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description Artigo Cristãs groups Teologia e Pregações

Lucas 6:1-11: Senhor do Sábado: Como Jesus Desmascarou o Peso da Religião em Lucas 6

  1. O Odre Novo Não Cabe na Velha Religião — contexto: a continuidade da mensagem do domingo anterior sobre odres velhos e novos, introduzindo o conflito que se revela em Lucas 6.

  2. As Espigas no Sábado: Discípulos Famintos e Fariseus Acusadores (Lucas 6:1-5) — o relato da colheita de espigas, a acusação farisaica e a resposta de Jesus citando Davi (1 Samuel 21:1-6) e os pães da proposição.

  3. O Sábado Segundo a Lei: Descanso, Não Escravidão (Êxodo 20:8-11; Êxodo 23:10-11; Números 28:9) — o propósito original do sábado como dádiva de Deus, não como fardo.

  4. O Homem Escravo da Sua Própria Produtividade — a crítica contemporânea ao workaholism, ao celular, à ganância como formas modernas de escravidão que o sábado deveria combater.

  5. Quando a Religião Transforma Descanso em Peso — como os mestres da lei multiplicaram regras sobre o sábado, e a distinção entre a lógica do Reino (dar vida) e a lógica da religião (sugar o povo).

  6. A Lei da Colheita e a Irmandade (Deuteronômio 23:24-25; Levítico 19:9-10) — as leis que permitiam colher para comer, promovendo solidariedade entre os pobres e os donos da terra.

  7. Os Pães da Proposição e Davi em Fuga (1 Samuel 21:1-6; Levítico 24:9) — o episódio de Davi com o sacerdote Aimeleque, e o significado alegórico dos "pães da presença" apontando para Cristo, o Pão da Vida.

  8. A Cura da Mão Ressequida no Sábado (Lucas 6:6-11) — o segundo confronto na sinagoga, a pergunta retórica de Jesus e a fúria dos religiosos diante da cura.

  9. Jesus, o Verdadeiro Sábado do Povo (Mateus 11:28; João 6:35) — Cristo como alívio, pão e descanso definitivo, além do cumprimento ritual.

  10. A Religião Que Aprisiona vs. o Reino Que Liberta — a crítica mais ampla: como rituais, ofertas, evangelismo por metas e células podem se tornar fardos quando a religião substitui a comunhão genuína — e o exemplo histórico de guerras e ideologias religiosas que oprimem.

  11. Oração Final: Que Cristo Nos Liberte da Religião e do Trabalho Escravizante — fechamento com a súplica pastoral por libertação dos "dois monstros": o trabalho desenfreado e a religião legalista.

O Odre Novo Não Cabe na Velha Religião

Estamos agora em Lucas capítulo 6. No artigo passado falei sobre os odres velhos e os odres novos — sobre como o novo Evangelho não cabe na velha religião. Ela vai se romper, vai estourar, não vai aguentar. Jesus estava ensinando isso às pessoas que o acompanhavam e o seguiam, e Lucas está registrando isso para Teófilo. Preste atenção, Teófilo: essa velha religião que você tem ouvido de todos os lados não vai suportar o novo Reino que chega. Ele vai se expandir, e ela vai se rasgar.

Logo em seguida já acontece outro fato em que Jesus começa a colocar os pingos nos "is" — talvez as primeiras costuras dessa religião que vão romper diante do novo Reino.

Lucas 6:1-5 — Aconteceu que, num sábado, Jesus passava pelas searas, e seus discípulos comiam espigas, debulhando-as com as mãos. Alguns dos fariseus lhe disseram: "Por que vocês fazem o que não é lícito aos sábados?" Jesus tomou a palavra e disse: "Vocês nem ao menos leram o que fez Davi quando teve fome, ele e seus companheiros? Como entrou na casa de Deus e, pegando os pães da proposição, comeu e deu também aos que estavam com ele — pães que não lhes era lícito comer, mas exclusivamente aos sacerdotes." Então Jesus lhes disse: "O Filho do Homem é senhor do sábado."


