.


Desgraça é Falta de Graça

Quero aprofundar ainda mais esse diagnóstico, porque ele é sério e precisa ser levado a sério. Muitas vezes, quando enfrentamos problemas em casa, quando os nossos desafios não são superados, é porque deixamos o nosso temperamento, a nossa história humana, as nossas características humanas irem à frente. Ficamos tentando ser um homem, uma mulher salvos, fazendo algo que não sabemos fazer — quando, na verdade, Deus quer nos ensinar, quer nos educar a fazer exatamente aquilo que ainda não sabemos.

Muita gente, por falta de paz, tenta viver o Reino de Deus, tenta viver a vida de Jesus, e fica ali, um crente salvo do inferno, tentando desesperadamente fazer o que não sabe fazer — em vez de se deixar educar no temperamento, nas atitudes, para fazer o que agora ele sabe fazer, porque é próprio da ação de Deus na sua vida.

Muitas vezes a sua própria família ainda não conheceu o seu testemunho, porque ela apenas viu a sua salvação, mas ainda não experimentou a sua boa educação. A sua família já sabe que Deus está te educando — ou, cada vez que a pressão aperta, tudo o que ela vê é um crente nervoso, um salvo magoado, ressentido. E existe muito salvo magoado por aí.

Às vezes pregamos o inferno para alguém dia e noite, dizendo "cuidado, se você não aceitar Jesus vai para o inferno" — quando, na verdade, essa pessoa já está mais perto do céu do que nós, porque o conhecimento elementar que ela tem de Deus já garante a ela a salvação, e às vezes há mais temor de Deus no coração dela do que no nosso. O que ela precisa ver em nós não é a ameaça do inferno — é que somos bem educados, que ouvimos os ensinamentos de Deus e nos deixamos educar pela sua graça.

E quero deixar isso bem claro: ninguém nasceu sabendo coisa alguma. Ninguém nasceu sabendo escrever, falar, ler, se comportar, se cuidar, se limpar. Tudo isso aprendemos quando recebemos educação, quando somos ensinados. As pessoas que não são ensinadas não se cuidam, não se tratam — continuam a se comportar como animais, porque a Palavra diz que a sabedoria do mundo é animal, terrena e demoníaca. Se você quer uma pessoa bem formada, que se porte bem, que se saia bem em todos os desafios da vida, é preciso educá-la — ou é preciso pagar o preço de ser educado.

A graça de Deus quer nos educar a como viver neste mundo, a como ser salvos deste mundo. Uma coisa já está resolvida na sua vida: você não vai mais para o inferno. Mas agora você pode ser livre do mundo. Você não precisa manifestar as tendências desta geração — você pode ser um instrumento para manifestar as tendências do céu.


Uma Oração de Entrega à Educação da Graça

Quero fechar essa palavra com uma oração, e convido você a fazer dela a sua também, colocando a mão sobre o coração:

Ó Deus bendito e amado, nós queremos ser educados. Somos os teus filhos. A tua Palavra diz que o teu Espírito nos ensina a respeito de todas as coisas. Tantas vezes, ó Pai, temos colocado o nosso temperamento, o nosso estilo pessoal, as nossas maneiras à frente de todas as coisas, e nos esquecemos de que foi justamente para isso que Jesus nos salvou — para que manifestássemos não aquilo que somos, mas aquilo que Cristo é.

É bem verdade que o Senhor nos amou como nós éramos, mas também é bem verdade que o Senhor não quer nos deixar como nós éramos. O Senhor não se conforma ao que somos. O Senhor quer manifestar a sua graça através de nós.

Nós queremos ser um povo bem educado pela tua graça. Um temperamento transformado, uma mente transformada, um comportamento transformado, uma atitude transformada, um sentimento transformado pela graça de Jesus.

Um amor que não fica apenas em palavras, que não fica apenas em conceitos ou ideias — como o amor do Senhor não ficou — mas um amor que age, que se exterioriza, que rompe os limites da intimidade para se revelar em graça, para que o nosso amor por ti e o teu amor por nós se revelem, dia a dia, em manifestação da tua graça.

Pela graça temos sido salvos, mas pela graça também somos educados. Queremos ser, ó Deus, uma manifestação do teu caráter, para que o povo conheça qual é a nossa graça, qual é o nosso berço, o nosso pedigree, a nossa história — de onde fomos gerados, de onde fomos tirados, o que expressamos e revelamos a este mundo: a tua graça.

E que isso, ó Deus, aumente em nós a paz, de modo que não precisemos andar ansiosos de coisa alguma, que não precisemos afetar quem quer que seja, e que não sejamos afetados por nada, a não ser pelo teu amor.

Levanta no meio de nós um povo bem educado, um povo que cresce, que anda, que amadurece. Dá-nos o mesmo crescimento de Jesus: crescimento de estatura, de conhecimento, mas sobretudo um crescimento de graça.

Comunica graça ao nosso coração, para que o endereço da nossa vida seja o endereço da tua graça, o endereço do teu Reino — para que o mundo conheça o teu Reino, para que o mundo conheça a tua graça, através da nossa vida.

Muitas vezes os nossos desafios não são superados porque deixamos o nosso temperamento, a nossa história humana, ir à frente da nossa vida com Deus. Mas a Palavra nos promete graça em graça, graça sobre graça — e é isso que devemos buscar, dia após dia, até que o mundo, através de nós, conheça verdadeiramente qual é a nossa graça.


Fonte: Reino Online BR. VOCÊ PRECISA OUVIR ESSA SÉRIE (03)- Paulo Borges Junior. https://www.youtube.com/watch?v=PtRLTlnhUz8

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