2 Coríntios Cap. 9
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23. Dízimo e Graça: Da Obrigação Legal à Liberdade de Contribuir (Gn. 14:20; Ml. 3:8-10; 2 Co. 9:7)
A Lei da Liberdade: Contribuição como Resposta de Gratidão e Amor
Se a imposição legal do dízimo é questionada à luz da Nova Aliança, surge um receio natural: a igreja deixaria de receber recursos? A resposta reside em uma mudança de paradigma. Sair da tutela da Lei não significa entrar na anarquia, mas sim adentrar na "Lei da Liberdade". Nesta perspectiva, a contribuição deixa de ser um imposto religioso pago por medo ou ganância e torna-se uma resposta espontânea de um coração transformado.
O apóstolo Paulo oferece a diretriz central para esta prática no Novo Testamento, deslocando o foco da porcentagem fixa para a disposição interior:
"Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria." 2 Co. 9:7
A lógica da Graça sugere que a nossa vida inteira pertence a Deus, e não apenas uma fração matemática dela. Enquanto a Lei servia como um tutor externo para regular o comportamento, a presença do Espírito Santo nos crentes deve gerar um compromisso interno superior. A entrega passa a ser total. Como Paulo declara em Gálatas: "Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim". O escritor aos Hebreus ecoa esse sentimento ao nos convidar a oferecer nossos corpos como sacrifício vivo.
Isso significa que a oferta vai muito além do dinheiro. Ela engloba tempo, talentos e serviço ao próximo. Um profissional que usa suas habilidades para abençoar a comunidade, alguém que dou alimentos ou roupas, está exercendo o princípio da oferta. Deus não está interessado em um acerto de contas financeiro, como se fosse um auditor fiscal celestial; Ele deseja o coração por inteiro.
O Perigo da Espiritualidade Transacional
Um dos maiores riscos da manutenção da mentalidade legalista do dízimo é transformar o relacionamento com Deus em um comércio.
- A Ganância Travestida de Fé: Muitos contribuem esperando receber em troca, motivados pela promessa de multiplicação financeira.
- O Medo do Devorador: Outros contribuem por medo de punição ou maldição.
Ambas as motivações são alheias ao Evangelho. A Cruz de Cristo é a prova definitiva de que Deus já nos abençoou com tudo o que era necessário. Não ofertamos para sermos abençoados, mas porque já fomos abençoados pela obra redentora de Jesus. A gratidão, e não o interesse, deve ser o motor da generosidade.
A Sustentabilidade da Igreja e a Maturidade
É inegável que as instituições eclesiásticas possuem custos operacionais, contas e funcionários. A abordagem da liberdade é, de fato, um caminho mais "difícil" e arriscado do que a imposição de uma regra fixa. Exige maturidade tanto da liderança quanto dos membros.
Contudo, a premissa é que o amor gera um compromisso mais forte do que o decreto. Da mesma forma que não se deve criar uma lei para obrigar um filho a amar o pai — pois isso anularia a genuinidade da relação —, a igreja não deveria precisar de decretos de ameaça para se manter. Se a participação depende apenas do medo ou da obrigação, a essência da comunidade de fé já se perdeu.
Em suma, a contribuição na Nova Aliança é um convite à liberdade. É a oportunidade de demonstrar, sem constrangimentos, que onde está o nosso tesouro, ali também está o nosso coração.
A Motivação do Coração: Amor, Alegria e o Fim da Barganha
Muitas das resistências e feridas relacionadas ao dízimo e às ofertas não nascem da falta de generosidade das pessoas, mas da distorção causada pela supremacia da instituição sobre o organismo. Quando a igreja institucional se torna mais forte do que o próprio corpo e seus projetos particulares sufocam a simplicidade do Evangelho, a relação com o dinheiro adoece.
Nesse cenário deturpado, a contribuição financeira frequentemente se polariza em dois extremos nocivos: a ganância ou o medo.
- Ganância: A pessoa contribui porque "quer mais", movida pela teologia da prosperidade que transforma Deus em um mecanismo de investimento financeiro.
- Medo: A pessoa contribui porque teme "ter menos", receando maldições ou a ação de um "devorador" caso não cumpra o ritual.
Em ambos os casos, a relação de amor com Deus é substituída por uma barganha comercial. O louvor, a adoração e a generosidade genuína dão lugar a um cálculo frio de risco e recompensa.
A verdadeira motivação bíblica para a contribuição rompe completamente com essa lógica de troca. O cristão não deve dar por obrigação, nem por medo, nem por interesse. A base da entrega é o entendimento de que somos membros uns dos outros.
"Deus ama aquele que dá com alegria." (2 Coríntios 9:7)
A alegria na contribuição surge quando a igreja se compreende como uma comunidade de amor. Quando o dinheiro é depositado não para sustentar uma estrutura fria, mas para viabilizar o cuidado mútuo e a missão de ser "luz e sal" fora das quatro paredes, o ato de ofertar se torna uma extensão da própria fé.
Em última análise, para se fazer igreja não é necessário dinheiro algum, apenas o sangue do Cordeiro e pessoas dispostas a caminharem juntas. No entanto, aqueles que compreendem a profundidade dessa união frequentemente decidem, com liberdade e alegria, usar seus recursos materiais para abençoar o corpo e expandir o Reino. A organização deve ser apenas a serva desse movimento orgânico de generosidade, garantindo que o amor prático chegue a quem precisa.
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