As Espigas no Sábado: Discípulos Famintos e Fariseus Acusadores

O texto de Lucas 6:1-5 traz o primeiro dos dois episódios que vou desenvolver hoje. Jesus e seus discípulos atravessavam as searas em um sábado, e os discípulos, com fome, colhiam espigas e as debulhavam com as próprias mãos. Foi o suficiente para que alguns fariseus se levantassem com a acusação: por que vocês fazem o que não é lícito aos sábados?

Eu não respondo isso com uma explicação teórica sobre a lei. Vou direto ao ponto que mais incomoda um religioso: cito um exemplo da própria história de Israel que eles conheciam de cor. Pergunto se eles não leram o que fez Davi quando teve fome, ele e seus companheiros — como entrou na casa de Deus, pegou os pães da proposição e comeu, e ainda deu aos que estavam com ele, pães que não era lícito comer a ninguém além dos sacerdotes.

Note a estrutura da minha resposta: não nego a lei, não digo que ela não vale mais. Eu mostro que a própria história sagrada deles já continha uma exceção — porque a fome de um homem em necessidade sempre foi mais importante, aos olhos de Deus, do que o cumprimento frio de um estatuto. E então concluo com a frase que resume tudo o que quero dizer sobre o sábado: "O Filho do Homem é senhor do sábado."

Essa frase não é apenas uma afirmação de autoridade pessoal. É uma declaração sobre o propósito de toda a lei: ela existe para servir ao homem sob o senhorio de Deus — e não o contrário.


O Sábado Segundo a Lei: Descanso, Não Escravidão

O sábado era um dos pilares da religião. Era o dia correto em que eles deveriam não só guardar e preservar, como também adorar — e fazia parte da lei. Eles deveriam mantê-lo. Mas o sábado foi dado ao homem para que o homem se preservasse. Se você ler Êxodo 20:8-11, diz assim:

"Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra, mas o sétimo dia é o sábado dedicado ao Senhor teu Deus; não farás nenhum trabalho nesse dia, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas — porque em seis dias o Senhor fez os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia do sábado e o santificou."

Nós somos gente que trabalha demais. O sábado era um dia em que Deus dizia: você já trabalhou o suficiente, agora você não trabalha. Eu creio que o sábado também era um contraponto dentro da produção do homem, para que o homem não entrasse na loucura do trabalho, e para que ele não se apaixonasse pelo fruto do seu próprio trabalho. O fruto era para o bem do homem — e não o homem para o fruto. Era para que o sentido da existência, e tudo o que Deus havia dado ao homem na terra, fosse bênção e alegria para ele, para sua satisfação, para que ele tivesse o seu descanso. Não para que o homem fosse escravo daquilo que possuía, mas para que aquilo que ele possuía estivesse a seu serviço — e não o contrário.

Se você olhar para Êxodo 23:10-11, a lei diz o seguinte:

"Durante seis anos semearás a tua terra e recolherás os seus frutos; porém, no sétimo ano, deixarás a terra descansar e não a cultivarás, para que os pobres do teu povo achem o que comer, e os animais do campo comam do que sobrar. Faze o mesmo com a tua vinha e com o teu olival."

E continua, no mesmo espírito:

"Seis dias farás o teu trabalho, mas no sétimo dia descansarás, para que descanse também o teu boi e o teu jumento, para que se revigore o filho da tua escrava e o estrangeiro."

Deus, na sequência desse mesmo texto, ainda adverte: "atenção a tudo que eu tenho dito a vocês — o nome de outros deuses não deve ser lembrado nem pronunciado por vocês." E até a terra descansaria no sétimo ano — um sábado para os anos. Ao invés de plantarem, deveriam deixar a terra como está, para que os pobres também pudessem colher, para que a terra descansasse, para que os animais descansassem — para que o homem usufruísse, e não fosse um louco que trabalha sem parar.

