João 19.17-30: Está Consumado: O Rei Crucificado e a Sede que Só Jesus Sacia
A Crucificação e o Título Escrito por Pilatos
Carreguei minha própria cruz até o lugar chamado Calvário — Gólgota, em hebraico. Foi ali que fui crucificado, com mais dois ao meu lado, um de cada lado, e eu no meio.
Pilatos mandou escrever um título e colocá-lo no alto da cruz:
"Jesus Nazareno, Rei dos Judeus."
Muitos leram aquele título, porque o lugar da crucificação ficava perto da cidade, e estava escrito em três línguas: hebraico, latim e grego. Não foi por acaso. O hebraico era a língua do meu povo; o latim, da autoridade romana; o grego, da cultura que dominava o mundo conhecido — como o inglês ou o espanhol são hoje. Pilatos, sem saber, estava anunciando a todas as nações que ali, ensanguentado, estava o Rei.
Os principais sacerdotes não gostaram. Foram até Pilatos e pediram que ele corrigisse o texto: "Não escreva 'Rei dos Judeus', mas que ele mesmo disse: 'Sou rei dos judeus'." Pilatos respondeu com uma frase que ecoa até hoje:
"O que eu escrevi, escrevi."
Mais uma vez, sem perceber, Pilatos falou com mais verdade do que os homens da religião. Ele havia sido usado, como profeta involuntário, para declarar ao mundo inteiro que eu não sou apenas o Deus de um povo, de uma religião do antigo Oriente Próximo. Sou o Senhor de toda a terra, para todos os povos, línguas e nações.
A Túnica Sem Costura e o Cumprimento das Escrituras
Quando os soldados me crucificaram, pegaram minhas roupas e as dividiram em quatro partes, uma para cada um deles. Restava ainda a túnica — mas essa era diferente: tecida de alto a baixo, sem costura nenhuma. Rasgá-la seria destruí-la. Por isso os soldados disseram uns aos outros:
"Não a rasguemos, mas tiremos a sorte para ver de quem será."
Aquilo não foi acaso. Cumpriu-se a Escritura que diz:
"Repartiram entre si as minhas roupas e, sobre a minha túnica, lançaram sorte." (Salmo 22.18)
E foi exatamente isso que os soldados fizeram — sem saber que estavam representando, em carne e sorte, uma palavra escrita havia séculos.
É preciso entender algo importante aqui. Quando lemos os Salmos, estamos lendo cânticos, não profecias no sentido direto. Mas alguns trechos desses cânticos carregavam, dentro de si, um significado profético — palavras que apontavam adiante, para o meu messiado, para a minha vinda. E isso se torna mais uma evidência, colocada diante do povo judeu, de que o grande Senhor e o seu Messias estavam ali, diante deles, pregado na cruz.
Essa é a beleza de como a fé foi construída: não a partir do que "eu acho", mas a partir de um texto legado por cerca de quarenta autores, ao longo de mais de mil e seiscentos anos, vivendo em épocas e contextos completamente distintos — livres ou prisioneiros, no meio do Império Medo-Persa, entre gregos ou romanos. E, ainda assim, esse texto carrega uma só linha de enredo, que se conecta do início ao fim e aponta, sempre, para quem eu sou.
"Eis Aí o Seu Filho, Eis Aí a Sua Mãe"
Junto à cruz estavam minha mãe, a irmã dela, Maria — mulher de Clopas — e Maria Madalena. E, vendo minha mãe e, ao lado dela, o discípulo amado, eu disse a ela: "Mulher, eis aí o seu filho." Depois, disse ao discípulo: "Eis aí a sua mãe." E, daquela hora em diante, ele a levou para sua própria casa.
Alguém pode olhar para essa cena e pensar: "Que coração bom, mesmo todo machucado, ensanguentado, cansado, ainda teve tempo de pensar na mãe e pedir que ela e o discípulo ficassem juntos." Mas a verdade é que foi exatamente para isso que eu vim. O que eu disse a Maria e a João revela o cerne da motivação da minha encarnação no meio da humanidade.
No Antigo Testamento, mesmo na lei, nos profetas, na conduta religiosa e cultural do meu povo, havia uma premissa básica dada por Deus: cuidar dos vulneráveis. O pobre. A viúva. O órfão. O estrangeiro. "Não se esqueça que você foi estrangeiro no Egito." "Não amordace o boi que debulha." "No ano do perdão, perdoa a dívida." "Não deixe seu irmão viver como escravo seu." "Ame o próximo como a si mesmo."
