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A Confissão Fundamental e o Tríplice Ministério de Jesus

A doutrina dos "Cinco Solas" é o alicerce da Reforma Protestante, e dentre eles, o Solus Christus (Somente Cristo) destaca-se como o pilar central da fé cristã. Para compreender a profundidade deste conceito, é necessário revisitar o texto bíblico de Mateus, capítulo 16, onde ocorre um dos diálogos mais significativos entre Jesus e seus discípulos na região de Cesareia de Filipe.

A narrativa apresenta Jesus inquirindo seus seguidores sobre sua identidade: "Quem os outros dizem que é o Filho do Homem?". Após ouvir diversas respostas baseadas na opinião pública — João Batista, Elias ou Jeremias —, Jesus direciona a questão aos discípulos: "E vocês, quem dizem que eu sou?". A resposta de Pedro não é apenas uma opinião, mas uma revelação teológica que fundamenta a Igreja:

"Respondendo Simão Pedro disse: O Senhor é o Cristo, o Filho do Deus Vivo." (Mt. 16:16)

Nesta declaração, Pedro utiliza o termo Kyrios (Senhor) e identifica Jesus como o Cristo. É imperativo compreender a etimologia destas palavras para captar a magnitude da confissão. A palavra "Cristo", do grego Christós, é a tradução do termo hebraico Mashiach (Messias). Ambos significam, literalmente, "O Ungido".

No contexto veterotestamentário (Antigo Testamento), a unção não era um ato trivial; ela era reservada exclusivamente para três classes de ofícios divinamente instituídos:

  • Reis: Ungidos para governar.
  • Sacerdotes: Ungidos para mediar e oferecer sacrifícios.
  • Profetas: Ungidos para falar em nome de Deus.

Historicamente, nenhum personagem bíblico jamais acumulou as três unções simultaneamente. Samuel, por exemplo, operou como sacerdote e profeta (e juiz), mas jamais foi rei. Davi foi rei e profeta, mas não sacerdote. A exclusividade de Jesus reside no fato de Ele ser o detentor do Tríplice Munus (Tríplice Ministério). Ele é, em uma única pessoa, o Profeta supremo, o Sumo Sacerdote eterno e o Rei dos Reis.

Esta realidade teológica é simbolicamente validada no nascimento de Jesus, através da visita dos Magos vindos do Oriente. Embora a tradição popular foque na quantidade de magos, o texto bíblico destaca a natureza das ofertas, que apontam para a identidade do menino:

  • Ouro: Reconhecimento de sua realeza.
  • Incenso: Símbolo de seu ofício sacerdotal.
  • Mirra: Referência ao seu ofício profético e sacrificial.

Jesus, portanto, não é apenas um mestre ou um líder carismático; Ele é o cumprimento de todas as expectativas messiânicas. A resposta de Jesus a Pedro reforça que tal compreensão não é fruto da dedução humana ou de "carne e sangue", mas uma revelação direta do Pai.

"Também eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela." (Mt. 16:18)

A "pedra" sobre a qual a Igreja é edificada não é a pessoa falível de Pedro, mas a confissão inabalável de que Jesus é o Cristo. É sobre esta verdade cristológica que a Igreja militante se sustenta. O "inferno" não luta contra prédios, templos ou estruturas eclesiásticas; o inimigo combate o organismo vivo composto por pessoas cheias do Espírito Santo que carregam essa revelação.

A supremacia de Cristo (Solus Christus) elimina a necessidade de intermediários humanos para a salvação e estabelece que Ele é a autoridade máxima. Reconhecer Jesus como o Ungido é entender que Ele detém as chaves do Reino dos Céus e que sua autoridade transcende a esfera terrena, ligando e desligando realidades espirituais.


De Crente a Cristão: A Metamorfose da Identidade em Antioquia

A identidade da Igreja primitiva não foi formada instantaneamente, mas foi o resultado de um processo contínuo de ensino e fundamentação na pessoa do Messias. O livro de Atos dos Apóstolos oferece um registro histórico crucial sobre o momento em que a designação "cristão" surgiu pela primeira vez, marcando uma transição teológica e comportamental significativa.

"E sucedeu que todo um ano se reuniram naquela igreja, e ensinaram muita gente; e em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos." (Atos 11:26)

O texto sagrado destaca que Barnabé e Paulo passaram um ano inteiro não apenas pregando, mas "ensinando" (didaskō) a numerosa multidão. O ensino difere da pregação evangelística; enquanto a pregação anuncia as boas novas, o ensino fundamenta o raciocínio e coloniza a mente com a cultura do Reino. Durante esse período, a ênfase não estava em movimentos, métodos ou estruturas, mas na inculcação profunda da pessoa, caráter, regeneração e justificação de Cristo.