E olha o que é interessante em Números 28:9:

"No dia de sábado, ofereçam dois cordeiros de um ano, sem defeito, e quatro litros da melhor farinha amassada com azeite, em oferta de cereais, e a libação que a acompanha. Esse é o holocausto de cada sábado, além do holocausto contínuo e da libação que o acompanha."

O sábado significava, portanto, uma dádiva inteira de Deus ao homem — em que o homem não seria escravo do seu trabalho, mas o fruto do seu trabalho estaria a serviço do próprio homem.


O Homem Escravo da Sua Própria Produtividade

Hoje em dia nós vemos uma loucura. Nós temos pessoas com burnout, e tratam isso como se fosse uma coisa boa, por incrível que pareça. O homem se transformou numa máquina. Ele aprende todos os tipos de mecanismos lógicos e de cognição para melhorar sua performance, para melhorar o seu desempenho — e ele se torna sempre uma máquina de produção.

Essa porcaria chamada telefone não deixa você jantar, não deixa a gente almoçar, não deixa a gente nem assistir a um filme com a esposa, abraçado, diante da TV. Antes éramos escravos da TV; agora, a cada intervalo de um jogo de futebol, quando a bola sai ou algum jogador se machuca, corremos para o telefone para saber se alguém nos mandou mensagem. Nossa cabeça não para, porque o ser humano virou escravo da sua própria loucura, escravo da sua própria ganância, escravo de ter, escravo de produzir. Nós nos transformamos nessa máquina, vivemos nos alimentando de técnicas de como sermos melhores e produzirmos mais, e darmos mais resultados — porque, por isso, teremos mais dinheiro e mais terra. Só que nunca usufruímos do que temos, porque a todo instante estamos loucamente ligados em tudo, e a nossa cabeça simplesmente explode.

Eu vejo também que essa ganância — que é fruto do próprio pecado do homem, o amor ao dinheiro, que é raiz de todos os males — era exatamente aquilo contra o que a lei e a ideia do sábado se colocavam: pare, descanse sua terra, seus animais, seus servos. Vá ao templo, ofereça o sacrifício do sábado, que naquele momento significava a sua comunhão com Deus. Pare. Escute.


Quando a Religião Transforma Descanso em Peso

O problema é que a religião transformou o sábado num outro peso. Os mestres da lei tinham as suas interpretações sobre o que você podia fazer no sábado: que distância você poderia percorrer, que tipo de peso você poderia carregar. E o sábado se transformou num fardo para o ser humano, porque a religião colocou tantas leis sobre ele que, ao invés de ser um descanso, tornou-se outro peso — o peso da religião. É a velha religião que vai rasgar como um odre velho ao receber vinho novo: vai explodir, ela não vai suportar, porque a religião traz peso sobre o ser humano — o que pode, o que não pode, o castigo, a maldição que você vai receber.

A lei foi dada para que o homem pudesse usufruir do seu descanso, e acabou se transformando num peso para o ser humano — a ponto de Jesus Cristo, ao procurar curar um homem no sábado, ser tido como infrator da lei da religião. O rapaz que foi curado e carregou o seu leito — ao invés de ser motivo de festa, porque ele teve descanso da sua enfermidade — a religião não se alegrava com ele carregar o leito; acusava-o de estar maldito por carregar o leito no sábado, por estar "trabalhando". Não é isso que Deus estava dizendo. O descanso tem a ver com tudo aquilo que Deus havia dado para o homem — não apenas um não fazer nada, mas todo o bem.

A lógica do Reino de Deus, Teófilo, é alimentar e dar descanso ao povo. A lógica da religião é sugar o povo para sua própria manutenção. A lógica do Reino é dar vida eterna àqueles que temem a Cristo; a lógica da religião é perpetuar o seu sistema e os benefícios aos seus líderes.