O cuidado com o estrangeiro e com o pobre não é ideologia. É coisa de Deus para o ser humano, num mundo decaído.
A mulher viúva ficava desamparada — existia até a lei do levirato, para que ela não ficasse sozinha no mundo. Uma criança órfã, num mundo violento, ou era cooptada ou não sobrevivia. E, do alto da cruz, eu olhava para a humanidade: órfã, viúva, pobre, numa terra que não é sua, solitária, abandonada. Esse é o retrato do ser humano.
Talvez por isso eu tenha dito: "Filho, eis a tua mãe; mãe, eis o teu filho." Porque é exatamente na minha comunhão que a comunidade da fé se pastoreia. A igreja é diaconal, porque serve, e é pastoral, porque todos se ajudam, todos se apascentam uns aos outros. Mesmo havendo pastores dentro de uma ordem ministerial e vocacional, isso não significa que uns não cuidem dos outros — aliás, a expressão "uns aos outros" aparece cerca de trinta vezes no Novo Testamento: amar uns aos outros, carregar as cargas uns dos outros, perdoar, ouvir, aconselhar, edificar uns aos outros.
Por isso a igreja não é apenas um auditório para ouvir um palestrante — ainda que exista lugar para isso. Ela se desenvolve e floresce no amor presente em cada um de nós, no olhar de um para o outro, na partilha, num café antes da celebração começar, numa história contada, numa oração feita uns pelos outros. A igreja é o lugar onde mães abraçam filhos sem mães, e filhos abraçam mães que não têm filhos. É uma irmandade que não nasce da lógica do mundo decaído e de suas dores, mas nasce do amor que brota do sacrifício da cruz — o mesmo amor sacrificial demonstrado pelo Rei dos Reis, que não se parece em nada com um executivo, mas com um pastor de ovelhas que derramou todo o seu amor.
"Tenho Sede": O Vinagre do Mundo e a Verdadeira Sede Humana
Vendo que tudo já estava consumado, para que se cumprisse a Escritura, eu disse: "Tenho sede." Havia ali um vaso cheio de vinagre. Encharcaram uma esponja nele e, fixando-a num caniço de hissopo, aproximaram-na da minha boca.
É preciso entender o que era aquele vinagre. Na época, bebia-se vinho — mas o vinho era uma bebida cara. Quando a uva fermenta, a levedura produz álcool etílico de forma natural. Mas, em contato com o oxigênio, bactérias acéticas podem transformar esse álcool em ácido: o vinho vira vinagre. Os pobres não jogavam fora. Misturavam com água — e lembre-se, a água daquele tempo não tinha filtro; tirada de um rio, vinha muitas vezes com barro junto. O ácido do vinagre ajudava a purificar um pouco aquela água. Chamavam essa bebida de posca: a bebida dos mais simples, dos mais pobres.
E ali estava eu, aquele que Pilatos apontou dizendo "Eis o homem" — surrado, ensanguentado, recebendo o que havia de mais simples e mais amargo para beber. Quando digo "tenho sede", estou revelando o que todos vocês sentem. Porque todos vivem com sede — de amor na solidão, de cuidado, de compreensão, de justiça, de comida, de bebida, de afeto, de verdade, de amigos, de irmãos, de paz.
Vocês nascem lutando para viver, lutando para saciar essa sede. Trabalham, se formam, arrumam emprego, ganham dinheiro, casam, têm filhos, constroem, empreendem, buscam hobbies, tentam se divertir. Mas a verdade é que o máximo que este mundo pode oferecer é vinagre. Porque aquilo que vocês sofriam para não ter, e um dia conquistaram, não dura duas semanas até que a alegria do primeiro dia se esvazie — e vocês saem correndo atrás de outra coisa para trazer paz.
Há uma canção que diz: "Toda novidade que vem no vento, no peso da força, da rotina, cai na melancolia do pensamento. Quem busca outra novidade, sai toda hora, a gente tem que achar uma outra."
