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Mateus 5:17-20: A Revolução da Obediência: Como Jesus Cumpriu a Lei em Nosso Lugar

Não Vim Revogar, Vim Cumprir

Estamos numa sequência importante do Sermão do Monte, e por isso quero que você entenda o contexto antes de qualquer coisa. Quando eu disse a vocês que são sal da terra e luz do mundo, estava afirmando algo poderoso: discípulos afetam ambientes, discípulos influenciam, discípulos são convidados a participar de uma revolução que eu vim trazer.

Mas existe um risco nessa afirmação. Alguém poderia pensar que essa revolução significa jogar fora tudo o que já existia — que eu estaria descartando as coisas antigas para escrever algo completamente novo. É exatamente esse pensamento que quero corrigir agora, e por isso começo dizendo: não pensem.

Não pensem que vim revogar a Lei ou os Profetas. Não pensem que vim retirar os marcos antigos. Não pensem que vim escrever uma nova Bíblia. Eu não vim para isso. Eu vim para cumprir a primeira aliança — o que muitos chamam de Antigo Testamento. Não vim revogar as Escrituras; vim cumpri-las.

E aqui quero que vocês prestem atenção nas minhas palavras, porque a ênfase é proposital:

"Porque em verdade lhes digo que até que o céu e a terra passem, nenhum i ou um til jamais passará da lei até que tudo se cumpra." (Mt. 5:18)

O que estou dizendo é isto: a revolução que trago não acontece através do descumprimento da Palavra para dar início a algo novo. A revolução que proponho é a revolução da obediência à Palavra. Não uma revolução de ruptura, mas uma revolução de cumprimento.

Isso significa que tudo o que Deus prometeu, tudo o que está escrito, será cumprido — cada detalhe, cada promessa, até a menor letra do texto sagrado. Nada será descartado. Nada ficará esquecido. Essa é a base sobre a qual quero construir tudo o que vou ensinar a seguir.


O Cumprimento Perfeito de Cristo em Nosso Lugar

Preciso que vocês entendam algo essencial: eu vim para cumprir a lei no lugar de vocês. Aquilo que o primeiro Adão falhou em fazer, eu, o último Adão, vim vencer.

Vim cumprir completamente as Escrituras. E o propósito disso não é apenas demonstrativo — é redentor. Vim para chegar diante do Pai com mérito, podendo dizer: "Eu mereço". E então, tendo esse mérito, troquei de lugar com vocês. Fiz-me pecado no lugar de vocês, para que vocês fossem feitos justiça no meu lugar. Por meio de mim, vocês são justificados.

Preciso que isso fique muito claro para todo discípulo que ama as Escrituras: nada do Antigo Testamento ficará sem ser cumprido. Existem muitas profecias que ainda não se cumpriram — e elas se cumprirão.

Tomemos, por exemplo, o assunto de Israel. A igreja não substituiu Israel, porque há promessas feitas a Israel que ainda aguardam cumprimento. A aliança de Deus com esse povo é perpétua, é eterna — Israel continua sendo o povo dele. Deus não o abandonou.

Há quem pense que Israel era a noiva de Deus e que, diante dos erros desse povo, Deus teria dito: "Não aguento mais, vou abandonar e casar com outra esposa." Não é assim. Vocês, gentios, não são uma segunda esposa de Deus — vocês foram enxertados em Israel. Ele está restaurando uma noiva completa, formada por judeus e gentios, que se casará com ele nas bodas do Cordeiro.

Abro esse parêntese para que vocês entendam algo mais profundo por trás daquela afirmação: "nenhum i ou til jamais passará da lei até que tudo se cumpra." Essa frase revela um Deus fiel.

Muitos pensam assim: "Deus abandonou Israel e escolheu a igreja" — e isso, na verdade, deveria nos preocupar, não nos alegrar. Porque se Israel, ao errar, foi abandonado, o que aconteceria conosco? Nós também não temos capacidade de acertar em tudo. Mas se Deus permanece fiel à promessa que fez a Israel, ele será fiel à promessa que fez a mim e a você, que somos gentios enxertados. Se ele insiste em Israel, insistirá em mim — que sou, talvez, pior ainda. Deus é fiel.


A Fidelidade de Deus e a Permanência da Palavra

Há ainda outra dimensão nessa fidelidade que precisa nos gerar um temor saudável: toda lei será cobrada. Se você descumpriu algo, terá que se ver diante do Senhor. E é exatamente aqui que quero fazer uma ênfase que considero central para todo discípulo.

Aquele que desrespeitar um dos mandamentos — ainda que seja considerado dos menores — e ensinar outros a fazerem o mesmo, será considerado mínimo no reino dos céus. Quero que vocês guardem isso: quem desobedece já carrega um problema diante do reino, mas há um caminho ainda pior — desobedecer e, além disso, ensinar a desobedecer. É desobedecer e criar uma cultura em torno disso.