Para qualquer um que leia esse texto, fica claro que não tem nexo a lei ser cumprida e os homens continuarem com fome — se Deus deu a lei para o bem do povo, e não apenas para a alegria do seu cumprimento, como se Deus fosse sarcástico, como se estivesse dizendo, da sua eternidade: "dane-se que você tem fome, mas não fizeram nada no sábado" — como se Deus se alegrasse com uma regra, e não com um ser humano. Em outro trecho, Jesus disse: não foi o homem criado para o sábado, foi o sábado criado para o homem. O homem não pode ser escravo do sábado, porque o sábado foi feito para abençoar o homem. E isso serve para todas as regras religiosas que não têm nexo.

Eu imagino quantas vezes você, dentro de uma comunidade religiosa, já perguntou aos líderes — ou a si mesmo — que nexo tem esse tipo de prática. "Tudo bem, eu estou cumprindo uma lei, mas não está fazendo bem para ninguém — alguém está se beneficiando dela." A lógica de Deus é o bem. A lógica de Deus é a paz.


A Lei da Colheita e a Irmandade

Quero trazer outro texto para vocês. Deuteronômio 23:24-25 diz assim:

"Quando entrarem na vinha do seu próximo, podem comer as uvas à vontade, até ficarem fartos, porém não devem levá-las embora num cesto. Quando entrarem na plantação do seu próximo, podem arrancar as espigas com as mãos, porém não deve colher nada com a foice."

O que a lei estava dizendo? Se você está com fome e entra na plantação do seu irmão, você não vai colher com foice e roubar para fazer negócio — mas você pode colher para se alimentar. A lei queria promover a irmandade. Você sabia disso?

E leia comigo Levítico 19:9-10. Olha o que estava escrito:

"Quando você fizer a colheita da sua terra, não colha totalmente o canto do seu campo, nem volte para recolher as espigas caídas. Não seja rigoroso demais ao fazer a colheita da sua vinha, nem volte para recolher as uvas que tiverem caído no chão. Deixe-as para os pobres e os estrangeiros. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês."

Muito bonito isso. E me faz lembrar de casa: desde pequeno, quando minha mãe, minha tia e minha tia-avó faziam bolos, elas estavam sempre juntas, e eu queria raspar a tigela quando elas tiravam a massa para colocar na assadeira — recolhiam tudo, até o restinho que sobrava naquela tigela, e eu pegava para raspar e lamber aquela massa docinha. Hoje inventaram um tal de forma de "pão duro" — um negócio meio de borracha, que você raspa e não sobra nada. Quem inventou isso? Não sobra nada na tigela para mim.

Faço essa brincadeira, mas ela ilustra bem o princípio: desde pequeno é assim, e não faz mal nenhum comer aquela massa que sobra — assim como não fazia mal nenhum, na antiguidade, deixar os cantos da colheita e as espigas caídas para quem precisasse. Na antiguidade havia muitos nômades, muita gente procurando terra, muita gente se movimentando. O estrangeiro entraria na sua terra e encontraria alguma coisa para pegar, e você deixaria os cantos para o pobre, para que ele tivesse o que comer quando passasse.

Foi exatamente isso que Jesus e os seus discípulos fizeram naquele sábado: cansados, com fome, apenas fizeram aquilo que já estava escrito na lei. Porque esse era o descanso da fome — o descanso da ausência de alimento, um alento para o pobre, não um cansaço físico, mas o cansaço do estômago de ficar sem comer. Era um alívio para aquele que passava por uma terra e tinha necessidade. Será que Deus estava sendo contraditório com a sua própria lei? A lei não dizia que o estrangeiro, ao passar no sábado, não poderia colher. Quem dizia isso eram os religiosos — porque os religiosos têm satisfação em ver a regra cumprida, mesmo que a pessoa sofra, porque a religião impõe uma escravidão aos seus próprios adeptos. São os adeptos e fiéis que sustentam a roda da religião, e isso custa caro.