Antes de Antioquia, os seguidores de Jesus eram conhecidos como Mathetes (no grego) ou Talmidim (no hebraico), que significa "aprendizes" ou "discípulos". No entanto, a observação externa daquela sociedade notou algo distinto. Aqueles indivíduos, que não possuíam identificações visuais religiosas, como roupas específicas ou crachás, refletiam de tal maneira o caráter de seu Mestre que receberam a alcunha de "Cristãos" (Christianos).

Etimologicamente, "Cristão" pode ser traduzido como "pequeno Cristo". Esta definição carrega uma responsabilidade imensa: o pequeno (para aquela cidade poderia ser como se fosse aqueles "cristinhos", pejorativo; ou, aqueles que fazem como Jesus fez) deve revelar o Grande. Assim como a Igreja é composta por pequenos ungidos, ela deve apontar invariavelmente para o Grande Ungido.

O "Príncipe dos Pregadores" do século XIX, Charles Spurgeon, estabeleceu uma distinção vital para compreendermos essa identidade:

"Crente é aquele que tem Cristo. Entretanto, Cristão é aquele que é como Cristo." — Charles Spurgeon

Receber a Cristo torna o indivíduo um crente, um ato de fé que garante a salvação posicional. Contudo, tornar-se cristão refere-se à transformação do caráter e ao testemunho público. O cristão não é alguém que atingiu a perfeição impecável, mas alguém que, embora sujeito a falhas, não vive na prática da iniquidade. O pecado pode ser um acidente de percurso, mas a iniquidade — o pecado institucionalizado e aceito pela consciência — é incompatível com a natureza de quem nasceu de novo.

A teologia paulina resume essa substituição de identidade em Gálatas:

"Já estou crucificado com Cristo; e vivo não mais eu, mas Cristo vive em mim." (Gl. 2:20)

A expressão "em mim" denota que o "eu" humano e egocêntrico é deslocado para dar lugar à vida de Cristo.

Um exemplo bíblico claro dessa transição é a vida do apóstolo Pedro. Durante três anos, Pedro andou com Jesus, viu milagres e até andou sobre as águas. Ele tinha fé, era um "crente". No entanto, Jesus profetizou uma mudança necessária:

"Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo; Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, confirma teus irmãos." (Lc. 22:31-32)

Jesus indicou que a fé de Pedro o sustentava como crente, mas era necessário uma "conversão" — uma mudança de direção e amadurecimento — para que ele pudesse confirmar seus irmãos e atuar como uma testemunha, um verdadeiro cristão. O "crente" busca resultados e milagres; o "cristão" busca ser a própria evidência da transformação gerada pelo Evangelho.


A História da Infalibilidade e o Perigo dos Falsos Messias

A história da igreja e a profecia bíblica convergem em um ponto de alerta crucial: o surgimento de falsos cristos e a tentativa humana de usurpar a supremacia divina. Em seu sermão profético no Monte das Oliveiras, Jesus foi enfático ao prevenir seus discípulos sobre os perigos da sedução espiritual:

"Jesus respondeu: Tenham cuidado para que ninguém os engane. Porque muitos virão em meu nome, dizendo: 'Eu sou o Cristo', e enganarão a muitos." (Mt. 24:4-5)

O engano muitas vezes não se apresenta através de uma negação direta da fé, mas através da substituição da centralidade de Cristo por figuras humanas carismáticas, experiências sensoriais ou "ventos de doutrina". O termo "vento" é apropriado, pois, assim como o ar em movimento que pode ser sentido, doutrinas fundamentadas apenas em experiências emocionais ("o que você sente") tendem a deslocar o crente do propósito bíblico, transformando a fé em uma busca por sensações e não pela verdade imutável.

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Historicamente, essa tensão entre a autoridade de Cristo e a autoridade humana atingiu seu ápice institucional com o desenvolvimento do papado. O dogma da infalibilidade papal, consolidado no Concílio Vaticano I em 1870, estabelece o Papa como o "Verdadeiro Vigário de Cristo", conferindo-lhe uma supremacia que, na ótica da Reforma Protestante, pertence exclusivamente a Jesus.