Agora, em contrapartida, existe algo maravilhoso que quero revelar. Isso que vou compartilhar é, na verdade, o motivo pelo qual tenho me dedicado, ano após ano, a ensinar as Escrituras:

"Porém, os que observarem e ensinarem, esses serão considerados grandes no reino dos céus." (Mt. 5:19)

Aqui está o segredo: obedecer e ensinar a obedecer. É assim que o reino dos céus mede grandeza — não por posição, riqueza ou reconhecimento, mas por obediência e pelo compromisso de ensinar essa obediência a outros.

Preciso que vocês percebam algo sutil no texto. Quando ele fala em "desrespeitar um desses mandamentos", está se referindo especificamente aos mandamentos do Sermão do Monte — porque, mais adiante, no final do evangelho, encontramos a ordem: "Vão, façam discípulos, batizem e ensinem-nos a obedecer tudo o que eu ordenei." Tudo começa com aquilo que eu mesmo ordenei.

E aqui deixo um desafio direto: precisamos, em primeiro lugar, saber os mandamentos; em segundo lugar, obedecê-los; e em terceiro lugar, ensiná-los. Você conhece os meus mandamentos? Vamos começar por aí.

Muitas vezes ignoramos isso sem perceber. Perdoar é um mandamento meu. Amar o inimigo é uma ordem minha. Dar a quem pede, não voltar as costas a quem pede emprestado — são ordens minhas. A paciência, a mansidão, a humildade são ordens minhas. Amar o Senhor acima de todas as coisas, amar o próximo como a si mesmo, amar o próximo como eu amei vocês — tudo isso são ordens minhas.

O caminho do discipulado precisa retornar a essa simplicidade da obediência.


Além do Culto de Domingo: A Obediência como Estilo de Vida

Deixem-me trazer uma reflexão prática sobre isso. Muitas vezes reduzimos — ou enfatizamos demais — a ideia de que ser meu discípulo significa, em primeiro lugar, estar presente na reunião de domingo. E entendo a importância dessa reunião, da congregação, da comunhão. Mas ser meu discípulo é muito maior e mais simples do que isso: diz respeito, antes de tudo, a conhecer, obedecer e ensinar os meus mandamentos.

Um desses mandamentos, presente no Novo Testamento, é justamente não deixar de se congregar — e isso envolve, sim, estar presente, ouvir a Palavra, orar em comunhão. Mas quero que vocês reflitam: nós precisamos tomar cuidado para não nos tornarmos pessoas que vivem doutrinas humanas, porque frequentar um prédio aos domingos é apenas uma forma de organização que escolhemos — e, ao fazer disso o critério central, corremos o risco de ignorar o que realmente é direto e essencial: "Eu os chamei para obedecer aos meus mandamentos."

E aqui quero que vocês parem para refletir de verdade. O que significa amar-me acima de todas as coisas? Eu disse: "Aquele que não negar a si mesmo, tomar sua cruz e me seguir, não pode ser meu discípulo." Vocês já pararam para pensar no que isso realmente significa? Eu também disse: "Se alguém ama pai, mãe, filho ou filha mais do que a mim, não é digno de mim." Já refletiram sobre o peso dessas palavras?

Eu disse ainda: "Se alguém te ferir na face, oferece também a outra." O que isso significa, na prática, para a sua vida?

Enquanto isso, muitas vezes nos perdemos em discussões menores — se deveríamos mudar o horário de um culto por causa de um jogo de futebol, por exemplo — quando há questões muito mais profundas que não podemos mais ignorar. Sim, eu vim causar uma revolução. Mas essa revolução é a revolução da obediência à Palavra. Seremos sal e luz do mundo obedecendo tudo o que for possível, empoderados pelo Espírito. Por isso, precisamos saber os mandamentos, obedecê-los e ensiná-los — essa é a sequência da verdadeira grandeza no reino dos céus.


A Justiça que Excede: Por Que Nossa Obediência Não Basta

Agora quero que vocês reparem em algo muito interessante no meu ensino. Eu disse que aquele que desobedece e ensina a desobedecer é considerado o menor no reino dos céus, e que aquele que obedece e ensina a obedecer é considerado grande no reino dos céus. Vocês notaram que, em nenhum momento, condicionei a entrada no reino à obediência ou à desobediência? Não disse que quem desobedece não entrará e que quem obedece entrará.

Isso é fundamental, porque a entrada no reino está ligada a outra realidade — aquela que ensinei a Nicodemos: "Se alguém não nascer de novo, não pode entrar no reino." E a explicação para essa distinção vem logo na sequência do meu discurso:

"Porque eu afirmo que se a justiça de vocês não exceder muito a dos escribas e dos fariseus, jamais entrarão no reino dos céus." (Mt. 5:20)

Imagino que, ao ouvirem isso, muitos discípulos tenham ficado perplexos. Os escribas e fariseus conheciam de cor cada preceito do Pentateuco e organizavam cada segundo de suas vidas para tentar obedecer a tudo. Chegavam a criar regras extremamente minuciosas — evitando misturar carne e leite pela possível origem comum do animal, evitando acender qualquer fogo ou mesmo acionar um interruptor no sábado por causa da centelha gerada. Esse era o nível de zelo e rigor desses homens religiosos.