Deus havia dado a lei para alívio e descanso do homem, mas a religião não dá descanso ao ser humano — ela precisa que o fiel se sacrifique todos os dias e seja refém das suas interpretações para que ela possa subsistir. As interpretações de maldição, de peso e de culpa mantêm as pessoas prisioneiras, necessitando da bênção e pagando alto para serem "expurgadas" dos seus pecados. É assim que a religião se alimenta.


Os Pães da Proposição e Davi em Fuga

Levítico 24:9 diz assim:

"Esses pães serão de Arão e de seus filhos, os quais os comerão no lugar santo, porque são coisas santíssimas para eles, das ofertas queimadas ao Senhor, como estatuto perpétuo."

No texto que lemos, Jesus disse que num sábado Davi entrou na casa do Senhor e comeu os pães da proposição, que ele não poderia comer — são esses pães mencionados aqui. E, na lei, esses pães ficavam sobre uma mesa: a mesa da proposição. A palavra "proposição" vem, no hebraico, de um termo que significa literalmente "os pães da face", "os pães da presença". Esses pães eram colocados no sábado, quando eram feitos quentinhos, e ficavam uma semana ali naquela mesa — ninguém os tocava. No sábado seguinte, eram trocados por pães novos, e os antigos serviam de alimento para os sacerdotes. Eram chamados de "pães da presença".

E há, na verdade, um significado alegórico para aquilo que Cristo faria, porque Jesus Cristo é o pão vivo que desceu dos céus, e Ele é o Emanuel, o Deus conosco. Quando ligo esses textos, penso: é a presença viva de Cristo, simbolizada por aqueles pães, todos os dias com o seu povo — porque foi isso que Ele prometeu: "estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos." Aqueles pães, dentro do seu tempo, não significam que hoje, na igreja, se deva colocar um pão e deixá-lo uma semana embolorando — não era isso. Era apenas um símbolo do verdadeiro Pão que viria, que seria a presença contínua na vida do povo.

Davi, em 1 Samuel 21:1-6, é o pano de fundo desse ensino. O texto conta que Davi estava fugindo, com a vida em risco — Saul o perseguia para matá-lo. Ele foi até Nobe, ao sacerdote Aimeleque, que saiu trêmulo ao seu encontro e perguntou por que ele estava sozinho, sem ninguém com ele. Davi tinha medo, porque Saul o perseguia, e receber Davi era um risco — o exército de Saul poderia matar quem o acolhesse. Davi respondeu ao sacerdote: "O rei me deu uma ordem, disse que ninguém deveria saber qual é a tarefa que me incumbiu; quanto aos meus soldados, combinei que me encontrariam em tal lugar." E então pediu: "Você tem à mão algo para comer? Dê-me cinco pães, o que você tiver."

O sacerdote respondeu que não tinha pão comum, apenas o pão sagrado — "se ao menos os teus soldados se abstiveram das mulheres." Davi disse: "Sim, como sempre, quando saio em campanha são vedadas as mulheres, e os corpos dos soldados não estão imundos — e isso acontece em viagem comum, quanto mais hoje." O sacerdote não podia ter feito isso, mas fez: deu a Davi o pão sagrado, porque não havia ali outro senão os pães da proposição, que tinham sido tirados de diante do Senhor e trocados, no devido dia, por pão quente. Aconteceu que estava ali, naquele dia, um dos servos de Saul.

Foi esse o texto que Jesus citou. "Eu posso colher espigas no sábado — se o sábado é o dia do alívio, o dia do descanso — como é que Davi, esbaforido com os seus homens, entra no templo e o sacerdote lhe dá um pão que ninguém poderia comer? Vocês estão achando ruim o fato de eu colher espigas, mas a lei diz que eu devo e posso colher a espiga — e Davi comeu o pão que ninguém poderia comer." E os fariseus ficaram com a cabeça virando, porque na verdade eles diziam: "caramba, ele está falando sobre isso, está na lei" — e odiavam a Davi por aqui, e odiavam a Jesus por ali.