Para compreender a gênese dessa estrutura, é necessário recuar ao século VII. No ano de 601 d.C., sob o imperador Focas, houve uma tentativa política de centralizar a liderança da igreja para facilitar o diálogo com o império. A história registra que, enquanto Gregório I rejeitou a primazia absoluta (entre o ano 604), entre os anos 607 e 609, Boniface III aceitou a proposta de Focas, iniciando uma linhagem de representação centralizada que culminaria na figura do Papa como cabeça visível da igreja.

A resposta dos reformadores e pré-reformadores a essa estrutura foi contundente, fundamentada no princípio do Solus Christus:

  • John Wycliffe (Século XIV): Declarou que o Bispo de Roma não poderia ser considerado o Vigário da igreja, pois era um homem sujeito ao pecado.
  • Jan Hus: Criticou a equiparação da autoridade papal à do Espírito Santo.
  • Martim Lutero: Em suas teses e escritos posteriores, afirmou que qualquer homem que tente substituir o papel de Cristo age como um anticristo, pois usurpa a glória devida somente a Deus.
  • João Calvino e a Confissão de Westminster: Reforçaram que não há outro cabeça da Igreja senão o Senhor Jesus Cristo.

Essa advertência histórica não se limita ao catolicismo romano, mas estende-se a qualquer denominação evangélica contemporânea onde a figura do líder religioso (seja pastor, bispo ou apóstolo) se torna maior do que a mensagem do Evangelho. Nenhum líder humano é supremo; todos são servos. A teologia de Efésios é clara ao estabelecer a hierarquia espiritual:

"E ele [Deus] sujeitou todas as coisas aos seus pés e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas." (Ef. 1:22-23)

O perigo dos "falsos cristos" denunciado em Mateus 24 não reside apenas em indivíduos que literalmente dizem ser Jesus, mas em qualquer sistema ou pessoa que prometa salvação, mediação ou "unção" especial fora da suficiência de Cristo. Quando se diz "o Cristo está aqui" ou "está ali" (Mt. 24:23), referindo-se a uma denominação específica ou a um pregador exclusivo, o texto bíblico ordena: "não acreditem". O verdadeiro Cristo não é propriedade denominacional; a igreja pertence a Ele, e Ele escolhe e governa soberanamente.


O Confronto Necessário: O Evangelho Genuíno versus a Religiosidade "Gourmet"

A centralidade de Cristo na mensagem cristã não serve apenas para fins teológicos, mas tem implicações práticas profundas na forma como o Evangelho é vivido e pregado. Existe uma tendência contemporânea perigosa que busca transformar a fé em um produto de consumo, adaptável às conveniências e ao conforto do indivíduo — o chamado "Evangelho Gourmet".

Este conceito refere-se a uma abordagem seletiva da fé, onde a mensagem é higienizada de seus aspectos confrontadores para se tornar palatável a um público que busca autoajuda e não arrependimento. No entanto, a verdadeira mensagem da cruz não foi desenhada para oferecer tratamento VIP ou exclusividade social. A igreja não é um prestador de serviços para satisfazer caprichos humanos; ela é um local de encontro com o Deus Santo.

Um exemplo prático dessa tensão pode ser observado quando líderes religiosos são tentados a realizar cerimônias privadas ou atendimentos exclusivos para pessoas de destaque social ou midiático, em detrimento do corpo comum da igreja. A repreensão divina para tal atitude é clara: o Evangelho não faz acepção de pessoas. Jesus nunca levou "água delivery" para ninguém; Ele estabeleceu o princípio universal:

"Se alguém tem sede, venha a mim e beba." (Jo. 7:37)

Quando a igreja se curva à lógica do mercado ou da fama, ela perde sua essência. O crescimento numérico (inchaço) não deve ser confundido com crescimento espiritual. Uma multidão pode estar reunida por entretenimento, mas a presença de Cristo se manifesta onde há transformação de caráter.

A distinção entre uma mensagem antropocêntrica (centrada no homem) e uma mensagem cristocêntrica (centrada em Cristo) é evidente no resultado que ela produz no ouvinte:

  • A mensagem antropocêntrica/hedonista infla o ego. Ela diz: "Você pode", "Você consegue", "Você é o herói da sua história". O indivíduo sai do culto sentindo-se autossuficiente.
  • A mensagem cristocêntrica confronta o ego. Ela diz: "Eu Sou o Pão", "Eu Sou a Porta", "Eu Sou o Caminho". O indivíduo sai do culto consciente de sua própria insuficiência e dependência da graça divina.