Eu disse "tenho sede", mas nada nesta terra poderia matar a verdadeira sede do ser humano pendurado ali na cruz — que somos eu, na minha humanidade, e vocês. Vocês conseguem um vinagre com água, com um pouco de mel, mas a verdade é que tudo que vocês procuram está em mim. E eu sei que é difícil isso entrar na mente — falo por experiência, porque também enfrento momentos de angústia, de tristeza, como qualquer um. Já me perguntaram se já pensei em desistir. E a resposta, quando ela vem, vem de um lugar mais fundo do que o cansaço do dia.
Vocês ficam desesperados como se eu não existisse, como se eu não habitasse com vocês. Ficam nervosos, perdem as estribeiras, apurrinham quem está ao lado, porque estão vivendo um caos por dentro. Mas a Palavra diz que é para respirarem e descansarem, para não andarem ansiosos por coisa alguma, porque o amanhã trará consigo seus próprios cuidados. Diz para olharem os lírios do campo, as aves do céu. E, mesmo assim, muitas vezes as angústias, as idiossincrasias, os traumas e os fantasmas que vocês carregam gritam mais forte do que aquilo que estou dizendo.
Mas a verdade é que a única razão de vocês estarem de pé, o único jeito verdadeiro de dizer "tenho paz e estou satisfeito", sou eu mesmo. Aquele sinal que fiz transformando água em vinho — o melhor vinho que já haviam provado — é para dizer que não existe vinagre nesta terra capaz de saciar, a não ser eu. O que falta é meditar mais na Palavra, orar mais, andar mais em comunhão, adorar, conversar, viver em comunhão uns com os outros, permitir que este Rei — completamente avesso ao modelo que o Império Romano conhecia — seja, de verdade, o Senhor da vida de vocês.
"Está Consumado": O Peso do Tempo Perfeito Grego (Tetelestai)
Percebi que já era a hora. Depois de pôr a boca naquela esponja de vinagre, inclinei a cabeça e disse: "Está consumado." E ali entreguei o espírito.
A nossa língua portuguesa, por incrível que pareça, não consegue alcançar toda a força dos modos e tempos verbais do grego coiné — uma língua que não se fala mais hoje, mas que era viva há dois mil anos. Não digo isso como quem domina profundamente o idioma; meu nível é acadêmico, mas gosto de estudar e fuçar esses detalhes.
Nós, no pensamento ocidental, organizamos os verbos em passado, presente e futuro — presos a uma linha cronológica. Em parte, o grego também segue essa lógica, mas os tempos verbais ali estão mais ligados ao aspecto da ação do que propriamente ao tempo. Quando alguém diz "eu estou aqui", na mente deles aquilo é quase um gerúndio: uma ação em curso, no exato momento em que está sendo dita.
Existe também o chamado tempo aoristo, que expressa uma ação completa. Nós tendemos a traduzi-lo como passado, mas, no modo subjuntivo, ele não trata de quando algo aconteceu — ontem, hoje ou amanhã —, e sim do fato de que aquilo que precisava ser feito foi feito.
Quando eu disse "está consumado", usei o verbo grego teléo, conjugado no tempo perfeito: tetelestai. Você provavelmente já ouviu essa palavra. O tempo perfeito não existe na língua portuguesa, e por isso preciso construir uma frase inteira só para explicá-lo: é uma ação que começou no passado, se completou, não tem mais nada a ser feito — mas cujos efeitos continuam valendo no presente e seguirão valendo para sempre. Por isso dizem que o tempo perfeito é o tempo de Deus. Ele não está fazendo. Já foi feito. E agora vocês vivem sob os efeitos positivos de algo que já aconteceu, mas que continua ecoando, tendo valor hoje e por toda a eternidade.
Há ainda outro detalhe: o verbo está no modo indicativo, mas na voz passiva. Voz passiva é quando o sujeito não pratica a ação — ele a recebe. E está na terceira pessoa do singular, não na primeira. Eu não disse "eu consumo". Eu disse, em essência, "foi consumado em mim". De novo, é preciso montar uma frase inteira em português para dar conta de uma única palavra grega. É por isso que não temos traduções da Bíblia — temos versões. O texto é um só, o sentido é um só, mas o jeito de dizer muda, porque nem sempre é possível transportar diretamente o grego para o português.
E assim, naquele instante, eu estava dizendo que, em mim, algo já havia sido realizado como ação consumada — uma obra que a eternidade já contemplava antes mesmo de o tempo existir.