A Cura da Mão Ressequida no Sábado

Lucas 6:6-11 — Aconteceu que, em outro sábado, Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar. Estava ali um homem que tinha a mão direita ressequida. Os escribas e os fariseus observavam Jesus, procurando ver se ele faria uma cura no sábado, a fim de acharem do que o acusar. Mas Jesus, conhecendo os pensamentos deles, disse ao homem da mão ressequida: "Levante-se e vem aqui, entre nós." E ele, levantando-se, ficou em pé. Então Jesus disse a eles: "Vou fazer uma pergunta a vocês: é lícito, no sábado, fazer o bem ou fazer o mal, salvar uma vida ou deixar que se perca?" E, olhando para todos que estavam ali, disse ao homem: "Estende a mão." Ele assim o fez, e a mão lhe foi restaurada. Mas eles se encheram de fúria e discutiam entre si quanto ao que fariam contra Jesus.

Essa palavra traduzida como "ressequida" é a mesma usada, em outros contextos, para se falar sobre o solo — o solo irrigado e o solo seco. Um homem seco, no meio da sinagoga, diante de uma multidão que preferia discutir regras a olhar para a sua necessidade.

Jesus chama esse homem para o meio de todos — porque esse "meio" a que o texto se refere é justamente ali, entre eles, entre os que estavam observando. E faz uma pergunta que desmonta toda a armadilha: para que existe o sábado? Para o alívio, para o descanso — ou para o mal? Porque, se eu não fizer nada por esse homem, esse sábado, para ele, continua sendo um peso.

E quando ele estendeu a mão, ela se tornou curada. A religião estava secando pessoas. A religião estava mantendo gente esturricada, gente seca, gente que se alegra apenas com o cumprimento de regras — enquanto o próprio corpo humano diante dela definhava.

O sábado não era descanso, era peso. O sábado não era pão, era fome. O sábado não era cura, era secura. O sábado ressecou o povo como a mão seca daquele homem, inoperante — no sábado em que não se podia trabalhar, Jesus curou a mão de um homem que, a partir daquele momento, poderia produzir novamente, e para o seu próprio bem, não por obrigação.


Jesus, o Verdadeiro Sábado do Povo

Em Mateus 11:28, Jesus diz:

"Vinde a mim, vocês que estão cansados e sobrecarregados, eu os aliviarei."

E em João 6:35:

"Eu sou o pão da vida; quem vem a mim jamais terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede. Porém eu já disse: vocês me viram, e ainda assim não creem. Todo o que o Pai me dá virá a mim."

Eu sou o pão. Eu sou o pão que estava no templo. Eu sou o alimento na espiga que estava no campo. Eu sou a água que mata a sede. Venham a mim, eu vou aliviar vocês. Eu sou alívio. Eu sou o Senhor do sábado. Eu sou o descanso. Eu sou o sábado de vocês.

E, obviamente, nós temos o nosso dia de descanso — um dia em que a gente não trabalha, em parte porque alguns estão doentes, viciados em trabalho. Mas isso não significa que estamos cumprindo uma lei. Eu não sou sabatista. Jesus é Senhor do sábado — e todos os dias eu descanso nele. Todos os dias eu sirvo, todos os dias eu busco, todos os dias eu adoro, todos os dias eu tenho o seu descanso.

Aqui no Brasil, pelo regime CLT, e para qualquer pessoa, você deve sim ter o seu dia de descanso. Mas não confunda isso com um dia santo ou sagrado como era o sábado deles — esse é o nosso domingo, ou depende: tem gente com folga na segunda, outros na terça. Não é um dia santo. Todos os dias são santos, todos os dias são de Deus, todos os dias estamos na sua presença, todos os dias ele nos ouve, todos os dias ele é o nosso descanso.