O apóstolo Paulo, o maior teólogo do Novo Testamento, ilustra perfeitamente essa consciência de insuficiência gerada pelo confronto com a santidade de Cristo. Em sua carta aos Romanos, ele não exalta suas virtudes, mas expõe sua luta interna:

"Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. [...] Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?" (Rm. 7:19, 24)

Reconhecer a própria miséria não é um ato de autodepreciação mórbida, mas o pré-requisito essencial para compreender a magnitude da salvação. Somente quem entende que é um "miserável homem" pode experimentar o alívio glorioso da resposta divina registrada no capítulo seguinte:

"Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito. Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte." (Romanos 8:1-2)

O Evangelho genuíno, portanto, não é sobre o que o homem pode fazer para Deus (sacrifícios, incensos, promessas), mas sobre o que o Ungido (Cristo) já fez pelo homem. A graça não é mérito; é conquista de Cristo aplicada àqueles que creem.


A Plenitude da Divindade e a Transformação Radical

A revelação de Jesus como o Cristo não é apenas um título honorífico, mas uma declaração de divindade que provoca reações extremas: ou adoração profunda ou rejeição violenta. Esta tensão fica evidente quando Jesus retorna a Nazaré, sua cidade natal. Ao ler o rolo do profeta Isaías na sinagoga (Lc. 4:18-19), Jesus apropria-se da profecia messiânica: "O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu...". Ao concluir dizendo "Hoje se cumpriu esta escritura", Ele estava afirmando ser a própria encarnação do Messias esperado. A incredulidade dos que o viram crescer ("Não é este o filho de José?") demonstra a dificuldade humana em enxergar o divino envolto em humanidade.

No entanto, é na própria humanidade e nas falhas do indivíduo que o Messias se revela com maior poder de transformação. O encontro de Jesus com a mulher samaritana (João 4) exemplifica isso. Ela foi ao poço buscar água física, movida por necessidades cotidianas, mas encontrou a "Água da Vida". O diálogo evolui de uma percepção inicial de Jesus como um homem judeu, depois como um profeta, até a revelação final:

"A mulher disse-lhe: Eu sei que o Messias (que se chama o Cristo) vem; quando ele vier, nos anunciará tudo. Jesus disse-lhe: Eu o sou, eu que falo contigo." (Jo. 4:25-26)

O impacto dessa revelação é simbolizado por um detalhe narrativo crucial: a mulher deixou o seu cântaro. Aquele objeto representava sua busca incessante e insatisfeita, sua rotina e sua sede antiga. Ao encontrar o Cristo, o cântaro tornou-se obsoleto. Ela retornou à cidade não mais com água, mas com uma mensagem, transformando-se de uma pária social em uma evangelista. É na incompetência e na miséria humana que a capacidade de reconhecer o Ungido se manifesta; as escamas caem e a verdadeira adoração em "espírito e em verdade" nasce.

A confissão de que Jesus é o Cristo é tão poderosa que foi o motivo central de sua condenação à morte. Durante seu julgamento diante do Sinédrio, o sumo sacerdote Caifás o pressionou: "És tu o Cristo, Filho do Deus Bendito?". A resposta de Jesus foi direta e devastadora para a teologia judaica da época:

"E Jesus disse-lhe: Eu o sou, e vereis o Filho do homem assentado à direita do poder de Deus, e vindo sobre as nuvens do céu." (Mc. 14:62)

Ao mencionar "vindo sobre as nuvens", Jesus fez uma referência direta à teofania (manifestação de Deus), pois na tradição judaica, apenas Deus cavalga sobre as nuvens. Ele estava afirmando ser não apenas um profeta ou um rei terreno, mas o próprio Deus Todo-Poderoso. Foi essa declaração de divindade absoluta que levou o sumo sacerdote a rasgar suas vestes, acusando-o de blasfêmia. Pregar sobre Cristo incomoda porque ameaça as estruturas religiosas humanas e coloca Deus no centro.

A teologia cristã resume essa verdade suprema na carta aos Colossenses:

"Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade." (Cl. 2:9)

Solus Christus — Somente Cristo — é a âncora da fé. Não há salvação em placas, denominações ou líderes carismáticos. As denominações pertencem a Cristo, e não o contrário. Ele é o Cabeça da Igreja, o Alfa e o Ômega. A verdadeira liberdade cristã ocorre quando abandonamos os "cântaros" das nossas tentativas religiosas e nos rendemos àquele que é a Plenitude de Deus.


Sola Christus | Terça da Parashá com Pr. Adson Belo | Cidade Imafe. https://youtu.be/-PbMsHQMAXc?list=PLZUFk43ApWYvVkIUzHZNurneOkJUheVH9

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há 25 minutos
Matéria: Bíblia
Artigo

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