Um Amor Fora do Tempo: Da Eternidade ao Gênesis 3.15
Voltemos a Gênesis 3.15. Quando o homem pecou lá no Éden, eu disse à serpente e à mulher que da descendência dela viria um descendente que pisaria a cabeça da serpente, e esta lhe feriria o calcanhar. Para vocês, presos ao relógio, essa é uma história que se desenrola: esperam a encarnação, o julgamento, a cruz, a morte, a ressurreição — um evento atrás do outro, no tempo.
Mas eu sou maior do que o tempo. Estou fora dele. Não se esqueçam: fui eu quem criou o dia e a noite, o sol e a lua, ontem e amanhã. Eu não preciso do tempo para existir — eu estou fora dele. Vocês é que estão presos a ele. Para mim, um dia e mil anos são a mesma coisa. Gênesis 1 e Apocalipse 21, para mim, são a mesma página. Eu não preciso esperar o amanhã para ser quem sou. Eu sempre sou. Foi o que respondi a Moisés quando ele perguntou o meu nome: "Eu sou." Não havia como explicar mais do que isso — vocês não teriam capacidade cognitiva para compreender, com sua filosofia, sua ciência, quem eu sou. Então eu disse apenas: Eu sou. Vocês existem; eu sou. Eu sou, aliás, a razão pela qual vocês existem. Eu não existo como vocês existem — se existisse dessa forma, eu não seria Deus, seria apenas mais uma coisa existente entre tantas.
Por isso, quando alguém pede: "Me prove que Deus existe", não há como provar — porque eu não existo no sentido em que vocês existem. Quem existe são vocês. Eu estou antes da existência; sou eu quem a provoca. Tudo o que existe pode ser tocado, estudado, dissecado, analisado. Se eu pudesse ser dissecado como um ser existente, seria igual a vocês, como qualquer outra coisa que existe — e, então, eu não seria Deus. Por isso, se alguém disser que Deus não existe, de certa forma está certo: vocês existem; eu sou a razão da existência. Sou maior do que o tempo, não estou escravizado a ele por nada.
Quando eu disse à mulher que da sua descendência viria o descendente redentor, isso já servia para toda a história, porque eu sempre fui redentor. Sou o que sou eternamente — não importa o tempo. Meu amor sacrificial está fora do tempo. Sempre foi. Quando João, esse mesmo discípulo que escreveu o evangelho, escreve o Apocalipse, ele tem uma visão do último dia: vê uma multidão vestida de branco. Ele viu porque enxergou o que eu já via — porque eu já tinha visto. Vocês é que ainda não estão lá; para mim, já é.
Para mim, o que vem já foi. O que foi, é agora. Para mim não há tempo. Vocês são infinitamente menores do que o eterno — para mim, milhões de anos são uma gota. Por isso tetelestai tenta explicar, com um único tempo verbal, algo que já estava consumado na eternidade, porque eu sou, fui e sempre serei o que sou. Sou alfa e ômega, ontem e amanhã. Sou tudo, e todos vocês existem em mim.
E eu, que já consumei tudo em Cristo, agora, no meio do tempo, na história, vou à cruz e digo: aquilo que sempre fui e sempre serei — meu amor sacrificial, que existe antes do mundo existir, antes de haver tempo — já era o que era, porque eu não preciso de tempo para ser. Antes de vocês pecarem no Éden, eu já era misericordioso, porque o perdão chegou antes da culpa.
Há uma banda — não é gospel, mas são crentes — que canta: "O perdão chegou mais cedo que a minha culpa." Porque eu não preciso esperar vocês pecarem para morrer na cruz. Eu os perdoei antes de qualquer coisa, antes mesmo de vocês existirem, porque sou misericórdia e perdão, independente do tempo. Quando digo "está consumado", estou gritando para a história e para o tempo que o ser que faz tudo existir é o Deus da infinita misericórdia.
Quem sou eu diante disso tudo? Um entre setecentos numa igreja, um entre quase dois milhões numa cidade. Quem sou eu no Brasil? Nada. Quem sou eu no universo — que o homem ainda não conseguiu enxergar o fim, e que continua se expandindo? Nada. Se somos uma fagulha no mundo, e o próprio sistema solar é uma fagulha no universo, então nós não somos nada. E, ainda assim, todo esse universo é uma gota diante do grandioso eterno. Quem sou eu para achar que, porque dei uma oferta na igreja, Deus vai me perdoar? Isso mostra que ainda não entendi nada.