E se crer em Cristo e fazer parte de uma comunidade tem sido um peso para você, Jesus não está aí. Se você é obrigado a cumprir rituais e sente um fardo que carrega, isso é apenas lei — Jesus não está nisso. Se você não tem alívio, se você não se sente em paz, Jesus não está aí, porque ele é o nosso sábado. É a velha religião que quer te manter prisioneiro, para que você sirva a rituais — mas Jesus quer te libertar, porque ele é o teu descanso. Por isso, o evangelho é a coisa mais poderosa que você tem: mesmo que você não assista a um culto, mesmo que não ouça pregações, você se alimenta do evangelho. O evangelho deve conduzir a sua mente, os seus pensamentos, os seus dias, o seu trabalho, as suas relações. Cristo é o Senhor que nos dá, de novo, um novo coração. Não fazemos o que fazemos porque temos regras — fazemos o que fazemos porque ele é o nosso alívio, a nossa alegria não está em cumprirmos rituais, mas em sermos dele e sermos novas criaturas.

Se você vive oprimido e cansado debaixo do jugo do legalismo, de fariseus e saduceus, você precisa voltar para Jesus Cristo. Jesus Cristo não é o fundador do cristianismo — melhor, ele não é fundador de nada: ele é o Reino em pessoa diante de nós. E deixo bem claro: eu não estou aqui para defender o cristianismo, não estou aqui para defender os evangélicos, não estou aqui para defender uma instituição — isso pouco importa. O Reino de Deus quer nos tomar para que sejamos irmãos, trazendo nossas espigas e nossas uvas uns para os outros, para sermos gente do Reino — não para termos uma religião que nos oprime, mas para sermos filhos e irmãos.


A Religião Que Aprisiona vs. o Reino Que Liberta

A religião se satisfaz com o cumprimento da regra, mesmo que isso cause mal-estar. A religião faz do sábado, faz do louvor, faz da oração um tormento. A religião é uma porcaria, porque você evangelizava por prazer — agora enfiaram uma meta goela abaixo, e você tem que trazer números de evangelismo. A religião faz da comunhão uma obrigação, enquanto o Reino de Deus faz da comunhão uma alegria. Colocaram você dentro de uma célula, e você é obrigado a recolher dinheiro, a trazer números e relatórios — e o que era para ser uma alegria de comunhão virou um peso, um fardo.

O Reino de Deus nos trouxe a comunhão do contato com os irmãos, e a reunião do corpo de Cristo como uma celebração de alegria — mas a religião fez dela uma obrigação, como se você tivesse que entrar na igreja todo dia só para bater cartão, e isso se tornou um porre. A oração foi dada por Cristo como a nossa comunhão de conversa, onde falamos e ouvimos a Deus — mas a religião transformou isso num mecanismo de conquistar coisas através de campanhas das quais você não pode faltar. A nossa alegria de contribuir, sendo generosos com nossas uvas e nossas espigas, é a alegria da irmandade do Reino — mas a religião fez disso uma porcaria, porque você é obrigado a dar, tem que trazer em tal dia, e se não trouxer, você está "amaldiçoado", está "doente" porque não trouxe a oferta, porque faltou na igreja.

Os ministérios e os dons foram dados para que as pessoas sejam serviço a serviço dos irmãos, e para que os seus dons sejam serviços para abençoarem o Reino — Deus nos deu os dons e os ministérios para que sejamos abençoadores. Mas a religião fez disso um peso: você é obrigado a estar naquele dia, e alguém precisa pôr a mão sobre a sua cabeça, debaixo de uma "cobertura", e sem isso você seria maldito.