E então eu afirmo: se a justiça de vocês não exceder a deles, não entrarão no reino. O que significa, então, exceder essa justiça?

Significa compreender que a entrada no reino não pode ser garantida pela própria obediência. Vocês podem decorar as 613 leis. Podem decorar o Sermão do Monte inteiro, como estamos propondo aqui. Podem organizar cada instante da vida na tentativa de obedecer a tudo — e, ainda assim, essa obediência não bastará para entrar no reino de Deus. É necessário que a justiça de vocês exceda, seja mais santa.

E como isso é possível? Só há um caminho: que a justiça de vocês não venha da própria obediência, mas da obediência do Justo. Que a santidade de vocês não venha da própria santidade, mas da santidade do Santo dos Santos. Exceder a justiça é se revestir de Cristo. É por isso que este ensino começa dizendo: "Eu não vim revogar a lei ou os profetas. Vim cumprir no lugar de vocês."


Revestidos de Cristo: A Entrada Estreita do Reino

Para entrar no reino de Deus, Cristo é a minha justiça e a de vocês. Ao chegarem a essa porta, é necessário estar revestidos dele. E quando vocês se apresentarem diante do porteiro, ele não poderá ver a pessoa que vocês são por si mesmas — ele precisa ver Cristo. Não importa o quanto alguém se esforçou para obedecer; isso jamais se compara àquele que obedeceu a todas as coisas e veio cumprir a lei em nosso lugar. É revestido dessa obediência perfeita que se pode dizer: "Pode entrar."

Deixem-me ser ainda mais direto: apenas um entrará no reino dos céus por mérito próprio — o Filho de Deus, Cristo. Ninguém mais. É por isso que a porta é tão estreita: porque só um venceu por mérito próprio. E todo aquele que estiver em Cristo entrará com ele.

Isso muda completamente a forma como enxergamos nossa própria justiça. A justiça dos fariseus e escribas, por mais impressionante que pareça aos olhos humanos, é pequena diante de Deus — porque, por mais que se obedeça, isso nunca seria suficiente. Precisamos de um Salvador perfeito.

E há algo profundamente libertador nisso: ao entrarmos, não há motivo para nos gabarmos ou nos considerarmos superiores àqueles que ainda estão do lado de fora. Não há um único grama de mérito em nós — entramos apenas porque estamos revestidos dele. É como quando um amigo é convidado para uma festa e o leva junto: você só está lá dentro porque foi convidado por ele, e não existe mérito nenhum de sua parte.

Nossa justiça deve exceder a dos escribas e fariseus, e essa justiça é justamente se revestir de Cristo. É o fim de todo mérito próprio, o fim do orgulho de nos considerarmos superiores. Na verdade, somos os piores dentre os pecadores — tão perdidos que precisamos, de forma desesperada, de alguém que venha nos salvar.


Grandes e Pequenos no Reino: Um Chamado à Ação

Agora, uma vez dentro do reino — porque estamos lá apenas por causa dele —, existe ainda uma distinção entre os grandes e os pequenos. E quem são os grandes? São aqueles que conhecem a vontade do Pai, obedecem a essa vontade e a ensinam a outros.

Quero trazer isso para um nível muito prático da vida de vocês. Comecem pelos seus filhos. Comecem com o cônjuge, com as pessoas ao redor. Voluntariem-se na igreja para liderar um pequeno grupo, para servir jovens, adolescentes, mulheres, homens, crianças. Eu quero ser grande no reino dos céus — não porque isso me trará alguma recompensa material, uma rua de ouro ou uma mansão, mas porque quero honrar aquele que me amou primeiro. Só estou dentro do reino por causa dele, e quero honrá-lo fazendo tudo o que estiver ao meu alcance.

A ordem que recebi foi clara: "Vão e façam discípulos." E cada um de nós precisa encontrar sua forma de responder a esse chamado — seja escrevendo, ensinando, compondo, liderando. Mas tudo começa com o mesmo fundamento: estudar a lei, obedecer a lei e ensinar a lei. Ensinar outros a obedecerem. Nossa revolução acontece através da Palavra.

Por isso, esse é o convite que deixo a vocês: não pensem que vim revogar a lei ou os profetas. Não vim revogar — vim cumprir. Em verdade digo que nenhum i ou til jamais passará da lei até que tudo se cumpra. Aquele que desrespeitar um desses mandamentos, mesmo o menor deles, e ensinar outros a fazerem o mesmo, será considerado mínimo no reino dos céus. Aquele, porém, que observar e ensinar, será considerado grande no reino dos céus. Porque eu afirmo que, se a justiça de vocês não exceder muito a dos escribas e dos fariseus, jamais entrarão no reino dos céus.

Que essas palavras não fiquem apenas decoradas, mas se tornem parte viva de quem somos — em abundância, guardadas no coração, praticadas no dia a dia. Que possamos, cada vez mais, saber, obedecer e ensinar tudo o que foi ordenado, vivendo essa revolução silenciosa e poderosa da obediência à Palavra.


Fonte: JesusCopy. É isso que um VERDADEIRO discípulo FAZ | SermãoDoMonte #4 | Talmidim com Douglas Gonçalves

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