Eu sou eternamente gigantesco, maior do que tudo o que a mente humana possa imaginar. Mas me dignei a entrar no mundo, na história, para ser julgado por essa meleca que é o pecado humano — mesmo sabendo que, muitas vezes, o próprio ser humano ainda quer apontar o dedo e perguntar por que eu não fiz o que "devia" ter feito no momento em que ele esperava. É um tipo de amor que nem eu, na minha manifestação humana, nem vocês, em toda a vida, conseguirão plenamente entender. Mas esse é o meu maravilhoso amor. Esse é o Senhor que sou.
Conclusão: "Não Falta Mais Nada"
Vocês não precisam de nada para me adorar. Só por isso, toda a vida de vocês já deveria ser devotada a mim. Está consumado. Já era — a sede de vocês. Eu sou o sangue. Eu sou a água viva. Já pensaram nisso? A água viva teve sede. A água teve sede por vocês, por amor a vocês.
Mesmo ali na cruz, num momento que muitas vezes é olhado como o instante mais triste da história, na verdade é o momento de maior vitória. A cruz é levantada para que eu grite ao mundo: "Eu sou Senhor sobre tudo isso, e o meu amor vital é maior do que a morte, o pecado, a destruição e a sede de vocês."
Fui crucificado entre dois ladrões — e talvez vocês se lembrem de Tiago e João, que um dia, junto com a mãe deles, me perguntaram se poderiam sentar um à minha direita e outro à minha esquerda quando eu estivesse no trono. Eu olhei e disse: "Vocês não estão prontos para beber o cálice que eu vou beber." De fato, haveria alguém à minha direita e à minha esquerda no momento da minha glória — mas não do jeito que eles imaginavam. Meu papel nunca foi trazer a glória vinagre desta terra: fama, sucesso, seguidores. Esse tipo de sucesso que tanto se busca não mata a sede de ninguém. Vocês ainda não sabem o que é a minha glória. Minha glória é a demonstração do meu amor, que traz vocês de volta à vida.
Só resta, de verdade, entregar a vida nas minhas mãos. Só resta, de verdade, amar-me de todo o coração. A adoração não precisa de nada externo para existir — para quem me conhece, ela simplesmente acontece, porque já está por dentro. Eu curo, eu liberto, faço milagres — mas não é isso que deve levantar vocês para cantar. É o fato de terem um Senhor que os ama desse jeito. É isso que os faz levantar da cama todos os dias, dizendo: "Minha vida é tua, meu coração é teu, e tudo o que eu fizer, em atitudes e palavras, seja para a tua glória."
E talvez seja isso que preciso que vocês entendam ao encerrar: não falta mais nada. Vocês ainda acham que falta algo — mas não falta. Isso não significa que não devam orar; devem, porque o coração devotado a mim continua buscando. Mas não pensem que é isso que falta para que algo dê certo na vida de vocês. Já está consumado. Já foi consumado fora do tempo.
Quando o salmista diz "no teu livro foram escritos todos os meus dias", é uma revelação de que o eterno tem vocês na sua mão. Se você está se perguntando "será que Deus me ouve? Será que ele sabe o que estou passando?" — de onde tirou essa dúvida? Antes de você e eu existirmos, meu amor já estava projetado sobre vocês. Sabe o que falta? Nada.
Isso não significa que vocês nunca fiquem preocupados — todos ficam, às vezes. Mas, quando isso acontecer, batam na própria cabeça e digam: "Para, para. Eu sou a habitação, o santuário da sua presença." Eu disse: "Eis que estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos." Meu espírito habita em vocês, e meus olhos estão em todo lugar. Ainda que vocês fizessem sua morada no lugar dos mortos, ali mesmo minhas mãos estariam sobre vocês. É impossível fugir da minha presença.
Se eu dependesse do ritual religioso de vocês para me manifestar, estariam perdidos. Mas, graças a Deus, mesmo sem vocês imaginarem, eu já estava carregando vocês no colo. Esse é o Jesus que sou — e que o verdadeiro vinho, o melhor de todos, sacie vocês mais do que qualquer vinagre desta terra.
A Casa da Rocha. 61 - Está consumado - Zé Bruno - Quem é Jesus? https://www.youtube.com/watch?v=YbgE8qGUtAc
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