A religião é raiz de tudo quanto é mal nessa terra. Governos são influenciados por religião. Guerras se iniciaram por fundamentos religiosos, e até o nazismo se ergueu dentro de uma aura de santidade e pureza de raça — fundamento religioso pelo qual um homem mata o outro. Sejam muçulmanos e palestinos, sejam protestantes e católicos, a religião sempre esteve por trás das guerras, com algum idealista dizendo que Deus lhe ordenou fazer tal coisa. Que Deus nos livre desses homens que fizeram do sábado morte. O sábado não era descanso, era peso. O sábado não era pão, era fome. O sábado não era cura, era secura.

Enquanto, no nosso país, direita e esquerda discutem quem é o dono da verdade, milhões estão morrendo. Enquanto religiosos apoiam um lado ou outro, pouco se importam com a gente que tem a mão seca, a vida seca e a barriga vazia — sem pão, sem grãos e sem água.


Oração Final: Que Cristo Nos Liberte da Religião e do Trabalho Escravizante

Quero encerrar como comecei: em oração. Porque tudo o que foi dito aqui não é apenas doutrina — é súplica.

Senhor, nos abençoa e nos edifica, e nos alimenta com a tua palavra, pela tua graça, pelo teu Espírito, em nome de Jesus, amém.

Senhor, obrigado pela tua palavra. O meu alívio não é uma regra. O meu alívio não é uma lei. O meu alívio não é uma obrigação. O meu alívio é Cristo. E o meu sábado é todos os dias, o meu pão é todos os dias, a cura para toda secura, todos os dias, água viva que rega a nossa alma.

Eu te peço, Senhor, que nos livres de dois grandes monstros. O monstro do trabalho, da conquista, que nos torna máquinas insensíveis, achando que o dinheiro é tudo que precisamos — livra os homens e as mulheres, livra os jovens dessa podridão pós-moderna do trabalho desenfreado. No meio de uma pandemia, Senhor, com tanta dor, tem gente em home office trabalhando das sete às dez da noite, sendo mais sugada do que antes, ensinada a ser feliz porque vai ter mais dinheiro, enquanto perde a sua vida e a sua saúde.

Mas livra-nos também do segundo monstro, Senhor: o monstro da religião, que nos vende suas ideologias e seus rituais para nos dar dinheiro, prometendo um outro tipo de descanso — na honra, no sucesso, na fama. A religião e Satanás vivem abraçados, beijando na boca, enquanto o ser humano sofre, seco, debaixo de rituais. Liberta-nos das garras do inferno. Liberta-nos da maldição da religião, da maldição do cristianismo institucionalizado, da maldição dos evangélicos que se preocupam com regras e sistemas ainda que o povo morra.

E enquanto, no nosso país, direita e esquerda querem discutir quem é o dono da verdade, milhões estão morrendo. Enquanto religiosos apoiam um lado ou outro, pouco se importam com a gente que tem a mão seca, a vida seca, a barriga vazia, sem pão, sem grãos e sem água. Ó Deus, faze acordar o teu povo, aquele que é teu, e liberta-o das garras do inferno, dos líderes religiosos e dos líderes políticos. Liberta-o dos fariseus, dos saduceus, de César, de Herodes e de Pilatos. Liberta o teu povo, Senhor, do esterco do mundo e do esterco dos homens. Tem gente que não tem do que se alimentar, enquanto serve de alimento aos projetos de poder.

Senhor, tu disseste: "Vinde a mim." Tu és o nosso sábado. Traze o teu povo de volta para ti, Cristo. Só o teu evangelho. Só a tua graça. Somente Jesus Cristo. Só a tua palavra. Só o teu Espírito. Só o teu sangue. É tudo que a gente precisa. Liberta-nos dos rituais, dos aprisionamentos, e — com os lombos cansados, sobrecarregados e famintos — liberta o teu povo. Estamos aqui, Senhor.


A Casa da Rocha. 13 - O Sábado e o descanso - Zé Bruno - Meu Caro Amigo. https://www.youtube.com/watch?v=y8vpSvhHX1g

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